Parlamento Jovem foi tema da tese de mestrado de Margareth da Silva
Dissertação foi aprovada na Avaliação Final da Mesa, na Uniara
Fonte: Rogério Bordignon, postado por Natali Galvão
· Leitura de 6 min
Foto: Acervo A Comarca

No último dia 6, Margareth Ribeiro da Silva (Margô) teve sua dissertação de mestrado aprovada na Avaliação Final da Mesa formada pelos professores doutores Geovânia da Silva Toscano, do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal da Paraíba (UFPB, Cidade Universitária, João Pessoa), e Joelson Gonçalves de Carvalho, do Programa de Pós Graduação (PPG) de Desenvolvimento Territorial e Meio Ambiente da Universidade de Araraquara (Uniara).
Margô desenvolveu o trabalho ‘Parlamento Jovem e Letramento Político: as experiências de Araraquara e Matão’ sob orientação das professoras doutoras do PPG da Uniara, Alessandra Santos Nascimento e Maria Lúcia Ribeiro. A agora mestra Margô iniciou o desenvolvimento do seu trabalho em março de 2024.
Geovânia Toscano cita que “falar de juventude e participação política é extremamente relevante na perspectiva do entendimento do jovem como sujeito de direitos, num momento em que vemos os ataques aos direitos sociais dos jovens e de outras categorias. O tema do trabalho é importante e atual num momento em que a democracia também está sob ameaça no Brasil e no mundo. Trazer as percepções, ouvindo jovens, implementadores e vereadores, foi de uma riqueza imensa para o trabalho”.
De acordo com as orientadoras Alessandra Nascimento e Maria Lúcia Ribeiro, a pesquisa de Margareth enriquece o PPG ao integrar a educação política aos seus eixos temáticos. “Tal estudo reforça esse campo como um pilar da democracia contra crises, polarizações e desinformação. A investigação detalha as contribuições, fragilidades e desafios desses programas na formação de uma cidadania ativa e crítica, essencial para que jovens exerçam plenamente seus direitos e deveres”, diz Alessandra.
“A dissertação também oferece a gestores públicos e privados subsídios valiosos para o diagnóstico, monitoramento e avaliação de políticas públicas diante dos dilemas da sociedade. O estudo demonstra que o desenvolvimento é indissociável da participação política. Todavia, para que essa atuação alcance rigor técnico e consistência científica, a formação acadêmica e cidadã torna-se o alicerce indispensável para qualificar o debate e a tomada de decisão”, cita Maria Lúcia. Segue entrevista com a mestra Margô.
O que te levou a desenvolver o tema?
Ter participado do Programa Cidadania me despertou interesse pela pauta de Políticas Públicas para as juventudes. Fortalecer a democracia sempre fez parte do meu propósito como cidadã. Através do Parlamento Jovem, entendo ser possível contribuir com esse propósito junto aos jovens e adolescentes.
Quando e onde o Parlamento Jovem foi implantado?
Na Câmara Municipal de Araraquara, o Programa Parlamento Jovem (PPJ) teve sua primeira tentativa de implantação em 2001, mas sem êxito. Não havia ambiente político favorável por parte dos vereadores. A proposta ressurgiu em 2014, após a criação da Escola do Legislativo em 2013, sendo aprovado por unanimidade através da Resolução nº 416/2014. A Escola do Legislativo buscou aproximação com a Universidade Estadual Paulista ‘Júlio de Mesquita Filho’ (Unesp) ao firmar parceria com seu Laboratório de Política e Governo (LabPol), que esteve presente no letramento político do PJ até 2019. O Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) também esteve presente no letramento político através de parceria com a Escola do Legislativo. Atualmente, o letramento político é desenvolvido através da Escola do Legislativo. Na Câmara Municipal de Matão, com a denominação de Câmara Mirim, a iniciativa foi realizada em 2003 e 2004; porém, a criação oficial do Parlamento Jovem ocorreu em 2021 com aprovação, por unanimidade, da Resolução nº 2/2021. O letramento político contou com a parceria do Instituto Terroá nos dois primeiros anos (2021 e 2022) e, a partir de 2023, passou a ser desenvolvido pela Escola do Legislativo em parceria com voluntários.
Qual a situação atual referente ao programa em Matão e Araraquara?
Nos dois municípios, o PPJ permanece em 2026. Embora tenham formatos diferentes, em ambos o objetivo é estimular o jovem a refletir e exercer uma cidadania ativa. Isso é demonstrado na sessão de encerramento do programa, quando os jovens apresentam suas proposituras e como pode se dar o enfrentamento das demandas identificadas.
A dissertação te trouxe novos pontos de vista sobre o Parlamento Jovem?
A pesquisa junto aos três segmentos de sujeitos – jovens do PJ, vereadores e implementadores (professores) – me possibilitou aprofundar muito sobre a importância do letramento político para os jovens na perspectiva do fortalecimento da democracia e no diagnóstico dos municípios em relação às demandas dos jovens.
O que significa para você o PPJ?
O Parlamento Jovem é o exercício da cidadania na prática. É uma oportunidade real de transformação social através da luta dos jovens por políticas públicas para as juventudes na garantia de espaços de participação, quer seja nos coletivos, na vida pública ou nas entidades representativas.
O que representa o programa para os jovens e para a sociedade?
O PJ é muito importante para a representatividade e participação política dos jovens. Os temas abordados no projeto possibilitam o entendimento de que a política está presente no cotidiano, nas decisões que impactam suas vidas e que é no coletivo que as soluções para os problemas precisam acontecer. Na perspectiva da sociedade, o PJ é um instrumento de defesa da democracia e de formação de lideranças jovens na política.
Agradecimentos?
Agradecimentos especiais que constam de forma completa na minha dissertação: ao Criador por me conceder a oportunidade de realizar esse sonho, que precisou ficar adormecido por quase 40 anos, e por ter colocado todas as pessoas necessárias no meu caminho; à minha família pelo incentivo, acolhimento e torcida constantes, em especial à minha filha Natália – que me inspira com seus passos de dança e seus cálculos de engenheira – e ao meu ‘namorido’ Ademir Messias; ao querido professor e amigo Carlos Goldenberg, da USP-São Carlos; à minha orientadora, professora Alessandra Santos Nascimento, por todo o conhecimento compartilhado; à minha coorientadora, professora Maria Lúcia Ribeiro, minha querida Bilu, pelo acolhimento, pelas palavras sábias nos momentos difíceis; aos professores Geovânia Toscano e Joelson Carvalho, que aceitaram estar na Banca de Qualificação e Defesa e pelas valiosas contribuições ao trabalho; aos anjos que encontrei durante o mestrado, em especial Carlos Godoy, Juliana Bianco, Larissa Dias, Rô Francischini, Natália Vieira, Graziela Alvarenga e Henrique da Silva; ao Jornal A Comarca, por garantir visibilidade ao Parlamento Jovem através das matérias publicadas de 2021 a 2025; aos servidores da Escola do Legislativo de Araraquara e de Matão e ao Instituto Terroá por todo apoio na pesquisa documental; aos integrantes do Parlamento Jovem de Araraquara e de Matão, por terem me ensinado que o protagonismo é possível quando existem oportunidades reais de participação e que lutar pelo fortalecimento da democracia é uma tarefa coletiva; à Uniara e à Capes pela oportunidade de realizar o mestrado com o suporte financeiro e por continuarem na luta pela defesa da ciência.
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