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Cultura e Variedades

Dois amigos na despedida de Ozzy

Murilo Camolezi e Thiago Barnabé estiveram no show 'Back to the Beginning', na Inglaterra

Fonte: Rogério Bordignon, postado por Natali Galvão

· Leitura de 7 min

Foto: Divulgação

Thiago e Murilo, antes dos shows. Diante da fachada do Villa Park e de um boneco de Ozzy Osbourne
Thiago e Murilo, antes dos shows. Diante da fachada do Villa Park e de um boneco de Ozzy Osbourne

No período de 4 a 12 de julho, os amigos de longa data, Murilo Camolezi de Souza e Thiago Barnabé, estiveram na Inglaterra, especificamente em Birmingham, Liverpool e Londres. Em Birmingham, no último dia 5, eles tiveram o privilégio de assistir aos shows do evento ‘Back to the Beginning’, que marcou a despedida de Ozzy Osbourne dos palcos e do Black Sabbath.

O evento se tornou mais memorável para a história do rock porque Ozzy deixou sua vida aos 76 anos, no último dia 22, apenas 17 dias após a sua despedida dos palcos, fazendo a passagem em casa, junto de familiares. Sobre a ida para a Inglaterra e, em especial, a incomensurável alegria de viver o momento – dividida com a triste surpresa pelo falecimento do ícone do Heavy Metal –, Murilo e Thiago foram entrevistados por A Comarca.

Quando vocês começaram a pensar nesta viagem?

Murilo - Começamos a comentar em grupo de WhatsApp, entre amigos com o mesmo gosto por rock ‘n’ roll, sobre a grandeza do espetáculo de despedida do Ozzy logo quando as informações surgiram pela internet. Naquele momento, começamos a sonhar com a possibilidade. O difícil era saber se conseguiríamos comprar os ingressos, pois sabíamos que seriam muito concorridos.

Thiago - As vendas para o show tiveram início no dia 14 de fevereiro. Acordamos na madrugada desta data, o Murilo em Matão e eu em Houston (Texas, Estados Unidos). Tentamos primeiro a pré-venda, no dia 13. Entrei na fila e era o número 60.000, mas não conseguimos comprar. No dia seguinte, abriram a venda geral. Consegui entrar e era o número 15.000, mas quando tive o acesso aos ingressos, todos estavam esgotados. Fiquei atualizando a página até que apareceram dois ingressos na arquibancada; possivelmente, a compra de algum azarado deu errado. Com sorte, conseguimos os dois ingressos.

Murilo - Os lugares da pista se esgotaram em poucos minutos e o Thiago conseguiu encontrar na arquibancada superior, defronte ao palco, no lindo Villa Park, o estádio do Aston Villa, time que o Ozzy torcia. Começamos a planejar a viagem, mas o mais importante já estava definido: iríamos ao show de despedida do Ozzy e Black Sabbath.

Thiago - Um mês depois, compramos as passagens e decidimos que, além de Birmingham, iríamos também para Liverpool e Londres.

Birmingham é cinzenta e nebulosa?

Murilo - Chegamos a Birmingham na véspera do show, que aconteceu no dia 5 de julho, sob garoa. É uma cidade que tem várias indústrias e a arquitetura – na maioria dos prédios – é antiga, com tijolos expostos. No entanto, o que mais chamou a atenção foi a atmosfera conectada com o evento. Encontramos pessoas de todo o planeta, vestidas com blusas alusivas ao Black Sabbath e ao Ozzy, bem como ao próprio show.

Thiago - Birmingham é cinzenta, como toda Inglaterra, mas não nebulosa. O centro da cidade é muito charmoso, com mistura de arquitetura Vitoriana e moderna, pós revolução. A cidade estava ‘respirando’ o evento. O mural feito em homenagem a eles, a Ponte Black Sabbath, o Pub The Crow, onde eles começaram, todo plotado com fotos dos integrantes, todo mundo pela rua vestindo camisetas do Sabbath e do Ozzy, todos os bares tocando músicas deles, a atmosfera estava incrível.

Descrevam a ida para o show.

Murilo - Chegamos no Villa Park por volta das 11 horas, pegamos uma fila curta e entramos no estádio, ficando perto dos bares, conhecendo pessoas.

Thiago - O show começaria às 13h30, mas foi antecipado para às 13 horas, pegando a plateia de surpresa.

Comentem sobre a sequência das atrações.

Murilo - As bandas participantes tocaram no mínimo duas músicas próprias e duas músicas do Black Sabbath ou da carreira solo do Ozzy.

