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Saúde

Jorge Scutti ocupa cargo de destaque na Taiho Oncology

Diretor global de Assuntos Médicos atua junto a novas terapias para tratamento de tumores complexos

Fonte: Rogério Bordignon, postado por Natali Galvão

· Leitura de 6 min

Foto: Acervo A Comarca

Jorge Scutti. "Essa liderança significa atuar como elo entre a inovação científica de fronteira e a entrega de valor real à vida em escala global"
Jorge Scutti. "Essa liderança significa atuar como elo entre a inovação científica de fronteira e a entrega de valor real à vida em escala global"

A trajetória de um cientista muitas vezes começa nos laboratórios, mas o impacto de seu trabalho pode ecoar globalmente. É o caso de Jorge Augusto Borin Scutti, cuja carreira como imunologista especializado em câncer o levou a assumir o cargo de diretor global de Assuntos Médicos da empresa Taiho Oncology. Hoje, ele acompanha a vanguarda da investigação de novas terapias para o tratamento de tumores complexos, como os cânceres de pulmão, ginecológicos e gastrointestinais. Sua história é um testemunho de como a dedicação à ciência pode repercutir de forma global. Segue a entrevista com Jorge Scutti.

Como é exercer uma liderança estratégica global?

A transição da bancada do laboratório para a liderança estratégica global no setor farmacêutico é um percurso complexo e multifacetado. Não se trata somente de possuir conhecimento científico, mas de cultivar uma visão estratégica que permita transformar descobertas promissoras em tratamentos acessíveis e impactantes para pacientes em escala global. A imunologia, em particular a Imuno-Oncologia, revolucionou a compreensão e o tratamento do câncer, oferecendo novas esperanças onde antes havia poucas opções. Liderar a estratégia global neste campo significa garantir que as inovações mais promissoras, muitas vezes nascidas da medicina translacional, cheguem a quem precisa, independentemente de sua localização geográfica ou condição socioeconômica.

Como ocorre sua atuação nesta liderança?

Na prática, minha atuação ocorre por meio da articulação estratégica de ecossistemas em que a ciência de alta complexidade encontra a viabilidade clínica e o acesso do paciente aos novos tratamentos. Atuo como um catalisador entre a pesquisa e desenvolvimento e a linha de frente da oncologia, liderando a construção de um Plano Médico Global que prioriza geração de dados clínicos, educação dos dados científicos gerados e, principalmente, estratégias de acesso que permitam aos pacientes fazerem o uso das medicações recentemente aprovadas. Essa função dentro das indústrias farmacêuticas é conhecida como Assuntos Médicos, ou do inglês, Medical Affairs. Essa função exige a coordenação de diálogos com os principais líderes de opinião mundiais e a tradução de dados científicos em narrativas de valor para sistemas de saúde em diversos continentes. Liderar globalmente é, portanto, garantir a consistência científica em todas as regiões, navegando por aspectos regulatórios e geopolíticos para que a inovação não seja somente um avanço técnico, mas uma solução terapêutica que alcance o paciente no tempo certo e com a máxima eficácia.

Qual o significado disso para você?

Para mim, assumir essa liderança significa atuar como o elo vital entre a inovação científica de fronteira e a entrega de valor real à vida dos pacientes em escala global. Representa a responsabilidade ética e estratégica de orquestrar a complexidade da medicina translacional, garantindo que o progresso alcançado na bancada do laboratório não encontre fronteiras geográficas ou burocráticas, mas sim caminhos para se tornar um padrão de cuidado universal. Mais do que gerir ativos biotecnológicos, essa posição é sobre exercer uma visão sistêmica que integre ciência, geopolítica e economia da saúde para enfrentar as necessidades médicas não atendidas, transformando a descoberta científica em um legado duradouro de equidade e esperança para a oncologia mundial.

O que você perspectiva em sua jornada?

A consolidação de um ecossistema de saúde em que a inovação não seja somente disruptiva, mas genuinamente democratizada. Minha visão é transcender o modelo tradicional de desenvolvimento de fármacos para liderar a implementação de plataformas de medicina de precisão que se adaptem às diversas realidades dos sistemas de saúde globais. Perspectivo também o uso da Inteligência Artificial e da Ciência de Dados para encurtar o ciclo da Medicina Translacional, permitindo que as terapias de próxima geração sejam escaláveis e economicamente sustentáveis. Acima de tudo, antevejo uma trajetória marcada pela superação das barreiras de acesso, em que o sucesso da minha liderança seja medido não somente pelo número de aprovações regulatórias, mas pela redução tangível das disparidades no tratamento do câncer, garantindo que os futuros tratamentos sejam uma realidade acessível a cada paciente, em qualquer parte do mundo.

