Fronteiras Brasil chega à 15ª edição
Evento reafirma Matão como território de criação artística; encerramento acontece no Sesc-Pompeia
Fonte: Rogério Bordignon, postado por Natali Galvão
Foto: Luciano Camargo/Prefeitura

Há 15 edições, o Festival Internacional de Arte-Educação – Fronteiras Brasil – transforma Matão em um espaço de encontro entre artistas, educadores e comunidades de diferentes países. Idealizado em 2009 pelo artista iraniano Khosro Adibi, incentivado por Lygia Nicolucci, o festival nasceu com o propósito de aproximar arte, educação e vida comunitária por meio de processos criativos coletivos, promovendo intercâmbios culturais e experiências que valorizam diferentes saberes.
Ao longo de sua trajetória, o Fronteiras Brasil reuniu mais de 200 arte-educadores de diversas nacionalidades e linguagens artísticas, fortalecendo redes de colaboração entre teatro, dança, circo, música e artes visuais. O impacto do festival ultrapassou os dias de programação e deixou um legado permanente para Matão: inspirou a criação da Plataforma Internacional de Produção Artística ‘Professora Lygia Nicolucci’, a Casa Pipa, hoje reconhecida como um dos principais espaços independentes de formação, pesquisa e residência artística do interior paulista.
Nesta 15ª edição, realizada entre os dias 22 de julho e 2 de agosto, participam artistas do Brasil, Argentina e Equador. São eles: Serafim Mariano (Brasil, Circo e Teatro), Natalia Nisnievich (Argentina, Dança), David Xavier (Equador, Performance), Mariano Basile (Argentina, Teatro de Objetos), Lai Souza (Brasil, Teatro), Daniela Ferreyra (Argentina, Teatro), Mono (Argentina, Circo e Dança), Tres (Brasil, Teatro Lambe-Lambe). Durante a primeira semana, a programação concentrou-se na Casa Pipa, onde aconteceu diariamente a Vivência Horizontal em Arte (VOA), espaço de pesquisa, experimentação e criação coletiva que reúne os arte-educadores em torno da metodologia horizontal desenvolvida pela Cia. Labirinto de Teatro.
É desse intenso processo criativo que nasce o cortejo ‘Para sustentar o céu’, uma dramaturgia itinerante construída coletivamente pelos artistas residentes e pela companhia matonense. A criação reúne teatro, música ao vivo, performance, dança e diferentes linguagens para ocupar ruas e espaços públicos, transformando a cidade em território de encontro, convivência e imaginação. Paralelamente, os artistas também desenvolvem a Mostra Latino-Americana Fronteiras – ‘O tempo, nele mesmo, espiralado’ –, composta por oito criações cênicas de curta duração que apresentam um panorama da produção artística contemporânea latino-americana construída durante a residência.
As primeiras apresentações aconteceram no sábado (25), com o cortejo ‘Para sustentar o céu’, no Sesc-Araraquara. Já no domingo (26) ocorreu a Mostra Latino-Americana Fronteiras, na Casa Pipa. Depois, o festival foi para os bairros. Entre os dias 27 e 31, o Fronteiras Brasil ampliou sua atuação junto às comunidades de Matão. No período da manhã, na Casa Pipa aconteceu a ‘Troca de saberes’ – encontro entre os artistas residentes, educadores e convidados. À tarde ocorreu a VOA, nas comunidades, levando experiências de criação compartilhada aos seguintes territórios participantes: Pequeno Cidadão (Jardim Paraíso), Cras (Quarto Centenário), CEU das Artes (Portal Terra da Saudade) e Base Comunitária do Jardim Brasil.
À noite, esses mesmos espaços receberam apresentações de fragmentos do cortejo ‘Para sustentar o céu’ e da Mostra Latino-Americana Fronteiras, aproximando o processo criativo do cotidiano das comunidades participantes. Mais do que um festival de apresentações, o Fronteiras Brasil reafirma seu compromisso com a formação artística, a educação e a construção coletiva do conhecimento, fazendo da cidade um grande laboratório de criação compartilhada e relacional.
“Mais do que um evento anual, o Fronteiras Brasil tornou-se um dos principais marcos da história cultural de Matão. Foi a partir dele que nasceu a Casa Pipa, atualmente reconhecida como ‘Pontão de Cultura’ e consolidada como residência artística latino-americana, recebendo artistas, pesquisadores e educadores de diferentes países para processos de criação, formação e intercâmbio”, comenta Juliano Jacopini, diretor geral desta edição do Fronteiras Brasil e coordenador da Casa Pipa.
SESC-POMPEIA
Após a intensa programação realizada em Matão, a edição 2026 do Festival Fronteiras Brasil segue para a capital paulista. Neste sábado (1º de agosto), às 17 horas, acontece no Sesc-Pompeia o cortejo ‘Para sustentar o céu’, levando ao público paulistano uma criação coletiva que sintetiza os encontros, pesquisas e experiências vividas durante os dias de festival.
O encerramento acontece no domingo (2), a partir das 15 horas, também no Sesc-Pompeia, com a apresentação da Mostra Latino-Americana Fronteiras – ‘O tempo, nele mesmo, espiralado’ –, reunindo as oito criações desenvolvidas durante a residência artística. “Ao completar 15 edições, o Fronteiras Brasil reafirma que seu maior legado não está somente nos espetáculos apresentados, mas na capacidade de criar vínculos duradouros entre artistas, educadores e comunidades, fazendo de Matão uma referência nacional em arte, formação e intercâmbio cultural”, cita Juliano.
FICHA TÉCNICA
Realização: Casa Pipa/Ong Ocara
Concepção e produção: Cia. Labirinto de Teatro
Direção geral e curadoria: Juliano Jacopini, Douglas Aranha e Simone Marcondes
Suporte técnico: Michele Alves e Joe Maraca
Apoio: Thiago Gardini
Design e assessoria de imprensa: Luísa Brejão
Produção executiva e geral: Raquel Bonazzi e Ellen Candido
Apoio institucional: Grupo Coro e Osso, Iglu Multimídia, Urdiduras e Jornal A Comarca.
Parcerias: Prefeitura de Matão, Sincomércio-Matão e Sesc.
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