Pular para o conteúdo
Matão-SP · quinta-feira, 8 de outubro de 202621°Sol20° / 31°Tempo agora em Matão: 21 graus, Sol. Ver a previsão da semana.Ano 102Fundado em 1925Edição 5.361
A Comarca
Edição 5.3612 de outubroLer
Últimas
Uniara tem inscrições abertas para processo seletivo
Publicidade
Publicidade
Negócios

Ciesp-Matão se manifesta contra itens do acordo da Data-Base

Entidade se refere ao aumento de 50% para 60% no valor adicional por horas extras superiores a seis horas semanais e à redução de 15 minutos na jornada diária, sem redução salarial

Fonte: Rogério Bordignon, postado por Natali Galvão

· Leitura de 6 min

Foto: Rogério Bordignon

Alex Antoniosi, Walter Baldan Filho e Roberto Cadioli. Diretores do Ciesp-Matão lamentam demissões em curso e afirmam que economia de Matão será afetada com a aprovação de dois itens da Data-Base
Alex Antoniosi, Walter Baldan Filho e Roberto Cadioli. Diretores do Ciesp-Matão lamentam demissões em curso e afirmam que economia de Matão será afetada com a aprovação de dois itens da Data-Base

Ao longo do último mês de setembro, o acordo para a definição da Data-Base 2025-2026 foi definido entre funcionários e empresas de Matão, com a atuação do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Materiais Elétricos (SindMetal-Matão). Os acordos surgiram após o transcurso de negociações que se estenderam para ser estabelecidas.

Na Baldan e na Marchesan, os salários foram reajustados em 7,15% (reposição do índice do INPC acumulado nos últimos 12 meses, mais 2% de aumento real) para quem ganha até R$ 18.700,00, com aplicação de valor fixo de R$ 800,00 para salários acima deste teto. Nas duas empresas, o abono foi de R$ 2.200,00 e houve a renovação do Acordo Geral e do Acordo das Cláusulas Protetivas e Sociais até agosto de 2027, com a inclusão de novas cláusulas.

Na maioria das outras empresas, o reajuste salarial tem o mesmo índice e os abonos foram definidos entre R$ 900,00 e R$ 2.200,00, também com a renovação do Acordo Geral e do Acordo das Cláusulas Protetivas e Sociais até agosto de 2027.

Porém, a aprovação de dois itens levou a Diretoria Regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp-Matão) a procurar a reportagem de A Comarca e mostrar preocupação quanto ao aumento de 50% para 60% no valor adicional por horas extras superiores a seis horas semanais e à redução de 15 minutos na jornada diária, sem redução salarial, a partir de outubro. Segue entrevista com Alex Antoniosi (diretor-titular), Walter Baldan Filho (1º vice-diretor) e Roberto Luiz Cadioli (2º vice-diretor).

Qual a avaliação geral em relação ao Acordo da Data-Base 2025-2026?

Alex - O índice de reposição salarial é uma conquista válida, pois a inflação não reflete a realidade dos preços de alimentos, produtos e serviços. É um índice razoável e merecido pelos trabalhadores.

Roberto - Deve-se levar em consideração que os 2% de aumento real correspondem a 40% do INPC dos últimos 12 meses, que serviu de base para este acordo.

Por qual motivo o Ciesp-Matão se manifesta contra dois itens do acordo?

Walter - Na agricultura, temos os períodos de preparo de solo e plantio, o de tratos culturais e o de colheita. Matão é uma grande produtora de máquinas e implementos agrícolas e nossas empresas se encaixam nesses períodos. Portanto, nossa manufatura tem grande sazonalidade e concentração de produção em determinados períodos do ano, gerando necessidade de horas extras de trabalho para se cumprir demandas sazonais.

Roberto - Hoje, temos 12 meses de trabalho para pagar os salários, o 13º salário e as férias. As horas extras podem ser consideradas o 15º salário. Foi aprovado recentemente que os funcionários metalúrgicos receberão um adicional de 60% no valor da hora extra a partir da sexta hora por eles trabalhada de segunda-feira a sábado. Até esta aprovação, o índice era de 50% de hora extra de segunda a sábado.

