ARTIGO - A laranja está indo embora?
POR PAULO BERNARDI
Fonte: Paulo Augusto Bernardi, presidente da Câmara Municipal de Matão, postado por Natali Galvão
Foto: Divulgação

A notícia chega como um daqueles ventos frios que sopram sem aviso pelas ruas de Matão. Silenciosa, mas inquietante: gigantes da citricultura, como a Citrosuco, podem estar migrando sua produção para o Mato Grosso do Sul. É o que apontam diversas matérias veiculadas na imprensa nacional, como a do site Hora Notícias, do Governo do MS, e do jornal Edição MS. Segundo essas fontes, o estado vizinho está se consolidando como o novo polo de citricultura do país, com investimentos milionários, incentivos fiscais e a instalação de modernas indústrias de suco.
Mas o que isso tem a ver conosco, aqui em Matão? Tudo. Matão cresceu sob o cheiro cítrico das laranjeiras. Empresas como Citrosuco e LDC – com fábricas instaladas em nosso município – não são apenas indústrias. São parte da nossa história, da nossa economia, do sustento de centenas de famílias. A possibilidade de uma migração, ainda que parcial, da produção para outros estados acende um alerta que não pode ser ignorado.
A Citrosuco, por exemplo, é uma das maiores exportadoras de suco de laranja do mundo. Sua presença em Matão movimenta uma cadeia produtiva extensa: do trabalhador do campo ao engenheiro de alimentos, do motorista de caminhão ao profissional de logística.
Além disso, ela é uma das maiores contribuintes do município, recolhendo impostos diretos e indiretos que ajudam a custear Saúde, Educação e Infraestrutura. Basta lembrar que o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), embora estadual, retorna parcialmente aos cofres municipais por meio do Índice de Participação dos Municípios (IPM). Quanto maior a atividade econômica local, maior é esse repasse.
Somem-se a isso as receitas com ISS (Imposto Sobre Serviços), taxas de fiscalização, licenciamento ambiental e, principalmente, a geração de empregos diretos e indiretos. Um recuo dessa magnitude não impactaria apenas o orçamento municipal – afetaria famílias inteiras que dependem dessa engrenagem para viver com dignidade.
Não se trata de alarmismo, mas de um chamado à ação. O Mato Grosso do Sul está investindo pesado para atrair o setor: terras férteis, incentivos tributários, logística em expansão. Se ficarmos parados, corremos o risco de ver nossa economia enfraquecer ano após ano, como uma laranja que vai secando no pé.
Não podemos aceitar que a vocação histórica de Matão seja esvaziada sem reação. É hora de unirmos forças: Executivo, Legislativo, produtores rurais, sindicatos, associações comerciais, lideranças políticas regionais e estaduais.
Precisamos solicitar que o Governo do Estado de São Paulo sente-se à mesa, dialogue com as indústrias, entenda o que pode ser feito para manter e ampliar a presença da laranja e da indústria aqui. Incentivos fiscais, infraestrutura, combate rigoroso ao greening, apoio técnico: tudo deve ser colocado em pauta.
Porque a perda de um polo industrial como esse não se recupera da noite para o dia. Claro que a imensa maioria dessas ações – praticamente todas – não depende de nós, mas sim do Governo do Estado de São Paulo. O governador precisa agir imediatamente.
Se a laranja for embora, Matão perde o suco, a casca, o bagaço... e muito mais. Este é um apelo. Mas também um compromisso: no que depender da força do Legislativo municipal, vamos agir. Porque o futuro da nossa cidade não pode escorrer por entre os dedos.
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