Sua atuação mantém o compromisso com a educação?

Meu compromisso com a educação é indissociável da minha atuação estratégica. Acredito que a inovação científica só atinge seu potencial pleno quando é acompanhada por uma base educacional robusta, capaz de traduzir dados complexos em prática clínica segura. Recentemente, tive a honra de palestrar na Universidade do Sul da Flórida (University of South Florida) para estudantes de graduação de diversas frentes, incluindo Medicina, Biotecnologia e Inteligência Artificial. Mais do que uma aula técnica, essa foi uma oportunidade de exercer a mentoria para estudantes brasileiros. Mesmo residindo nos Estados Unidos há 12 anos, incentivar talentos brasileiros no exterior e fomentar a próxima geração de cientistas e líderes continua sendo uma das minhas prioridades. Por outro lado, a educação continuada de quem já está na linha de frente é igualmente vital. Como palestrante convidado para liderar dois dias de um congresso focado em Medical Affairs na Filadélfia (Biopharma Medical Affairs Nexus), pude palestrar para profissionais da saúde em um processo de reciclagem sobre o desenho de estudos clínicos e a interpretação de dados de alta complexidade. Discutimos os avanços mais recentes em múltiplos tipos de câncer, reforçando que o domínio sobre as novas evidências é o que gera a confiança clínica. Quando o profissional de saúde domina a ciência por trás da inovação, ele não somente compreende o dado, mas sente-se seguro para oferecer ao paciente uma nova e fundamentada opção de tratamento. Educar, portanto, é a ponte definitiva entre o progresso científico e o desfecho clínico no leito do paciente. A educação ainda é uma das minhas maiores paixões, pois é através dela que vejo o conhecimento deixar de ser um dado estático para se tornar uma ação que salva vidas.

Continua mantendo contato com Matão?

Com certeza. Matão é o alicerce de tudo o que construí e o lugar que moldou minha essência. Costumo afirmar que eu saí de Matão para explorar novos caminhos, mas Matão nunca saiu de mim. Até hoje, mantenho contato com meus grandes amigos de infância que ainda residem na cidade; essas amizades são o fio condutor que me mantém conectado às minhas raízes. Para mim, nossa cidade continua sendo, em todos os sentidos, a eterna ‘Terra da Saudade’.

São dois Pós-Doutorados

Jorge Scutti reside nos Estados Unidos

Jorge Augusto Borin Scutti é formado em Biomedicina pela Universidade de Araraquara (Uniara) em 2007. Respectivamente em 2008 e 2013, concluiu Mestrado e Doutorado em Microbiologia e Imunologia pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Os dois Pós-Doutorados foram realizados no Hospital Israelita Albert Einstein (2014) e no Departamento de Pediatria do MD Anderson Cancer Center (2015), em Houston (Texas – Estados Unidos).

Durante três anos (2015 a 2018) foi pesquisador sênior da Plataforma de Imunoterapia do MD Anderson Cancer Center, no Departamento de Imunologia, que é liderado pelo professor James Patrick Allison, vencedor do Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia 2018. Autor de diversos artigos científicos internacionais e livros, Jorge atualmente é diretor executivo global na área de Medical Affairs, com ênfase em diversos tipos de câncer (como de pulmão, ginecológicos e gastrointestinais).

É casado com Yasmin Fortini Cortez Scutti. São pais de Catharina, Thales, Rebecca, Clara e Cecília. Nascido em São Carlos, no dia 2 de abril de 1985, é filho de Paulo Henrique Scutti (Paulo Bim) e Izabel Cristina Borin. Seu irmão é Pedro Henrique Borin Scutti. Jorge morou em Matão dos dois anos de idade até o período de faculdade. Desde o dia 12 de novembro de 2021, através de um projeto do então vereador Luiz Francisco Fernandes, se tornou oficialmente Cidadão Matonense. Jorge e sua família moram em uma pequena cidade no interior do estado da Pensilvânia (Estados Unidos), fundada por imigrantes suecos no Século 18, chamada Douglassville, perto da cidade de Filadélfia.

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