ARTIGO - O HIV não escolhe idade
POR MARIA LUIZA PAIOLO LEIVA
Fonte: Maria Luiza Cicogna Paiolo Leiva, gerontóloga, postado por Natali Galvão
Foto: Divulgação

O dia 1 de dezembro foi instituído pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como Dia Mundial do Combate ao HIV, com o intuito de conscientizar a população, eliminar o preconceito e estimular a prevenção. Quando pensamos sobre o HIV, rapidamente o relacionamos com os jovens, mas é preciso considerar que o vírus não escolhe idade e também pode acometer a população idosa.
Segundo o IBGE, em 2025, os idosos representam 16% da população total brasileira e o que chama atenção é a predominância da nova maneira de envelhecer: a terceira idade está em busca de uma vida ativa e saudável, com maior participação em eventos sociais, e, com isso, cresce a chance de envolvimentos românticos.
Apesar dos inúmeros benefícios, a relação sexual traz alguns riscos, como as infecções sexualmente transmissíveis, entre elas o HIV, sendo que, segundo dados da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), entre os anos de 2011 e 2021, os casos de idosos que o contraíram quadruplicaram.
Isso se deve a alguns fatores, dentre os quais se destaca o menor uso de preservativos, uma vez que nessa faixa etária não existe mais a preocupação com a gravidez. Além disso, há a questão do uso de medicamentos contra a disfunção erétil, que torna a vida sexual ativa por mais tempo.
Outro ponto que deve ser mencionado são as mudanças fisiológicas naturais que ocorrem durante o envelhecimento, como a falta de lubrificação das regiões íntimas e o déficit do sistema imunológico, circunstâncias que facilitam a entrada do vírus HIV no organismo.
Ainda merece registro que, devido ao tabu em nossa sociedade em relação à sexualidade na terceira idade, o diagnostico, em muitos casos, ocorre em fase tardia, aliado ao fato de que alguns médicos investigam outras doenças quando o idoso relata os sintomas, atrasando a testagem e o início do tratamento.
Portanto, as ações preventivas são de extrema importância, abordando não apenas os jovens, mas também os idosos, além de quebrar os estereótipos que permeiam em relação à velhice, como a diminuição ou ausência da sexualidade.
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