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Cultura e Variedades

Lygia Nicolucci partiu

Educadora e ex-diretora municipal de Cultura faleceu aos 77 anos

Fonte: Rogério Bordignon, postado por Natali Galvão

Foto: Acervo A Comarca

'Em casa'. Lygia teve papel fundamental no desenvolvimento da cultura em Matão
'Em casa'. Lygia teve papel fundamental no desenvolvimento da cultura em Matão

Lygia Christina de Oliveira Simão Nicolucci faleceu por volta das 19h30 do último dia 23, na ocasião da sua quarta internação no Hospital ‘Carlos Fernando Malzoni’ decorrente de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) que a acometeu em setembro de 2020. O sepultamento ocorreu no sábado (24), no Cemitério Municipal.

Filha de Isaías Simão e Nair Oliveira Simão, irmã de Geraldino, Estevan e Cecília (todos já falecidos), Lygia foi casada com Sylvio Nicolucci (Cebolinha), com quem teve três filhos: a saudosa Renata, Fernando José (casado com Vivian Marina Pontin, pais de Luísa e Vinicius) e Lívia (casada com Guilherme Lamas, pais de Caetano).

Lygia nasceu no dia 22 de junho de 1948, em Bragança Paulista, mas passou a infância em Vagem, município próximo a sua terra natal. Chegou a Matão no início de 1956, trazendo o convívio que ela e outras pessoas tiveram com o padre Eugênio, um missionário italiano responsável por um pequeno Cine Teatro em Vargem, bem como o seu gosto por recitar poesias.

Retomou o teatro na então Escola Normal Ginásio Estadual ‘Professor Henrique Morato’, ao cursar o Magistério em 1965, onde – como parte do aprendizado de didática e prática de ensino – aprendeu a fazer e manipular bonecos de fantoche, com orientação da saudosa professora Maria de Lourdes Cintra Silva Marcondes Ciarlo.

Em 1977, já professora da Escola Estadual ‘Professor Henrique Morato’, foi procurada pelo aluno Aparecido Antonio Pinotti (o ator Giácomo Pinotti, ‘Pacheco’) para ajudá-lo a escrever e a representar um texto teatral. Em 1985, Lygia e alunos do então curso colegial formaram um grupo teatral na escola, denominando-o ‘Cinamomo’, encenando duas peças: ‘Um Feiticeiro em Apuros’ e ‘O Planeta dos Palhaços’. Com um texto de Maria Clara Machado, em 1986, elaborou uma montagem com um grupo de alunos do Magistério para a peça ‘A Bruxinha que era boa’.

Em 1990, participou de um curso de Teatro Pedagógico oferecido pela Oficina Cultural ‘Sérgio Buarque de Hollanda’, de Ribeirão Preto. O curso foi ministrado em Matão, ocasião em que Lygia teve contato com integrantes do Grupo ‘Pegando N’Arte’. Brotou ali uma história teatral pulsante, crescente, diversa e premiada, que ramificou, floresceu e deu frutos. Um deles foi a Cia Labirinto de Teatro, cuja gênese é oriunda de artistas que construíram a história do ‘Pegando N’Arte’, núcleo teatral com o qual Lygia (como coordenadora, diretora e dramaturga) participou de 20 peças.

Pedagoga formada pela Unesp de Araraquara, Lygia viveu a expectativa de que algum mecenas presenteasse Matão com um teatro. Ela queria ser esta pessoa, mas não tinha recursos para isso. Matão ganhou seu Cine Teatro através do casal Valéria e Antonio Carlos Tadiotti, em agosto de 2003.

Um contato de Lygia com a artista plástica Madalena Olivastro originou doações de objetos para a Casa da Cultura ‘Prefeito Armando Bambozzi’, bem como a verba para a elaboração de um projeto arquitetônico para a construção do Centro de Educação Complementar (CEC ‘Adauto Scardoelli’), que deverá ter também seu teatro.

Lygia foi diretora municipal de Cultura nos períodos de 1998 a 2000 e de 2005 a 2016, em mandatos dos ex-prefeitos Adauto Scardoelli e Chico Dumont. Entre tantas atividades, parcerias e conquistas, destaque para a restauração da Casa da Cultura; criação da ONG Ocara; atuação do Fronteiras Brasil em Matão e da Casa Pipa (Plataforma Internacional de Produção Artística) – sendo que a Casa Pipa recebeu o nome de ‘Lygia Nicolucci’ recentemente.

Carinhosa e firme na educação dos filhos, sempre teve o apoio da família em suas andanças culturais. E foram tantas, por tantos caminhos... Se colocou à disposição da arte e fez com que pessoas praticassem sua criatividade. Ajudou uma quantidade vasta de pessoas em variados segmentos artísticos, sempre com leveza de espírito, sorriso na face, muitas lutas e labutas.

Lygia fez muito pela cultura em Matão. Foi uma expoente exemplar, fomentadora e impulsionadora de uma miríade de gente para a exposição prática dos seus valorosos e diversos dotes artísticos. A partir de Lygia e pessoas a ela conectadas, a arte gerou aprendizado, crescimento, brilho nos olhos, lágrimas, sorrisos, palmas e tantas outras emoções.

A cultura sempre encontrou Lygia de braços abertos, sempre pronta e animada para algo além do muito que ela já havia feito, sobretudo pelo teatro; uma militante que fez o capital cultural atingir um sem número de pessoas em todos os cantos, pela dissipação de linguagens multifacetadas partilhadas em incontáveis atividades.

“Nossos agradecimentos a todas as pessoas que, de alguma forma, conviveram com nossa mãe na educação, nas artes, na cidadania e em tantas outras vertentes”, cita Fernando. “Nosso obrigado também a todas as pessoas que cuidaram dela, aos amigos e familiares que estiveram conosco em momentos alegres e tristes. Que fique na memória somente a alegria que ela partilhou”, completa Livia.

Muito obrigado, Lygia! Matão te agradece. Bravo!

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