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Negócios

Ciesp expressa indignação sobre Tarifaço

Entidade lamenta viés político da medida, que prejudica brasileiros e norte-americanos

Fonte: Assessoria de Imprensa do Ciesp, postado por Natali Galvão

Foto: Acervo A Comarca

Rafael Cervone. "É pertinente uma postura diplomática baseada somente em argumentos econômicos e técnicos"
Rafael Cervone. "É pertinente uma postura diplomática baseada somente em argumentos econômicos e técnicos"

No último dia 16, o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) divulgou nota expressando indignação e lamentando a confirmação do ‘Tarifaço’ de 25% sobre produtos brasileiros pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Segundo a nota, o mais grave é a forte evidência de motivação política da medida, que atinge exportações de US$ 11 bilhões da indústria e do agro e é prejudicial à própria população norte-americana, que pagará mais caro pelos bens, mercadorias e alimentos produzidos no Brasil.

A nota da entidade segue com este conteúdo:

As alegações para a imposição das tarifas referem-se a problemas que não são exclusivos do Brasil, como a pirataria e o desmatamento ilegal. São fatores presentes em numerosos países, que seguem isentos de barreiras comerciais adicionais. Também parece ter um tom mais retórico do que concreto a alegação sobre o Pix, sistema de pagamento moderno, eficaz e que, em termos práticos, não afeta o comércio internacional. Quanto à moratória de quatro anos sem multas e tarifas para plataformas digitais norte-americanas, cabe ponderar que todas as empresas que operam no Brasil precisam respeitar normas, leis e todo o arcabouço regulatório nacional. Aliás, os distintos setores de atividade sempre defenderam essa isonomia.

“As novas tarifas, que posicionam o Brasil como um dos países com barreiras comerciais mais severas nos Estados Unidos, afetam muito nossa competitividade num dos maiores mercados globais, pois numerosas outras nações não têm restrições semelhantes e ganharão espaço no vácuo deixado por nossos produtos”, avalia Rafael Cervone, presidente do Ciesp e 1º vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Para ele, “é fundamental que o governo brasileiro, sem reações de cunho político e num tom sereno, seguro e de bom senso, empreenda um novo esforço diplomático no sentido de buscar a reversão da medida”.

Cervone cita que “a radicalização do discurso e as analogias do tema com o calendário eleitoral brasileiro alimentam as polêmicas comerciais e não ajudam na construção de soluções técnicas e justas. Por isso é pertinente uma postura diplomática baseada somente em argumentos econômicos e técnicos”.

O Ciesp coloca-se à disposição no sentido de contribuir nas negociações, entendendo que a participação de entidades de classe, inclusive norte-americanas, possa ter um peso positivo no processo. Por outro lado, na expectativa de que será possível reverter as duras medidas impostas pelos Estados Unidos, o Ciesp alerta para a urgência de reduzir o ‘Custo Brasil’, com a reforma administrativa, juros menores, mais segurança jurídica e pública, equilíbrio fiscal e melhoria da infraestrutura.

“Não podemos controlar decisões comerciais de outros países, mas devemos cuidar para que nossa competitividade não seja afetada pelos nossos problemas internos, que se tornam mais agudos diante de tarifaços como o que passaremos a enfrentar agora nas exportações aos Estados Unidos”, afirma Cervone.

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