Thiago - A sequência foi Mastodon, Rival Sons, Anthrax, Halestorm, Lamb of God, Super Grupo A, Alice in Chains, Gojira, Super Grupo B, Pantera, Too, Slayer, Guns’n’Roses, Metallica, Ozzy e Black Sabbath. O Super Grupo A teve como destaques os guitarristas Jack E. Lee e Nuno Bettencourt, bem como o baterista brasileiro Eloy Casagrande. No Super Grupo B, destaques para os guitarristas Tom Morello e Ronnie Wood, além do vocalista Steven Tyler. Foram cerca de 20 a 25 minutos para cada banda, sendo que os Super Grupos tocaram um pouco mais.

Murilo - Para nós, as participações mais memoráveis, além dos dois Super Grupos, foram do Alice in Chains, Pantera, Slayer e Metallica. Outro grande momento foi a exibição pelos telões de um vídeo clip protagonizado pelo ator Jack Black no vocal junto a adolescentes músicos, relembrando o famoso filme ‘Escola de Rock’, sendo que entre eles estava o filho de Tom Morello, o organizador do show, que teve a ideia original de Sharon Osbourne, hoje viúva do Ozzy. Toda a arrecadação do evento – US$ 190 milhões – foi destinada para o Hospital das Crianças de Birminghan e para pesquisas que visam a cura do Parkinson, doença que acometeu o Ozzy.

Thiago - Os intervalos entre a saída de uma banda e a entrada de outra foram de uns 15 minutos, espaço de tempo próprio para irmos aos bares. Nestes intervalos, a plateia foi brindada com vídeos cômicos que mostravam montagens do Ozzy cantando ao lado dos Beatles, Elvis Presley, entre outros, bem como comerciais em que o Ozzy apareceu. O apresentador foi o ator Jason Momoa; no momento em que o Pantera tocou a música Walk, ele desceu e foi na Mosh – aquela roda onde as pessoas se esbaram. Os telões também trouxeram homenagens ao Ozzy feitas por artistas e músicos, como AC/DC, Elton John e outros.

Como foi esperar a entrada do Ozzy?

Murilo - Foi o único momento em que não fomos ao bar, pois ficamos aguardando a entrada dele para não perder nenhum segundo do show.

Thiago - Foi uma entrada triunfante, emotiva. Vê-lo subindo, sentado num trono, foi surreal!

Murilo - Ele fez um show com sua banda, com destaque para o guitarrista Zakk Wylde, que também subiu ao palco com o Pantera. Este show teve mais ou menos meia hora, com cinco músicas: I Don’t Know; Suicide Solution; Mister Crowley; Mama, I’m Coming Home e Crazy Train.

Thiago - Antes de Mama, I’m Coming Home, ele agradeceu ao público e foi perceptível a emoção dele pela voz embargada. Este foi o ponto alto do show: ele claramente emocionado, com os olhos marejados e a voz embargada. Ali não teve um só metaleiro que conseguiu segurar as lágrimas.

Como foi o show do Ozzy como integrante do Black Sabbath?

Murilo - Foi memorável! Nós – enfim, toda a plateia – oscilamos entre momentos de energia altamente positiva e fortes emoções. Vimos muitos roqueiros ‘velhos de guerra’ às lágrimas.

Thiago - Eles tocaram quatro clássicos: War Pigs, N.I.B, Iron Man e Paranoid, com um final regado a fogos de artifício. A gente percebia a euforia dele por estar ali. O tempo todo, ele tentava se levantar; não queria estar sentado.

Como vocês resumem a oportunidade de estarem neste evento de despedida do Ozzy?

Murilo - Inesquecível, marcante. No último acorde de Paranoid, me ‘caiu a ficha’ de que o Ozzy e o Black Sabbath não estariam mais juntos. Mesmo tendo visto o Black Sabbath com o Ozzy em duas oportunidades em São Paulo, em 2013 e 2016, este show teve uma magnitude muito diferente.

Thiago -  Foi incrível! Estávamos na cidade que viu o Black Sabbath nascer, com o Ozzy gravando com eles o disco homônimo aos 18 anos de idade. Fomos lá bater palmas, cantar junto e nos emocionar, dando nossa contribuição ao adeus para Ozzy Osbourne. Foi um grande privilégio poder fazer parte disso.

E quanto a Liverpool e Londres?

Murilo - Liverpool é muito bonita, histórica, portuária, tem os encantos deixados pelos Beatles, inclusive o museu e o Cavern Club.

Thiago - Londres é cosmopolita, uma cidade planetária. O mundo se encontra ali. É lotada de pubs, um mais bonito do que o outro. Passamos por 35 pubs nestas três cidades em que estivemos. Londres impressiona por como uma cidade tão grande e antiga consegue ser tão bonita e charmosa. Muita história, pontos turísticos e, claro, os pubs, a religião dos ingleses.

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