Matão perde Dona Cida
Maria Aparecida Mingorance Antoniosi, educadora aposentada, faleceu no último dia 21
Fonte: Rogério Bordignon, postado por Natali Galvão
· Leitura de 6 min
Foto: Rogério Bordignon

Maria Aparecida Mingorance Antoniosi faleceu às 20h55 do último dia 21 de fevereiro – ‘Dia do Imigrante Italiano’. Um AVC Isquêmico foi a causa de sua internação no Hospital ‘Carlos Fernando Malzoni’, onde na UTI, aos 84 anos de idade, ‘Dona Cida’ se despediu de uma notável e exemplar jornada profissional, pessoal e voluntária.
O AVC ocorreu na noite do último dia 17, quando ela estava na sala de sua residência, acompanhada por familiares. ‘Dona Cida’ estava feliz, por ter voltado a caminhar sem ajuda de andador, após se recuperar da cirurgia de colocação de prótese na cabeça do fêmur da perna esquerda. O sepultamento aconteceu no Cemitério Municipal, no último dia 22, em meio às palmas em sua homenagem.
FORMAÇÃO
‘Dona Cida’ é filha de Manoel Mingorance e Maria Dolores Montia Mingorance, que também tiveram os filhos Evaristo, Manoel Júnior, Antonio, Maria Angela, Ana Maria, Isabel Cristina, Maria de Lourdes (Tuta) e José Eduardo, dos quais estão vivos Maria Angela e José Eduardo. Nasceu em Matão no dia 15 de setembro de 1941 e casou-se com Nelson Roberto Antoniosi no dia 3 de julho de 1966.
Quando jovem, dividiu estudos com a colheita de algodão e com o trabalho como cabelereira. Foi aluna da EE ‘José Inocêncio da Costa’ (Grupão) e da antiga ‘Escola Normal e Ginásio Estadual de Matão’ (Enge, atual EE ‘Professor Henrique Morato’); do Curso de Magistério e Aperfeiçoamento (1961 a 1962, na antiga Enge).
Iniciou sua missão de professora em 1962, conquistando em 1966 a abertura de uma Sala de Educação Especial, trabalho que culminaria na criação da Apae-Matão, sendo que as atividades começaram no Grupão e, em 1970, passaram para um prédio cedido pelo padre Nelson Antonio Romão, na esquina da Rua Cesário Motta com a Avenida Siqueira Campos.
Em 1965, ela se habilitou ao Magistério Especializado do Estado de São Paulo (curso de Aperfeiçoamento ao Ensino de Crianças Mentalmente Retardadas oferecido pela Secretaria de Estado da Educação - Serviço de Saúde Escolar). Em 1975, a convite do então prefeito Celso de Barros Perche, contribuiu para a criação das seis primeiras Emeis de Matão. Em 1979, finalizou Licenciatura em Pedagogia nas habilitações de Orientação Educacional e Administração Escolar.
Também concluiu os cursos de Orientações e Recursos Didáticos para Desenvolvimento de Currículos e Programas/Capacitação de Recursos Humanos para o Ensino de 1º Grau-Educação Especial (1984); e de Capacitação de Professores de Educação Especial ‘A educação da criança portadora de comprometimento mental’ (1999).
Aposentou-se pelo Governo Paulista no dia 1º de março de 1988, exercendo, dois dias depois, a função ‘Especial Livre’ como professora de Educação Básica (PEB 2). No dia 12 de dezembro de 1988, obteve declaração da EE ‘José Inocêncio da Costa’ com a finalidade de inscrição para regência de classe na rede de ensino municipal. No dia 12 de fevereiro de 2001, foi convocada pela Prefeitura de Matão para ser professora de Educação Especial, após ser aprovada em Concurso Público para a Apae.
De 3 de março de 1988 a 10 de fevereiro de 2003, atuou na EE ‘Padre Nelson Antonio Romão’ como PEB 2 para excepcionais/deficientes mentais educáveis (Classe Especial Educáveis). De 2003 a 2016, foi voluntária no Grupão, sendo que a biblioteca desta escola recebe o seu nome desde 11 de março de 1999. Sim, ‘Dona Cida’ está no ‘Coração do Grupão’. Eternamente! Em 2001, ela obteve ‘Mérito Rotário-Serviço Profissional’.
