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Negócios

Perda de Matão em exportações se projeta em mais de US$ 50 milhões

Estimativa de Moacir Bertaci para 2025 se refere a produtos que seguem para os Estados Unidos

Fonte: Rogério Bordignon, postado por Natali Galvão

· Leitura de 4 min

Foto: Rogério Bordignon

Moacir. "Levando-se em conta a estimativa do PIB de R$ 5,3 bilhões em 2024, o valor das exportações que serão afetadas pelas tarifas representa 8% do PIB matonense"
Moacir. "Levando-se em conta a estimativa do PIB de R$ 5,3 bilhões em 2024, o valor das exportações que serão afetadas pelas tarifas representa 8% do PIB matonense"

Em diversos sites e mídias sociais está sendo difundido um vídeo demonstrando que Matão será o segundo município brasileiro mais afetado pelas tarifas norte-americanas. Segundo informações decorrentes de matéria realizada pelo jornal O Estado de S.Paulo, os dois municípios mais afetados no estado de São Paulo também são os mais prejudicados no país: Piracicaba e Matão. São Paulo (Capital) e Guarulhos também estão entre os dez municípios paulistas mais afetados pelo tarifaço implantado pelo presidente Donald Trump (50%).

O levantamento feito pelo Estadão leva em conta os 30 produtos mais exportados pelo Brasil aos Estados Unidos em 2024 e os segmentos que foram alvo da sobretaxa adicional de 40% decretada por Trump no último dia 30, já que antes havia a tarifa de 10%. A incidência do tarifaço utilizada no levantamento é baseada em divulgação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Contudo, outras matérias começaram a ser divulgadas – como uma do site Terra – salientando que, dentro dos grupos de mercadorias que não escaparam da tarifa adicional, há produtos que – a depender da especificação – podem ser isentos. Sendo assim, afirma-se que o levantamento não é definitivo. Ele aponta que Piracicaba teria perda projetada de US$ 1,3 bilhão e Matão, de US$ 519,7 milhões, considerando valores exportados em 2024.

“Deve-se contextualizar as informações, pois elas se referem a situação anterior às exceções efetuadas pelo governo norte-americano. Ocorreram exceções às tarifas para cerca de 700 produtos e um deles é o suco de laranja, o produto mais exportado de Matão para os Estados Unidos”, cita Moacir José Bertaci, controlador na Prefeitura de Matão e professor na Faculdade de Tecnologia ‘Luiz Marchesan’ (Fatec-Matão) e na Fatec-Taquaritinga. Moacir foi entrevistado por A Comarca.

Matão é um dos municípios brasileiros que mais exportam.

Matão possui um setor industrial diversificado e as exportações são extremamente representativas às empresas e, obviamente, às receitas municipais. Matão é um dos municípios que tem a maior exportação per capita do país.

O suco de laranja representa muito dessas exportações.

Sim, representa mais de 79% da pauta dos produtos exportados para os Estados Unidos; embora o suco de laranja tenha entrado nas exceções às tarifas de 50%, impostas pelo presidente dos Estados Unidos, ainda assim, as finanças municipais serão afetadas, em função da inviabilidade econômica das exportações dos subprodutos do setor cítrico e dos demais itens que são exportados por empresas do município.

De acordo com a tabela referente às exportações matonenses, nota-se o crescimento delas.

As exportações das empresas matonenses são consideráveis e aumentaram substancialmente após a pandemia, tanto no total geral como para os Estados Unidos. Analisa-se também que o suco tem uma participação crucial nas exportações e no período analisado; a partir de 2021, representa mais de 79% da pauta dos produtos exportados para os Estados Unidos. Todavia, deve-se analisar ainda que, no mesmo período, 21% foram de produtos que não estão nas exceções e serão afetados com as imposições tarifárias. Esses produtos representaram, em média, mais de US$ 75 milhões de exportações anuais para os Estados Unidos, ou seja, convertendo-se em Reais (R$) com a cotação atual do dólar, esse valor representa mais de R$ 405 milhões. Levando-se em conta a estimativa do PIB de R$ 5,3 bilhões em 2024, o valor das exportações que serão afetadas pelas tarifas representa 8% do PIB matonense. Por fim, considerando a estimativa de que, neste ano de 2025, as receitas de transferência corrente totalizarão R$ 363 milhões e a estimativa para 2026 é de que totalizem R$ 373 milhões, as tarifas impostas trarão uma diminuição considerável às receitas municipais. Se utilizarmos 8% como parâmetro, a diminuição da arrecadação será acima de R$ 25 milhões, o que fará com que a situação das finanças municipais se torne mais difícil ainda, dado que já estão sendo adotadas medidas contingenciais.

Quais os prováveis impactos imediatos referentes ao tarifaço?

Redução de mais de US$ 50 milhões nas exportações de 2025, de produtos agrícolas não contemplados nas exceções, tomando-se como parâmetro 2024; desemprego, ou seja, demissão iminente de funcionários em empresas exportadoras e de apoio logístico e de serviços especializados, além de férias coletivas e o impacto fiscal com a redução na arrecadação de ISSQN e em taxas municipais, além da inadimplência nos tributos municipais aumentar.

E a médio prazo, a partir de 2026?

Diminuição de mais de US$ 75 milhões de exportações anuais para os Estados Unidos; redução da renda familiar; diminuição do consumo local; migração de mão de obra qualificada para outros municípios; subutilização de equipamentos especializados; perda de certificações internacionais por falta de volume; descontinuidade de investimentos em modernização.

O que se projeta a partir de 2027?

Diminuição de mais de US$ 75 milhões de exportações anuais para os Estados Unidos; redução da participação de Matão no PIB regional; perda de posição como hub logístico do agronegócio; diminuição da atratividade para novos investimentos; impacto na formação de mão de obra especializada; criação de zona de processamento de exportação; modernização do sistema de armazenagem e distribuição.

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