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Negócios

ARTIGO - O retorno do gigante do Pacífico

POR ANTONIO ZUCOLO

Fonte: Antonio Zucolo, engenheiro agrônomo, postado por Natali Galvão

Foto: Acervo A Comarca

Antonio Zucolo. "Em um país onde o clima influencia diretamente a produção e a produtividade, preços e exportação, o Pacífico volta mais uma vez ao centro das atenções do campo brasileiro"
Antonio Zucolo. "Em um país onde o clima influencia diretamente a produção e a produtividade, preços e exportação, o Pacífico volta mais uma vez ao centro das atenções do campo brasileiro"

As projeções mais recentes da NOAA (agência climática dos EUA) apontam mais de 80% de possibilidade, entre julho de 2026 e o verão de 2027, da formação de um Super El Niño. Isto devido a um aquecimento acima da média das águas do Oceano Pacífico, alterando o regime de chuvas e temperaturas em diversas regiões do planeta, incluindo importantes áreas produtoras do Brasil.

No Brasil, os efeitos costumam variar: a região Sul registra mais chuvas, enquanto a Centro-Oeste e a Sudeste enfrentam calor intenso e irregularidades climáticas das mais variadas formas.

Para o agronegócio, o fenômeno representa tanto oportunidades como desafios. Na cultura da cana-de-açúcar, por exemplo, as temperaturas mais elevadas podem favorecer o desenvolvimento vegetativo, mas o excesso de chuvas pode atrapalhar muito a colheita, comprometendo sua qualidade, ATR (Açúcar Total Recuperável) e a logística operacional. Culturas como soja, milho e café também acompanham com atenção o comportamento climático dos próximos meses.

Se essas previsões se confirmarem, o agro brasileiro será afetado e trará incertezas na quantidade e qualidade dessas culturas, podendo prejudicar volumes exportados, com prejuízos à nossa balança comercial. A resultante de todas essas forças aplicadas em toda a cadeia produtiva do agro mundial seria alterações nos custos de produção e dos preços a nós, consumidores.

Uma outra linha de especialistas ressalta que ainda seria cedo para a intensidade definitiva desse fenômeno, mas o cenário atual já coloca o El Niño como um dos principais fatores de atenção para a safra 26/27, podendo afetar até a 27/28.

Em um país onde o clima influencia diretamente a produção e a produtividade, preços e exportação, o Pacífico volta mais uma vez ao centro das atenções do campo brasileiro. Mas é inegável que a safra brasileira 26/27 começará cercada de expectativas e desafios; ela que é a protagonista do agro brasileiro.

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