VOLUNTÁRIA E CIDADÃ
Numa matéria que A Comarca publicou com depoimentos sobre o que matonenses esperavam para o ano de 1997, ‘Dona Cida’ mostrou o seu conteúdo de cidadã em perspectiva com o futuro do município. Ela pediu atenção no desenvolvimento dos programas comunitários, à educação especial, às entidades, associações, às ideias para o amanhã, bem como às sementes já plantadas e para as que viriam, solicitando a criação de cursos superiores e a ampliação do parque industrial visando absorver os filhos de matonenses que iam estudar fora daqui, sem a certeza de voltarem à terra natal.
Esta visão das necessidades de Matão se originou numa educadora com ampla visão geral de diversos temas, muito determinada e dedicada ao próximo, sobretudo a quem mais dificuldades tinha para superar. A entrega de ‘Dona Cida’ a tantos e múltiplos seres humanos transpôs as cercanias da residência familiar e escolares. Ela realmente se preocupava com os outros, sentia os problemas deles e queria resolvê-los de alguma forma. Certamente, suas palavras foram bem ouvidas e ações dela contribuíram com incontável quantidade de pessoas.
Voluntária por muitas situações, articulista de A Comarca, poetisa que expressou vivências, devoções e ensejos, ‘Dona Cida’ sempre amou seus filhos. Ela e Nelson, antes de se casarem, combinaram quatro coisas: nunca dormirem brigados; nunca discutirem na frente dos filhos; que comprariam um terreno para cada filho e que dariam todas as condições para que todos os filhos galgassem um diploma de nível superior.
A professora e o barbeiro pouco saíram de Matão. Humildes, desapegados, sem qualquer vaidade e sempre juntos – um ‘grudado’ ao outro –, fizeram de tudo e mais um pouco por Nelson Roberto Antoniosi Filho (casado com Lourdes, pais de Letícia e Isabela), Luiz Paulo (casado com Simone, pais de Maria Clara e Luiz Paulo Antoniosi Filho), Luciana (esposa, Rosineide) e Adriana (e seus filhos, Enzo e Thomas). Os quatro filhos se formaram em cursos superiores.
Luciana é doutora em Desenvolvimento Territorial e Meio Ambiente, mestre em Marketing, proprietária de agência publicitária e professora da Uniara. Adriana, enfermeira responsável técnica pela UBS do Jardim Paraíso e professora da Etec-Matão. Luiz Paulo, engenheiro eletricista. Nelson Roberto, doutor em Química, professor da Universidade Federal de Goiás (UFG) e responsável pela conquista da instalação do IFSP em Matão. Tudo o que os quatro fizeram, ou fazem para outras pessoas, tem sua origem no que os pais fizeram por eles.
O coração de ‘Dona Cida’ bateu tantas vezes por sua família e também por sabe-se lá quantas pessoas, às quais ela se dedicou de uma ou outra forma, sem distinção, pois seus braços sempre estiveram abertos a qualquer um. Exerceu sua jornada de mãe e esposa com carinho e amor imensuráveis por sua família, estendendo seu afeto educador e voluntário em generosas porções a quem ela sentiu ser necessário.
HONRA AO MÉRITO
No dia 16 de fevereiro de 2023, o então vereador Everaldo de Carvalho providenciou as outorgas de duas ‘Honras ao Mérito’, para ‘Dona Cida’ e para o filho Nelson Roberto, e uma ‘Moção de Louvor e Reconhecimento’ ao marido Nelson, reconhecendo valores de uma família exemplar, construída com a plena entrega de Cida e Nelson, que também sempre amaram muito os netos.
AGRADECIMENTOS
A Família Antoniosi agradece à equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu); ao Corpo Clínico e Corpo Administrativo do Hospital ‘Carlos Fernando Malzoni’, destacando Denise Paolinetti da Câmara Minelli (superintendente); os médicos César Minelli, Edson Bergamaschi, Flávio Antonio Borsetti Neto, Liliana Tiemi Ujikawa, Isaías Longhitano Júnior, Aulus Goltz de Carvalho Machado, Otávio Assis Marcelino da Silva e José Silvio Rizzo; Janaína Schimicoski (enfermeira-chefe) e equipe de enfermagem da UTI; Elaine Souza (enfermeira); Ana Cláudia Rodrigues de Souza (gerente educacional do Centro de Ensino e Pessoas), amigos e familiares.
A Missa de Sétimo Dia será realizada neste sábado (28), às 19 horas, na Igreja Matriz Senhor Bom Jesus de Matão.
Comentários
Ninguém comentou ainda. O primeiro comentário pode ser o seu.