Walter - Este aumento do adicional de 50% para 60% nas horas extras acarreta um aumento direto no custo de produção, dificultando ainda mais a competitividade das empresas metalúrgicas de Matão.

Alex - Se torna inviável pagar 10% a mais dos 50% já definidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Ocorrerá a redução de horas extras e isso impactará diretamente na economia de Matão.

E quanto à redução da jornada de trabalho em 15 minutos por cada dia útil, sem redução salarial?

Alex - É outro ponto crítico, pois essa diminuição representa o acúmulo da redução de trabalho em 1h15 por semana; aproximadamente cinco horas por mês e 65 horas por ano, por cada trabalhador, ou seja, há uma redução de quase oito dias de trabalho por ano. Se considerarmos que temos aproximadamente 6.000 metalúrgicos em Matão, são 390.000 horas a menos de trabalho em nossa cidade a cada ano.

Roberto - Em linhas de produção contínuas, a redução de horas pode gerar queda direta na fabricação de produtos e aumento do custo unitário destes itens. O salário dos funcionários teve um ganho real de 2%; então, a redução da jornada de trabalho em 15 minutos por cada dia útil, sem corte salarial, aumenta o custo da hora trabalhada. Este fator tem impacto direto em setores como o nosso, de alta competitividade e baixo valor agregado.

Como se encontra a situação vivida pelas indústrias metalúrgicas de Matão?

Walter - As empresas metalúrgicas de Matão vêm sofrendo um declínio de produção nos últimos dois anos devido às elevadas taxas de juros, mudanças climáticas e quedas nos preços das commodities, o que afeta diretamente a sustentabilidade e a manutenção dos empregos. Claramente, há em andamento uma redução significativa dos postos de trabalho, um quadro negativo que poderá se agravar ainda mais.

Alex - Após a aprovação dos acordos coletivos de trabalho que aconteceram junto às principais empresas metalúrgicas de Matão no último mês de setembro, aproximadamente 200 trabalhadores foram demitidos no setor.

Qual é a expectativa?

Alex - A tendência é de que o cenário piore nos próximos meses. Será muito difícil ter uma reversão daquilo que os funcionários aprovaram referente às demissões em curso. O que podemos fazer é tentar solucionar esta situação quando a próxima data-base for negociada.

Roberto - Acreditamos que as reivindicações – sem considerar os limites das nossas empresas – podem gerar conquistas de curto prazo, mas severos riscos a longo prazo.

Alex - Outro fato é de que, nos últimos dez anos, vem se acentuando a diferença entre os índices e itens de acordos coletivos de trabalho praticados em outros municípios do Estado de São Paulo e do Brasil, comparando-os com os que são aplicados em Matão, ou seja, as empresas metalúrgicas locais estão sendo sempre mais oneradas do que as nossas concorrentes.

Walter - A concessão de aumentos reais, ano após ano, tem comprometido a competitividade das indústrias de Matão frente às concorrentes em nível estadual e nacional. Se considerarmos os acordos feitos no último mês de setembro com Baldan e Marchesan e analisarmos um período de cinco anos, os aumentos reais totalizam cerca de 20% frente aos 2,7% de aumentos reais negociados no âmbito estadual pela Sindimaq e pelas Federações Sindicais dos trabalhadores.

Roberto - Este ciclo enfraquece a indústria local e afasta investimentos no setor metalúrgico de nosso município.

Alex - Para exemplificar, nos últimos dez anos, houve 16 intenções de empresas de máquinas e produtos agrícolas se instalarem em Matão, mas nenhuma se consolidou.

Walter - Nosso objetivo é de evoluir junto aos nossos funcionários, com melhores salários, melhores condições de segurança, saúde e trabalho, dentro de uma empresa sólida, capaz de competir e gerar empregos estáveis. Infelizmente, estamos na contramão.

Nota: A direção do SindMetal-Matão foi procurada pela reportagem de A Comarca, mas preferiu se manifestar em ocasião posterior.

Publicidade
Publicidade

Comentários

Ninguém comentou ainda. O primeiro comentário pode ser o seu.

Leia também

Publicidade