ARTIGO - Fake news: quando a mentira se esconde atrás do anonimato
POR PAULO BERNARDI
Fonte: Paulo Augusto Bernardi é presidente da Câmara Municipal, postado por Natali Galvão
Foto: Acervo A Comarca

Nos últimos dias, Matão foi surpreendida por uma notícia absolutamente falsa, dando conta do falecimento de uma pessoa querida e respeitada de nossa comunidade. Uma mentira cruel, sem qualquer fundamento, que abalou familiares, amigos e cidadãos, gerando indignação e tristeza.
Este episódio lamentável escancara uma chaga de nossa era digital: a internet, que poderia ser instrumento de conhecimento, diálogo e aproximação entre as pessoas, em muitos momentos tem se transformado em uma ‘terra de ninguém’. Nesse ambiente proliferam notícias falsas, difamações e ataques gratuitos, sempre alimentados pela falta de empatia e pelo desprezo à dignidade humana.
O mais grave é que tais agressões, frequentemente, são disseminadas a partir de perfis falsos, criados como um pseudoescudo para proteger quem não tem coragem de assumir a própria covardia.
Atrás de um nome inventado e de uma foto roubada escondem-se indivíduos que acreditam poder espalhar mentiras sem jamais serem descobertos. Enganam-se. Hoje, a tecnologia é capaz de rastrear acessos, identificar origens e expor a verdadeira identidade de quem insiste em transformar a liberdade de expressão em arma contra a honra e a integridade do próximo.
Importa frisar: a criação e o compartilhamento de fake news não são apenas condutas imorais ou antiéticas – são crimes.
A legislação brasileira prevê sanções tanto para quem elabora como para quem compartilha mentiras capazes de manchar reputações, provocar desespero em famílias e, como neste caso, anunciar falsamente a morte de alguém. A Justiça tem instrumentos para agir, e a sociedade tem o dever de exigir que esses atos não fiquem impunes.
Mas o combate às fake news não se dá apenas pela via repressiva. É preciso avançar também pela via educativa. Foi com essa convicção que, no mês de julho, manifestei minha preocupação em relação ao tema e apresentei um projeto de lei para tratar da questão.
Embora a proposta não tenha avançado em razão de entraves formais, protocolei um requerimento ao prefeito e ao secretário municipal de Educação, solicitando informações sobre a possibilidade de inserção da educação midiática e da conscientização sobre as fake news nos currículos das escolas municipais de Matão.
O ambiente escolar é, por excelência, o espaço de formação cidadã. Educar nossas crianças e adolescentes para compreender como a desinformação atua, para desenvolver pensamento crítico diante de conteúdos digitais e para assumir responsabilidade por seus atos na internet, é fundamental. Somente assim construiremos uma geração preparada para enfrentar os desafios da era digital, rejeitando o ódio, a mentira e a covardia.
As fake news não podem ser tratadas como meras ‘piadas de internet’ ou ‘brincadeiras de mau gosto’. Ao anunciar falsamente a morte de alguém, não se causa apenas um ‘dissabor’: gera-se dor, sofrimento e risco de consequências emocionais sérias. É uma afronta à vida, à verdade e à convivência social. E se fosse com você, leitor? Se a sua ‘morte’ tivesse sido anunciada falsamente?
Portanto, é hora de reagirmos com firmeza. Não podemos permitir que a mentira se normalize. É necessário combater, educar e responsabilizar. Que este triste episódio sirva de alerta: Matão, assim como o Brasil, precisa de mais verdade, mais empatia e mais compromisso com a dignidade humana – valores que não podem ser soterrados pela covardia anônima na internet.
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