ARTIGO - Setembro Amarelo: mês de prevenção ao suicídio
POR MARIA SYLVIA GABRIEL
Fonte: Maria Sylvia Gabriel, psicóloga, postado por Natali Galvão
Foto: Acervo A Comarca

Todas as patologias podem levar uma pessoa ao suicídio, principalmente o Transtorno Afetivo Bipolar, pois quando a euforia da fase de mania é intensa, o declínio dessa euforia faz surgir a fase depressiva, que é proporcionalmente igual em intensidade à da mania apresentada, ou seja, o indivíduo transita entre a agitação e a perda da vitalidade. Transtornos de ansiedade mal tratados que duram anos também podem levar a pessoa a deprimir, podendo levá-la a morte dependendo da gravidade da depressão.
Dados estatísticos apresentados pelo site científico Scielo apontam o suicídio como a segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos, globalmente. O Brasil está entre os dez países com maior número de casos no mundo.
Quando eu era estudante de Psicologia, realizei estágio no ‘Núcleo de prevenção da violência’, aqui mesmo em Matão, e esta experiência foi muito rica para mim. Na época, pesquisando, pude constatar que o número de suicídio entre homens era maior do que entre as mulheres, porém, a quantidade de tentativas das mulheres era maior do que a dos homens.
Como psicóloga de orientação psicanalítica, enxergo como as relações entre pais e filhos influenciam nas ideações suicidas e também nas tentativas de suicídio. Pais têm que ser pais, e não amigos dos filhos, mas respeito cabe em qualquer relação. Muitos pais não conseguem caminhar entre respeito e autoridade, se perdem, se bagunçam, se confundem.
Quando leis paternas e maternas são excessivamente rígidas, sem espaço para a expressão espontânea da subjetividade e emoções desse filho, elas podem provocar autodestruição no filho, que busca agredir internamente a si mesmo e aos pais. As crianças buscam a validação dos pais para existirem no mundo e precisam sentir que são boas. Relações tóxicas entre pais e filhos podem levá-los ao suicídio, e esta constatação é muito comum de ser encontrada.
Deu para notar que dentro da temática do suicídio existem várias nuances psicológicas, relacionais e sociais que podem ser trabalhadas em psicoterapia antes que a tragédia ocorra. Ao notarem, em alguém próximo, sentimentos como raiva, apatia, desesperança, anedonia, e também dificuldades para realizar atividades básicas cotidianas, alteração do apetite, do sono, isolamento social, desinteresse pela vida e desânimo para levantar da cama, procurem ajuda profissional imediatamente.
Existe também o suicida ‘alto astral’. Neste, os indícios de perigo encontram-se em falas e atitudes ‘estranhas’, ou não habituais.
Lembre-se: tenha diante de uma pessoa fragilizada – e com o ser humano de modo geral – uma postura empática, de acolhimento e de não julgamento. Em casos em que a pessoa próxima esteja passando por sofrimento psíquico, leve-a a um psicólogo e a um psiquiatra. Um complementa o trabalho do outro.
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