Projeto Negritude celebra 40 anos
Iniciativa criada para promover o conhecimento, resgatar a memória e valorizar o protagonismo da comunidade negra tem programação especial nesta sexta-feira
Fonte: Natali Galvão - free lancer, postado por Natali Galvão
Foto: Natali Galvão

Em 2026, o Projeto Negritude completa 40 anos de atuação em Matão, mantendo o compromisso de promover o conhecimento, valorizar a cultura e preservar a história da comunidade negra do município e da região. Liderado por Sergio Figueira (Sabará), o projeto nasceu com a proposta de contribuir para o resgate histórico e cultural, dando visibilidade à trajetória, às tradições e ao protagonismo da população negra local. Assim, para comemorar essas quatro décadas, uma programação especial será realizada nesta sexta-feira (14), a partir das 19h30, com apresentações musicais de Elio Floriano, Celo Mensageiro e Maicon Marques.
Em janeiro de 1986 surgiu o Projeto Verão, posteriormente transformado em Projeto Negritude, idealizado por Sergio Figueira (Sabará), Salvador Scutti Júnior (Dudi), Elio Floriano e Paula Machado. A iniciativa desenvolveu ações em escolas, atividades culturais, campanhas de saúde, projetos ambientais, eventos esportivos e ações de preservação da memória. Segundo Sabará, o projeto surgiu da percepção de que Matão precisava de mais oportunidades culturais. Na época, ele mantinha uma agência de publicidade com Dudi Scutti; Elio Floriano e Paula Machado integravam a equipe.
O nome foi inspirado no Movimento Negritude, surgido em Paris, na década de 1930. Em Matão, Sabará começou a visitar escolas para falar sobre a história e a realidade da população negra. Inicialmente, as ações eram realizadas em maio, mas, depois, passaram a ocorrer durante todo o ano. Na época, abordar a questão racial era considerado um tabu. Em 1988, durante as comemorações aos 100 anos da Abolição da Escravidão, foram realizadas exposições de trajes africanos no Cine Polytheama e palestras com a participação das escolas.
A saúde também entrou na pauta. O projeto promoveu uma ação em praça pública para identificar pessoas com traço ou anemia falciforme, em parceria com a Secretaria da Saúde, a Etec ‘Sylvio de Mattos Carvalho’ e emissoras de rádio. O tema foi levado aos professores em um encontro realizado na Sorema. Para Sabará, a iniciativa ampliou o conhecimento sobre a doença e contribuiu para melhorar o atendimento aos pacientes, inclusive com encaminhamentos para Ribeirão Preto.
Entre as ações esportivas está o Torneio de Futebol 1º de Maio, em Toriba, com a disputa da Taça Toriba – cuja organização foi assumida pelo Projeto Negritude para garantir sua continuidade. Na área ambiental, o Projeto ‘Quero Ver Meu Rio Limpo’ promoveu o plantio de muitas árvores pela cidade. Sabará ressalta que essas ações antecederam o Projeto Matão+Verde: “Acho que conseguimos levar adiante a ideia de um mundo melhor”.
A fotografia também teve papel importante para o registro das ações realizadas. Entre os marcos instalados na cidade estão a Estátua Negritude, na Avenida Padre Nelson Antonio Romão, e a Estátua Crioula, na Praça da Abolição, criada por Elio Floriano em 1988. O Projeto Negritude também se aproximou de grupos e instituições como o Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial (Compir).
DESAFIO
Para Sabará, o principal desafio enfrentado ao longo das quatro décadas foi o racismo. Apesar disso, o projeto contou com apoios e patrocínios, inclusive da Prefeitura. Segundo o fundador, uma das mudanças positivas foi o aumento da participação de pessoas negras em espaços de destaque e nas escolas: “Era essa a ideia, mesmo; de que as pessoas aparecessem, mostrassem a cara e falassem, com propriedade, sobre tudo aquilo que defendiam”.
Ao lembrar a trajetória do Negritude, Sabará destaca as participações de Elio Floriano, Dudi Scutti, Paula Machado, Celo Mensageiro, Lucas Marcelino, Kuka Possari, Pedro Borracha, Zé Carlos Tórchio, Luiz Piquera, Célio Gardini, Paula Cavichioli, Tânia Cossi e outros. Para ele, é uma conquista ver novas gerações dando continuidade ao trabalho: “É muito bom constatar que as pessoas estão dando prosseguimento ao legado que iniciamos lá em 1986”.
Sabará pretende continuar atuando por meio da TV Negritude, da fotografia, da poesia e das iniciativas ambientais. Ele reconhece a atuação de novos jornalistas e profissionais da comunicação na continuidade da valorização da população negra. Embora avalie que Matão mudou ao longo das últimas décadas, considera que o racismo ainda representa um desafio. A imprensa também é apontada como fundamental para a trajetória do projeto, especialmente na divulgação das ações ambientais.
Após 40 anos, o Projeto Negritude reúne uma história que ultrapassa a promoção cultural e envolve educação, saúde, esporte, meio ambiente, comunicação e preservação da memória. Sabará agradece às pessoas, instituições, veículos de comunicação e à população, que muito contribuíram para a trajetória do projeto: “Muito obrigado a todos que colaboraram para que o Projeto Negritude chegasse aos 40 anos. Muito obrigado a todos, e que Deus acompanhe a cada um de vocês”.
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