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Tarifaço de Trump: exportações de Matão aos EUA registram queda de 63%

Ao todo, 742 municípios brasileiros sofreram redução nas exportações em setembro; Rio de Janeiro, Confins, Sete Lagoas e Ribeirão Pires estão entre os mais prejudicados

Fonte: Estadão, postado por Natali Galvão

Foto: Ilustrativa

Matão, impactado pela venda de fruta aos americanos, teve queda de 63% nas exportações
Matão, impactado pela venda de fruta aos americanos, teve queda de 63% nas exportações

Matão foi uma das cidades brasileiras impactadas pelo tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que entrou em vigor em agosto deste ano. Em setembro, segundo mês de vigência das tarifas, o município registrou queda de 63% nas exportações para o mercado americano, principalmente nas vendas de frutas, um dos principais produtos enviados pela cidade ao exterior.

De acordo com dados oficiais de comércio exterior, 742 municípios brasileiros sentiram redução nas exportações para os Estados Unidos em setembro, em comparação com o mesmo período de 2024. No total, as vendas brasileiras ao país somaram US$ 2,6 bilhões, uma queda de 20% em relação aos US$ 3,2 bilhões registrados no ano anterior.

Entre as cidades mais afetadas estão Rio de Janeiro (RJ), com perda de US$ 62,2 milhões, e municípios como Confins (MG), Sete Lagoas (MG) e Ribeirão Pires (SP), que praticamente interromperam suas vendas aos americanos. Os produtos mais atingidos pelo tarifaço foram carne bovina, ferro fundido, açúcar de cana, café, madeira e armas, todos submetidos à sobretaxa de 50%.

A gerente de Comércio e Integração Internacional da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Constanza Negri, explica que o impacto é desigual e afeta com mais intensidade regiões que dependem de setores específicos. “Existem setores e empresas em lugares diferentes do Brasil em que o tarifaço se tornou proibitivo para dar continuidade ao processo de exportação”, afirma.

Negri destaca que, embora alguns segmentos — como carne e café — consigam redirecionar parte das vendas para outros mercados, setores industriais com produtos altamente específicos, como máquinas e equipamentos, têm mais dificuldade de adaptação. “Esses bens são elaborados para o mercado americano e sofrem diretamente com as tarifas de 50%”, completa.

Enquanto cidades como Piracicaba ainda não sentiram os efeitos do tarifaço — com aumento nas exportações em setembro —, especialistas alertam que o impacto real deve ser percebido nos próximos meses, conforme os contratos atuais forem sendo encerrados.

Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas de Piracicaba e Região, Erick Gomes, as vendas de setembro refletem pedidos feitos antes da imposição das tarifas. “O grande problema é que algumas empresas investiram e não vão conseguir retorno. As grandes sentem, mas quem mais sofre é a cadeia de fornecedores”, explica.

O governo brasileiro tenta negociar a reversão do tarifaço, que, segundo a CNI, ameaça diretamente a indústria de transformação nacional. “Os Estados Unidos são o principal destino dos produtos com maior valor agregado. A cada US$ 1 bilhão exportado para lá, são gerados 24 mil empregos no Brasil. É indispensável reverter esse cenário”, conclui Constanza Negri.

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