Casa Pipa articula rede cultural
Objetivo é fortalecer coletivos e ampliar a circulação artística em Matão e região
Fonte: Rogério Bordignon, postado por Natali Galvão
Foto: Luciano Miranda

A Casa Pipa ‘Lygia Nicolucci’ segue com sua função social ao propor a construção de uma rede cultural em Matão. No último dia 24, representantes de grupos, coletivos e iniciativas artísticas da cidade se reuniram na Casa para conversar sobre possibilidades de articulação, circulação e fortalecimento conjunto da produção cultural local e regional.
“Dentre os presentes, destaque para os representantes que – no ano passado, na cerimônia de abertura da comemoração ‘+100 anos de Casa Pipa’ – foram simbolicamente condecorados como guardiões da cultura por seus relevantes trabalhos ligados à produção artística e cultural na região”, cita Juliano Jacopini, agente cultural desde o início da história da Casa Pipa.
Participaram do encontro representantes da ONG Ocara; Grupo Coro e Osso; Cia. Labirinto; Grupo Urdiduras; Grupo Marias; Batucada na Geral; Sou Eu, Caboclo; Sarau do Bando e Cine Crânio, além de artistas interessados em integrar a articulação e outros que não puderam comparecer na ocasião, mas manifestaram vontade de participar da rede, como o Grupo de Folia de Reis Padre Marcos Pião, Amigos da Viola e Rap na Alta.
A reunião acontece num momento significativo para a Casa Pipa. Depois de participar da 6ª edição da Teia Nacional, em maio, sua referência tornou-se fundamental na Região Administrativa de Araraquara, ampliando a perspectiva de atuação e fortalecendo a necessidade de estabelecer conexões entre diferentes iniciativas culturais. “A proposta é de que essa articulação comece pelo território e possa, progressivamente, alcançar outros municípios e redes culturais da região”, diz Juliano.
Uma das ideias discutidas no encontro foi a criação de uma circularidade cultural, aproximando grupos, artistas, espaços e comunidades e estimulando o que os participantes vêm chamando de corredores culturais: caminhos de circulação de pessoas, obras, saberes e experiências entre Matão e outras cidades.
“Neste sentido, a Casa Pipa reforça a disponibilização de sua estrutura para que os próprios grupos possam desenvolver atividades. Entre as possibilidades estão apresentações, encontros, formações, imersões, residências e mini residências, criando novas formas de ocupação criativa da Casa e de aproximação com o público”, comenta Juliano.
A estrutura de hospedagem existente na Casa Pipa também pode ser utilizada para receber artistas e grupos de outras localidades. A intenção é de que a Pipa possa funcionar como um ponto de encontro e acolhimento para projetos culturais desenvolvidos na cidade e em diálogo com a região. Outra possibilidade discutida está relacionada à Política Nacional Aldir Blanc (PNAB).
“A Casa Pipa poderá fornecer cartas de anuência para projetos de artistas e coletivos que pretendam usar suas instalações para apresentações e atividades que necessitem de hospedagem e residência artística. Mais do que criar uma programação conjunta, a proposta é de construir gradualmente uma rede de colaboração cultural, na qual os diferentes grupos possam reconhecer suas potências, compartilhar estruturas e conhecimentos e ampliar a circulação de suas produções”, coloca Juliano.
“Esse movimento parte de uma compreensão de que fortalecer a cultura de Matão não significa somente ampliar a programação de um espaço, mas criar condições para que os diversos agentes culturais do território possam se encontrar, colaborar e ocupar a cidade de diferentes maneiras. A Casa Pipa, que nasceu justamente de uma experiência de encontro e intercâmbio artístico, pretende, cada vez mais, ampliar essa perspectiva. Afinal, passados 15 anos, ela já é uma estrutura e coloca sua experiência, agora, a serviço de uma articulação mais ampla”, ressalta Juliano.
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