Eduardo Waack lançará o livro Alma Brasileira
Publicação conta com apoio do Ministério da Cultura
Fonte: Rogério Bordignon, postado por Natali Galvão
· Leitura de 5 min
Foto: Rogério Bordignon

O escritor e poeta Eduardo Waack fará o lançamento oficial do seu mais recente livro de poesias, ‘Alma Brasileira’, no próximo dia 21 de maio, às 9h30, na Biblioteca Municipal ‘Maria de Lourdes Lian’. A obra conta com o apoio do Ministério da Cultura. “Convido os amigos e toda a população a comparecer, ler um poema, expressar-se. Será tudo muito simples, mas engrandecido pela presença e participação popular. A energia coletiva fará o roteiro...”, comenta o autor.
No dia 28 de maio, às 9h30, o livro será apresentado na Escola Técnica ‘Sylvio de Mattos Carvalho’ (Etec-Matão). “Haverá uma roda de conversas e também a leitura de poemas por alunos”, cita Eduardo. E no dia 10 de junho, às 14 horas, completando o lançamento e integrando o Projeto ‘Seara das Palavras’, o livro será apresentado na Associação dos Deficientes Visuais de Matão (Adevima). “Naquele ambiente mágico, repleto de superação, entusiasmo e resiliência, dialogaremos, leremos poemas e confraternizaremos”, diz o poeta. O Jornal A Comarca entrevistou Antonio Eduardo Waack de Almeida (Pato Branco), que também é editor do Jornal O Boêmio.
O que este livro te traz?
De certo modo, reencontro as minhas origens literárias. Os poemas atualizam minha obra, retornando e aprofundando temas recorrentes em minha produção. Justiça social, observação atenta do cotidiano, comparação. Fluir como um rio em direção ao mar e que, apesar dos obstáculos, avança. A vida é um constante comparar, pesar, medir. Insistir! Este é um livro que eu não gostaria de ter escrito, com essa temática...
Por que?
Porque é um livro doído, um mergulho, ou melhor, é um emergir das entranhas de nós mesmos. Poemas que registram acontecimentos, visões, fatos. Aquilo que aconteceu comigo e também com a sociedade ao nosso redor, com pessoas que encontro. Momentos marcantes, reflexões, desabafos. Estamos todos um pouco perdidos, com este excesso de informações... É preciso reaprender o valor da simplicidade. Simplicidade é honestidade. Precisamos desacelerar, desobstruir, desacumular... Libertar os seres e a natureza do jugo da nossa opressão.
É uma temática triste?
Apesar de sua tristeza e desencanto, os poemas falam de esperança. Buscam a harmonia e emanam fraternidade para todo o planeta. Trazem dentro de si a chama libertária da irreverência, da humildade, da confiança num amanhã melhor. Será possível? É preciso acreditar que sim.
Há o apoio do Ministério da Cultura.
Sim. ‘Alma Brasileira’ é um marco em minha bibliografia porque conta com a chancela do Ministério da Cultura, pois este projeto é realizado com suporte do Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac) através da Lei Federal de Incentivo à Cultura/Lei Rouanet. Com fotografias de Simone Detoni e prefácio de Marlene Xavier, da Associação Sociocultural Igor Vive, o livro é um estímulo à leitura e um facilitador, contribuindo para que mais pessoas, notadamente aquelas menos favorecidas pela sorte, tenham acesso ao vasto universo das artes e da poesia brasileira contemporânea.
Haverá doação de exemplares?
Serão doados livros às escolas públicas de Ensino Fundamental 2 e Ensino Médio de Matão, incluindo a Etec-Matão e o IFSP-Matão, bem como à Biblioteca Municipal. Contemplamos também a questão da inclusão e da acessibilidade, imprimindo exemplares em Sistema Braile que serão doados à Adevima e à Biblioteca. Será disponibilizada uma versão digitalizada do livro (e-book) em plataformas distribuidoras, bibliotecas digitais e aplicativos de leitura, possibilitando que leitores de todo o país tenham acesso gratuito ao conteúdo da obra.
Comente sobre a capa.
Havia pensado em fazer a capa como uma referência e uma homenagem ao disco London Calling (1979), do The Clash, que por si já era uma homenagem ao primeiro LP de Elvis Presley (1956). A imagem da capa é um detalhe da fotografia completa, que está no interior do livro. De autoria da paranaense radicada em São Paulo, Simone Detoni. Ela registra um momento controvertido da história contemporânea brasileira, pois foi realizada no dia da decretação do lockdown em São Paulo, 21 de março de 2021, referente à pandemia de covid-19. Foi um dia de intensa movimentação, as pessoas sendo retiradas... Ela foi feita a partir da Catedral da Sé, com duas pessoas observando. Um homem e uma mulher que representam a própria nação brasileira, observando os acontecimentos... Esta foto possui várias camadas de interpretações. Vemos ao centro da página, o Marco Zero de São Paulo, local de grande simbologia e significado.
Agradecimentos?
Agradeço aqueles que caminham conosco. Aqueles que estão ao nosso lado há décadas. Aqueles que conheceram ou se aproximaram de minha poesia agora. Aqueles que chegarão... Minha poesia é simples, fala a linguagem dos homens, sem rebuscamentos. É popular! Agradeço a todos aqueles que confiaram e acreditaram em nossas palavras, em nossa proposta cultural e, lado a lado, viabilizaram esta iniciativa.
Alma
Maravilhoso esplendor da criação
Esplendoroso pendão da natureza
Terra amada de tantos sendeiros e destinos
Minha alma aspira percorrer-te com ternura
Na correnteza sentir areia fina sob água fria
Riacho tímido que atravessa o país
E caudaloso beija o Atlântico.
Riqueza de detalhes na paisagem campestre
Na estradinha rural a pressa não combina com a perfeição.
A sabedoria dos anciãos de cabeça reluzente
Fixa o tempo na redoma da memória.
Pátria & liberdade
Multiplicado êxtase original
Pântano pampa planalto cerrado agreste
A floresta é a sua identidade e o interior é profundo
A baiana pernambucana nasceu em São Paulo
O sol reflete as suas joias na pupila do menino
Guapuruvu copaíba agoniada araucária jerivá
Onde nasceram meus netos e estão enterrados os meus amores
Tietê Paraná Beberibe Jaguareguava Piracicaba
Guará Guaraqueçaba guaraná guarani inhame & cará
Onde me formei e gota a gota meu sangue irrigou a terra
Maracatu milonga catira samba canção
Houve um tempo e um espaço
E uma ciranda numa noite pueril. E um sono sem sonhos
Na manhã seguinte trôpega lembrança imaginação saudade
Na esplanada dos meus ministérios
Tu és o mais caro afeto que não se encerra.
Eduardo Waack
Matão, 14 de janeiro de 2026
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