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Cultura e Variedades

Seis personalidades negras foram homenageadas

Cerimônia no Mural Monumento à Comunidade Negra reuniu autoridades, apoiadores, familiares e amigos dos homenageados no sábado (15)

Fonte: Natali Galvão - free lancer, postado por Natali Galvão

Foto: Natali Galvão

No Mural. Familiares e amigos dos homenageados com autoridades e apoiadores no último dia 15 de novembro
No Mural. Familiares e amigos dos homenageados com autoridades e apoiadores no último dia 15 de novembro

Na manhã do último dia 15 de novembro, seis pessoas receberam uma homenagem póstuma no Mural Monumento à Comunidade Negra de Matão, patrimônio histórico e cultural do município localizado na Praça “Waldemar Primo Pinotti”. O espaço, que simboliza o reconhecimento e a valorização da história e da contribuição da população negra matonense, foi restaurado e recebeu seis novos painéis fotográficos que se juntaram aos 16 que já existiam no local.

Neste ano, passaram a integrar o mural os painéis fotográficos de Durvalina Alves (Dorva), referência de dedicação comunitária; Sebastião de Andrade (Picomã), símbolo de simplicidade e respeito; José Ademir Galvão (Bibão), reconhecido pelo espírito de amizade e liderança; João dos Santos, cuja trajetória inspira compromisso coletivo; Mario Alves (Du Peixe), figura tradicional do comércio local; e Francisco de Assis dos Santos (Fantick), lenda do esporte matonense.

A iniciativa foi coordenada pelo criador do mural em 2017 e atual gerente de Projetos e Ações Afirmativas da Prefeitura de Matão, João Bento (Cucão), com o apoio de Beraldo Perfumaria, Rodonaves, Família Galli, Trigo Serralheria, Bernardi e Busnardi Advogados, Prefeitura e Câmara Municipal. “Agradeço a todos pelo apoio que possibilita a manutenção desse mural, onde anualmente em novembro inserimos novos painéis fotográficos”, explica Cucão.

PRONUNCIAMENTOS

Cucão destacou que a identidade e a expressão cultural são fundamentais para a liberdade de um povo e que o negro, antes objeto de estudo, hoje é sujeito de sua própria história. Reconheceu o apoio de líderes e ressaltou a importância de figuras negras históricas como Lima Barreto. Enfatizou que a luta antirracista sempre contou também com aliados brancos comprometidos. Citou o trabalho de inclusão conduzido por Margareth Ribeiro da Silva (Margô) e iniciativas do Grupo Fischer-Citrosuco previstas até 2030 para a população negra.

O músico matonense Valério Sambadão, convidado por Cucão, entoou a canção “Canto das Três Raças”, de Clara Nunes, a capela. Ele emocionou-se ao rever o amigo Edinho Pinotti e relembrar de sua mãe, Henedina Albericci Pinotti. “Ela sempre me acolhia carinhosamente. Tenho certeza de que ela ficaria muito feliz por nos ver aqui hoje unidos”.

Representando o secretário municipal de Desenvolvimento Social e Cidadania, Enio Langhi, Caren Comelli afirmou: “É uma honra participar desta homenagem. O mural reconhece a força, a história e a contribuição essencial da comunidade negra para a nossa cidade. A Secretaria reafirma o compromisso com a igualdade, o respeito e a inclusão.”

A consultora em Impacto e Transformação Social Margareth Ribeiro da Silva (Margô), voluntária do Projeto Pescar e referência em diversidade, equidade e inclusão, destacou a importância da democracia e da continuidade do trabalho por equidade: “Eu não posso mudar o mundo, mas eu balanço o mundo onde eu posso”, ressaltou após ser presenteada com uma orquídea.

O artista Elio Floriano relembrou a criação do Projeto Negritude, em 1986, e destacou o apoio recebido de Carlos Alberto Bambozzi (Alemão) - que abriu as portas da Indústria Bambozzi para a confecção de obras que se tornaram símbolos culturais -  e a parceria de José Ademir Galvão (Bibão) - presente em diversas ações culturais e religiosas dentro e fora da cidade.

O membro do Conselho Estadual de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra de São Paulo (CPDCN), Agnaldo Benedito de Oliveira, elogiou Matão pelo exemplo de ações afirmativas, relatou casos graves de racismo envolvendo crianças no Estado de São Paulo e destacou o trabalho de lideranças locais, como Paulo Bernardi, a quem entregou uma camélia, símbolo abolicionista.

O presidente da Câmara, Paulo Bernardi, destacou a importância da educação antirracista e a necessidade de rever conceitos históricos sobre a população negra, especialmente a reflexão sobre o pós-abolição. Ele repudiou com firmeza o racismo e o bullying, citando casos que demonstram a urgência do tema. Ressaltou que a escola é o caminho para formar novas gerações conscientes e comentou a relevância do mural em homenagem à comunidade negra.

O vice-prefeito Diego Mingorance destacou a importância do evento e lembrou que alguns dos homenageados eram amigos de seu pai. Ressaltou que o mural representa memória permanente e parabenizou os organizadores pela iniciativa. “É algo que podemos revisitar o ano todo, permitindo lembrar e reconhecer essas histórias. Esse, acredito, é o verdadeiro propósito desse mural.”

O prefeito Cido Ferrari ressaltou que vários homenageados foram seus colegas de trabalho na Bambozzi e destacou suas contribuições sociais, esportivas e comunitárias. Defendeu as ações de formação antirracista promovidas pela Prefeitura e afirmou que o Poder Público tem o dever de honrar o legado daqueles que tanto contribuíram para Matão.

Após os pronunciamentos, os presentes seguiram até o mural ao som de “Não Deixe o Samba Morrer”, executado no saxofone, e descerraram os painéis fotográficos que naquele momento passaram a integrar oficialmente o mural.

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