Sincomércio-Matão reflete sobre Dia do Comerciante
No Brasil, a data é comemorada anualmente em todo 16 de julho
Fonte: Rogério Bordignon, postado por Natali Galvão
Foto: Rogério Bordignon

Instituído através da Lei Federal nº 2.048, de 26 de outubro de 1953, o Dia do Comerciante é comemorado anualmente em todo 16 de julho. Sobre a atual situação do comerciante, o Sindicato do Comércio Varejista (Sincomércio-Matão) faz uma reflexão através do seu presidente, Antonio Geraldo Giannini (Toninho). Segue a entrevista para reportagem de A Comarca.
O que comemorar neste Dia do Comerciante?
A resistência, o esforço, a dedicação e tantos outros atributos que fazem o comerciante abrir a porta do seu estabelecimento a toda manhã e continuar lutando. Temos que aplaudir de pé o empreendedor que trava batalhas diárias num contexto econômico complexo, marcado por juros elevados que encarecem o crédito e freiam o consumo. O comerciante tornou-se um verdadeiro herói. O Dia do Comerciante representa também uma oportunidade para reconhecer o papel destes empresários e trabalhadores do setor na geração de empregos, na inovação e no desenvolvimento econômico, ao mesmo tempo em que reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à redução da burocracia, ao acesso ao crédito e ao fortalecimento do ambiente de negócios.
Quais os principais problemas enfrentados atualmente?
O comerciante tem que enfrentar uma elevada carga tributária, considerada um dos principais entraves para a competitividade. Há muita burocracia para abertura, manutenção e encerramento de empresas. Existem altos custos operacionais fixos, incluindo energia elétrica, água e esgoto, aluguel, folha de pagamento e logística. Os juros elevados dificultam o acesso ao crédito e reduzem o consumo das famílias. Temos a concorrência desleal de plataformas internacionais, bem como da informalidade e de produtos comercializados sem o recolhimento de tributos. Há o crescimento de fraudes eletrônicas e golpes no comércio digital, bem como a necessidade constante de investir em inovação, marketing digital e tecnologia. O comerciante acorda sabendo que precisa trabalhar muito para perder de pouco, ou para empatar.
E a questão tributária?
O Simples Nacional não sofre uma correção estrutural real – por exemplo, em suas faixas e tetos – desde 2018. Isso significa que, por causa da inflação acumulada, o comerciante acaba mudando de faixa de tributação e pagando mais imposto sem necessariamente ter lucrado mais. Para piorar, estamos na transição da Reforma Tributária. É um sistema complexo que exige adaptação rápida e custos com contabilidade e sistemas, gerando mais insegurança jurídica para quem só quer trabalhar. Há também em curso a redução da Jornada de Trabalho, o que poderá gerar uma situação ainda mais complicada com relação à manutenção de empregos.
Há a situação provocada pelo comércio digital.
Não somos contra a tecnologia ou a modernidade, pois o digital veio para somar. O problema é a falta de isonomia. Durante muito tempo, compras internacionais de até US$ 50 – cerca de R$ 250,00 – contavam com isenções que o comércio tradicional nunca teve. Enquanto o lojista nacional paga cascata de impostos para manter o produto na prateleira, o site de fora entra direto na casa do cliente, quase sem barreiras. É uma concorrência desleal que destrói o emprego local. Os Governos Federal e Estadual precisam proteger bem mais a quem gera emprego e renda aqui dentro.
O cliente vê o preço final e busca alternativas para comprar.
Sim. Na maioria das situações, os clientes não compreendem e o comerciante muitas vezes é criticado pelo preço do produto, mas as pessoas não veem que ele é somente o último elo de uma cadeia sufocada por impostos, frete e custos operacionais. O comerciante é vítima. A dedicação desses empresários é enorme, abrindo mão de momentos com a família e da sua saúde mental para manter o negócio vivo. É preciso reconhecer o sacrifício de quem está atrás do balcão, de quem abre a porta do estabelecimento para gerar emprego e renda.
É necessário apoiar o comércio local.
As pessoas têm que apoiar mais. É este segmento que geralmente gera o primeiro emprego para o jovem, a renda que o município usa para investir em saúde, educação, segurança e outros setores. É necessário apoiar mais o comerciante que insiste, resiste e continua investindo em Matão, mesmo quando o cenário nacional joga contra. Compreender e colaborar com este comerciante é valorizar a dignidade do trabalho e toda uma engrenagem indispensável para a economia local.
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