Exportações de suco de laranja têm queda de 30% na receita
Estados Unidos ultrapassam a União Europeia e se consolidam como principal destino do suco brasileiro
Fonte: Assessoria de Comunicação da Citrus BR, postado por Natali Galvão
Foto: Acervo A Comarca

A queda na demanda global por suco de laranja impactou os resultados das exportações brasileiras, que encerram a safra 2025-2026 com volume praticamente estável e forte recuo de receita. Os embarques somaram 746,9 mil toneladas, alta de 0,2% ante as 745,7 mil toneladas embarcadas na safra 2024-2025. Já a receita totalizou US$ 2,38 bilhões, queda de aproximadamente 30% em relação aos US$ 3,42 bilhões registrados no período anterior, refletindo forte ajuste nos preços internacionais do produto.
Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior, referentes às exportações a partir do Porto de Santos e foram compilados pela Citrus BR. “O resultado é reflexo dos altos preços das safras anteriores, que fizeram com que o consumidor procurasse opções mais baratas, além de problemas na qualidade do produto decorrentes dos efeitos do clima e do greening na temporada passada”, analisa o diretor-executivo da Citrus BR, Ibiapaba Netto.
Na Europa, principal mercado histórico do suco brasileiro, o volume recuou 10,9% na comparação anual, de 376,5 mil para 335,2 mil toneladas de FCOJ equivalente. A receita caiu para cerca de US$ 1,11 bilhão, retração de aproximadamente 38% ante os US$ 1,78 bilhão da safra 2024-2025, combinando menor volume com forte compressão de preços. A participação do bloco no volume total exportado recuou de cerca de 50% para próximo de 45%, abrindo espaço para o avanço dos Estados Unidos e de outros mercados ao longo da safra 2025-2026.
Já os Estados Unidos seguiram em trajetória de crescimento e passaram a responder por quase 48% do volume total exportado, ante cerca de 40% na safra anterior, consolidando-se como o principal destino individual do suco de laranja brasileiro. O país importou 355,8 mil toneladas de FCOJ equivalente na safra 2025-2026, alta de 16,3% frente às 305,8 mil toneladas da safra 20242025. Em receita, no entanto, os embarques somaram cerca de US$ 1,08 bilhão, recuo de 20,6% ante os US$ 1,36 bilhão do período anterior.
Na China, o volume subiu 26%, de 20,1 mil para 25,5 mil toneladas de FCOJ equivalente, com a receita avançando de forma mais discreta, 1%, para cerca de US$ 70,3 milhões ante os US$ 69,6 milhões da safra anterior. O Japão registrou a maior retração entre os principais destinos: o volume importado caiu 28,6%, de 20,1 mil para 14,3 mil toneladas de FCOJ equivalente, enquanto a receita recuou 45,9%, para aproximadamente US$ 58,9 milhões ante os US$ 108,9 milhões da safra 2024/2025, resultado da combinação entre menor volume e forte desconto nos preços praticados no mercado japonês.
HISTÓRICO DAS EXPORTAÇÕES
Volume (toneladas de FCOJ equivalente)
2014-2015: 1.137.897 toneladas
2015-2016: 1.080.938 toneladas
2016-2017: 894.669 toneladas
2017-2018: 1.150.718 toneladas
2018-2019: 926.770 toneladas
2019-2020: 1.030.112 toneladas
2020-2021: 998.739 toneladas
2021-2022: 969.888 toneladas
2022-2023: 1.060.186 toneladas
2023-2024: 961.270 toneladas
2024-2025: 745.700 toneladas
2025-2026: 746.900 toneladas
Receita (US$)
2014-2015: US$ 2.042.989.462
2015-2016: US$ 1.744.872.702
2016-2017: US$ 1.621.718.681
2017-2018: US$ 2.107.760.920
2018-2019: US$ 1.707.526.202
2019-2020: US$ 1.751.887.879
2020-2021: US$ 1.484.831.689
2021-2022: US$ 1.622.705.712
2022-2023: US$ 2.070.314.987
2023-2024: US$ 2.511.048.598
2024-2025: US$ 3.421.662.000
2025-2026: US$ 2.375.888.000
Fonte: Secretaria de Comércio Exterior, dados compilados pela Citrus BR.
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