Pular para o conteúdo
Matão-SP · quinta-feira, 8 de outubro de 202621°Sol20° / 31°Tempo agora em Matão: 21 graus, Sol. Ver a previsão da semana.Ano 102Fundado em 1925Edição 5.361
A Comarca
Edição 5.3612 de outubroLer
Últimas
Uniara tem inscrições abertas para processo seletivo
Publicidade
Publicidade
Cultura e Variedades

Exposição propõe reflexão sobre a contribuição dos negros ao país

'História não contada', do pesquisador João Bento (Cucão), reúne banners na Escola 'Adelino Bordignon'

Fonte: Natali Galvão - free lancer, postado por Natali Galvão

Foto: Natali Galvão

Abertura. Representantes da Prefeitura, da Câmara e da Escola 'Adelino Bordignon' prestigiaram a exposição, no último dia 29
Abertura. Representantes da Prefeitura, da Câmara e da Escola 'Adelino Bordignon' prestigiaram a exposição, no último dia 29

A Escola Municipal ‘Adelino Bordignon’ recebeu, no último dia 29, a abertura da exposição ‘História não contada’, idealizada pelo pesquisador, historiador, ativista da Comunidade Negra de Matão e gerente municipal de Projetos e Ações Afirmativas, João Bento (Cucão). A mostra reúne 24 banners instalados no Espaço Cultural da escola e outros dois banners de destaque, posicionados na entrada da unidade escolar, homenageando a escritora Carolina Maria de Jesus e o advogado, jornalista e abolicionista Luiz Gama.

A exposição apresenta episódios históricos, personagens e contribuições da população negra que, segundo o pesquisador, ainda recebem pouca visibilidade nos materiais didáticos tradicionais. Entre os temas abordados estão o Quilombo dos Palmares, o Pelourinho, a máscara de flandres, os irmãos Rebouças, Carolina Maria de Jesus, Imotepe – considerado o pai da Medicina –, além de fatos históricos relacionados à escravidão, resistência negra, ciência, engenharia, literatura e movimentos abolicionistas.

Segundo Cucão, o principal objetivo da exposição é provocar reflexão e ampliar o conhecimento sobre aspectos da história negra pouco debatidos nas escolas brasileiras. “O objetivo da ‘História não contada’ é dizer que, geralmente, essas questões não são abordadas dentro do sistema educacional no Brasil. E, quando há alguma abordagem, ela é muito tímida. Precisamos contar muitas coisas que ainda não são contadas”, afirmou.

O pesquisador explica que boa parte do conteúdo apresentado é resultado de anos de pesquisas e visitas a diferentes locais do país em busca de informações históricas e relatos pouco conhecidos. “Os banners apresentados são pouco conhecidos mesmo, porque isso exige pesquisa. Se você não pesquisar, não encontra essas informações. E também não dá para resumir tudo em um único livro. Existem vários livros, e eu, como viajo para diversos lugares do Brasil, consigo ver esse factual”, destacou.

Entre os temas da exposição estão a Casa dos Escravos na Ilha de Gorée, no Senegal; a trajetória da poetisa Carolina Maria de Jesus; a rainha do ouro Jacinta de Siqueira; o Quilombo do Ambrósio; o Clube do Cupim; o Oratório da Forca; e o reconhecimento histórico dos africanos Hamilton Naki e Christiaan Barnard.

A mostra também destaca personagens negros ligados à ciência, à tecnologia e à engenharia, como os irmãos André e Antônio Rebouças, referências da engenharia brasileira no período imperial. “Temos muitos personagens ligados à ciência, à tecnologia e à engenharia. Esses negros estavam ligados ao desenvolvimento científico. Essa é uma história que muitas vezes não aparece nos livros tradicionais”, comentou Cucão.

Outro ponto abordado pela exposição são os episódios mais violentos do período escravocrata, como o uso da máscara de flandres e os castigos públicos nos pelourinhos. Para o pesquisador, preservar essas memórias é fundamental para compreender a luta da população negra ao longo da história. “Os escravocratas desenvolveram instrumentos para amedrontar os negros, introduzindo o horror para provocar medo. Mas isso não conteve a luta. Alguns pagaram com a vida, mas o caminhar era sempre para frente; retroceder, jamais”, ressaltou.

Um dos banners que mais chama a atenção do público, segundo o pesquisador, é o do Clube do Cupim, movimento abolicionista criado no Ceará, no século XIX. “O significado do cupim é que, quando você o descobre, o estrago já está feito. O Clube do Cupim teve participação importante na luta contra a escravidão, inclusive com forte atuação das chamadas Aves Libertas, mulheres pouco reconhecidas na época”, salientou.

CURIOSIDADE

Além de apresentar fatos históricos, a exposição também busca despertar a curiosidade e incentivar a reflexão entre crianças e adolescentes da rede municipal de ensino. A iniciativa faz parte das ações relacionadas ao cumprimento da Lei Federal 10.639/2003, que determina o ensino da história e cultura afro-brasileira nas escolas. “A Escola ‘Adelino Bordignon’ está como projeto-piloto, levando uma parte dessa história através dos banners. O aluno gosta da novidade, gosta do diferente. Quando você traz uma novidade, aguça a curiosidade e o conhecimento”, afirmou Cucão.

O pesquisador também destacou a importância do apoio do poder público para a realização da exposição. “Agradeço ao prefeito Cido Ferrari e à secretária de Educação, Adreana Santana, porque sem a colaboração deles não haveria como fazer esse trabalho. A gente pode ter vontade, mas precisa de parceria. Agradeço também a todas as autoridades que estiveram na abertura da exposição”, declarou.

Ao reunir histórias pouco conhecidas, personagens marcantes e reflexões sobre resistência, cultura e identidade, a exposição ‘História não contada’ transforma o ambiente escolar em um espaço de aprendizado e valorização da memória negra. Mais do que revisitar o passado, a mostra convida alunos, professores e toda a comunidade escolar a refletirem sobre a importância do conhecimento histórico na construção de uma sociedade mais consciente e plural.

Galeria de fotos1 foto

Exposição propõe reflexão sobre a contribuição dos negros ao país — foto 1 de 1
Publicidade
Publicidade

Comentários

Ninguém comentou ainda. O primeiro comentário pode ser o seu.

Leia também

Publicidade