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Tarifas dos EUA podem reduzir receitas de Matão em mais de R$ 25 milhões

Economista e controlador na Prefeitura Municipal Moacir Bertaci aponta que impacto das medidas norte-americanas pode atingir 8% do PIB municipal, afetando exportações, empregos e arrecadação

Fonte: Natali Galvão - free lancer, postado por Natali Galvão

Foto: Natali Galvão

Moacir Bertaci. ?Situação exigirá medidas de ajuste e contingenciamento ainda mais rigorosas, pois a arrecadação já se encontra sob pressão?
Moacir Bertaci. ?Situação exigirá medidas de ajuste e contingenciamento ainda mais rigorosas, pois a arrecadação já se encontra sob pressão?

O economista Moacir Bertaci afirmou que as tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, mesmo com a exclusão do suco de laranja, terão forte impacto nas finanças de Matão. Segundo levantamento feito por ele com base no sistema Comex Stat, a medida pode reduzir em mais de R$ 25 milhões as receitas municipais e comprometer 8% do PIB local.

Bertaci explicou que, embora o suco de laranja - principal item da pauta exportadora matonense para os EUA - esteja entre as exceções às tarifas, outros produtos derivados do setor cítrico e diversas mercadorias exportadas pelas empresas da cidade serão diretamente afetados.

De acordo com o levantamento, esses itens não contemplados nas exceções representaram, entre 2021 e 2024, mais de US$ 75 milhões anuais em vendas para o mercado norte-americano, o equivalente a mais de R$ 405 milhões na cotação atual.

“Com base no PIB estimado de R$ 5,3 bilhões para 2024, o valor das exportações afetadas corresponde a 8% da economia local. A queda nas receitas será expressiva, já que para 2025 as transferências correntes estão estimadas em R$ 363 milhões e para 2026, em R$ 373 milhões”, destacou o economista.

Segundo ele, os impactos serão sentidos em várias frentes. A curto prazo (2025), as exportações de produtos agrícolas não isentos devem cair mais de US$ 50 milhões, com risco de demissões, férias coletivas, redução na arrecadação de ISSQN e taxas municipais, e aumento da inadimplência nos tributos municipais.

No médio prazo (2026), Bertaci prevê queda na renda familiar, diminuição do consumo, migração de mão de obra qualificada, subutilização de equipamentos especializados, perda de certificações internacionais e descontinuidade de investimentos em modernização.

Já no longo prazo (2027), Matão poderá enfrentar uma perda de participação no PIB regional e reduzir sua importância como hub logístico do agronegócio, o que também diminuiria a atratividade do município para novos investimentos. Esse cenário poderá afetar a formação de mão de obra especializada, exigindo medidas como a criação de uma zona de processamento de exportação e a modernização dos sistemas de armazenagem e distribuição.

“Essa situação exigirá medidas de ajuste e contingenciamento ainda mais rigorosas, pois a arrecadação já se encontra sob pressão”, concluiu Bertaci, que exerce a função de controlador na Prefeitura de Matão.

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