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Cultura e Variedades

Casa Pipa celebra memórias e artes

Atividades comemorativas são realizadas ao longo da semana

Fonte: Rogério Bordignon, postado por Natali Galvão

· Leitura de 5 min

Foto: Rubens Júnior

'Guardiões da Cultura'. Homenagens foram realizadas pela Casa Pipa na noite da segunda-feira (10)
'Guardiões da Cultura'. Homenagens foram realizadas pela Casa Pipa na noite da segunda-feira (10)

Da segunda-feira (10) ao sábado (15), a Casa Pipa (Plataforma Internacional de Produção Artística) realiza o evento ‘Era uma Casa – como os céus encontram Pipas’, em comemoração aos 100 anos do prédio da antiga Escola da Boa Vista e aos 15 anos da própria Casa Pipa, espaço que se consolidou como um dos principais polos de criação, formação e produção cultural do município e do interior paulista.

Denominada ‘Para sustentar o céu com Pipas’, a abertura das atividades ocorreu na noite da segunda-feira (10). Juliano Jacopini e Simone Marcondes (produtores culturais da Casa Pipa) receberam os visitantes contextualizando aspectos históricos do referido prédio e seu caminho percorrido como Escola Estadual ‘Dr. Leopoldino Meira de Andrade’, outras escolas, Cefam, até se tornar a Casa Pipa.

Os anfitriões – através de um texto contextualizado em expressões e vivências de povos originários – receberam os visitantes sob um céu de pipas, histórias e memórias, na condução de homenagens prestadas; a primeira delas para Lygia Christina de Oliveira Simão Nicolucci (educadora aposentada e ex-diretora municipal de Cultura), que passa a denominar a sede da Casa Pipa.

Uma das salas do prédio recebeu o nome do artista iraniano Khosro Adibi, trazido pela primeira vez para Matão por Lygia Nicolucci em 2009, quando ela era a diretora municipal de Cultura. Khosro foi o responsável pela conexão de Matão com o Festival Fronteiras Brasil. A saudosa artista Mabê Henrique também foi enaltecida, com a denominação do Teatro da Casa Pipa.

Outras honrarias foram prestadas a ‘Guardiões da Cultura’, com a entrega de ‘Amuletos’: Lygia Nicolucci (representada por Maria Celeste Tortorello Caligher); Alexandre Luiz Martins de Freitas (professor de Filosofia da Rede Pública, ex-secretário municipal de Educação e Cultura, representado por sua esposa Claudia); Maria de Lourdes Ortiz Gandini Baldan (Ude, ex-secretária municipal de Educação e Cultura, professora de Teoria Literária da Unesp de Araraquara e coordenadora do Urdiduras, grupo de leitura da Casa Pipa); Nimuendaju Oliveira (Juju, professora de Artes e ex-diretora municipal de Cultura); a saudosa Mabê Henrique (representada por sua sobrinha, Manuella Henrique, na continuidade do seu trabalho com cultura).

E também: Thaynara Karoline Faria (deputada estadual, com atuação pública marcada pela defesa dos direitos da juventude, das mulheres, da população negra e periférica com iniciativas comunitárias e culturais, incluindo emendas para a Casa Pipa); prefeito Cido Ferrari (responsável pelo período de ascensão de política pública cultural vivido de 2021 a 2024, incluindo o pioneirismo do Programa Teia realizado em parceria com a ONG Ocara-Casa Pipa); Fabiana Scardoelli (vereadora que alinha pautas à cultura e cidadania, carregando o legado de seu pai, o saudoso Adauto Scardoelli, prefeito responsável pelo repasse de concessão da Casa Pipa à ONG Ocara em 2010).

E os coletivos culturais: Coro e Osso (Grupo Vocal representado por Célio Gardini); Cia. Labirinto de Teatro (Artes Cênicas, representado por Gustavo, filho de Ellen Candido); Rap na Alta (jovens artistas, Diego Nogueira); Sarau do Bando (grupo poético, Diogo Gabriel Benedicto); Batucada na Geral (Mestre Basílio Amarante); Programa de Capoeira ‘Sou eu, caboclo’ (Mestre Gilvan Lima); Folia de Reis ‘Padre Marcos Pião’ e ‘Amigos da Viola’ (Nivaldo Gomes); Rogerio Bordignon (jornalista e fotógrafo, Jornal A Comarca); e Jornal A Comarca, representado pelo diretor-editor Paulo Sergio Gabriel Filho e sua esposa Andréia Slompo Gabriel.

“Os ‘Guardiões da Cultura’ são aqueles que mantêm o céu da memória sustentado. São vozes que não deixam as palavras dos antigos se perderem, que preservam os cantos, os gestos e os nomes que tecem o sentido de uma comunidade. Guardam a Casa, a cidade e suas expressões com gestos cotidianos de cuidado, resistência e amor. Na história da antiga Escola da Boa Vista e da Casa Pipa, cada um desses guardiões é parte do mesmo tecido – feito de corpo, palavra e presença – que atravessa o tempo e transforma o território em abrigo”, comenta Juliano.

“A Casa Pipa tem se fortalecido coletivamente! Tornou-se Ponto de Cultura reconhecido pelo Ministério da Cultura, além de ter como parceiros outros dois Pontos de Cultura de grande atuação no município, a Cia. Labirinto de Teatro e o Grupo Vocal Coro e Osso. A Casa se sustenta como símbolo de formação arte-educativa e convivência comunitária, tendo colecionado histórias que sempre são evocadas na lembrança de antigos alunos e professores que, ao contarem sobre suas experiências, contribuem para que a manutenção do patrimônio simbólico se perpetue na força da oralidade de suas narrativas; estas nos resgatam outros tempos, outros valores, que potencializam uma força imensurável, pois hoje essa Casa é habitada por uma espacialidade artística, por um movimento perene de acontecimentos em fluxo construído a tantas mãos – e vozes e ideias e horizontes – que transformaram o antigo colégio em um centro de cultura viva, acolhendo artistas, mestres populares, coletivos culturais e programas sociais voltados à valorização da arte, da natureza e da memória coletiva”, resume Juliano.

MAIS ATIVIDADES

A programação de atividades alusivas às comemorações prossegue nesta sexta-feira (14), às 20 horas, com o Encontro do Urdiduras e do Grupo Vocal Coro e Osso, com a leitura dramática de ‘Morte e Vida Severina’. No sábado (15), às 17 horas, acontece a Festa Barda, edição ‘Para manter o céu em pé, o céu com Pipas’, com a Banda Fruta Cor, Coletivo Tocaya, Miguel Gardini, DJ Thigor Gharda e DJ Val Luna, ao valor de R$ 20,00 e ingresso solidário mediante doação de um quilo de alimento. No domingo (16), a partir das 18 horas, juntou-se à Casa Pipa para extensão da programação e comemoração uma edição do Rap na Alta. Acompanhe tudo pelas redes sociais @casapipa_. Mais informações pelo telefone (16) 3506-2323.

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