ARTIGO - Casa PIPA é Cultura Viva
POR JULIANO JACOPINI
Fonte: Juliano Jacopini é doutor em Artes da Cena (Unicamp), produtor cultural da Casa PIPA e artista da Cia. Labirinto de Teatro, postado por Natali Galvão
Foto: Divulgação

A ponte não é de concreto, não é de ferro
Não é de cimento
A ponte é até onde vai o meu pensamento
Lenine
Cultura Viva é uma política pública brasileira criada no território nacional durante o governo Lula (2004) pelo então ministro da Cultura, Gilberto Gil, e institucionalizada no governo Dilma (2014) como Política Nacional de Cultura Viva (PNCV), com base na Lei nº 13.018/2014, passando a ser a Lei Cultura Viva uma resposta à necessidade de reconhecer e fortalecer as culturas comunitárias e populares no Brasil.
Os fundamentos da Cultura Viva se pautam na valorização da diversidade cultural, do protagonismo comunitário e da participação social, entendendo a cultura como algo vivo, em constante transformação, produzido por e para as pessoas, no cotidiano e na continuidade das ações. É o que a Casa PIPA tem feito há quase 15 anos, desde sua fundação e atuação no município de Matão e que, portanto, valeu-lhe o selo de Ponto de Cultura, colocando-a na rota da Cultura Viva do Brasil, como um dos espaços no mundo que possibilita a formação, a difusão, a fruição e a residência artística, apostando no intercâmbio de saberes e práticas entre artistas e territórios.
De 30 de junho a 04 de julho de 2025 acontecerá na Fundação Casa Rui Barbosa (Rio de Janeiro), vinculada ao Ministério da Cultura (MinC), o XIV Seminário Internacional de Políticas Culturais, um dos mais importantes encontros sobre políticas culturais no Brasil. O evento reúne especialistas do Brasil e da América Latina em torno de uma programação que destaca questões centrais para o campo cultural, como políticas públicas, experiências locais, patrimônio, culturas afro-brasileiras, educação e cultura, acessibilidade, culturas tradicionais, Pontos e Pontões de Cultura e direitos culturais, além da celebração dos 20 anos do programa Cultura Viva e dos 10 anos do IberCultura Viva.
Um artigo (de minha autoria, que será publicado nos anais do seminário) sobre a Casa PIPA, intitulado ‘Pontos de Cultura como Pontes de Cultura’, será debatido na mesa de comunicação ‘Cultura Viva’ por mim, junto a Marcia Rollemberg (secretária de Cidadania e Diversidade do MinC) e outros colegas. O preâmbulo pretende um breve panorama da importância do Programa Cultura Viva, criado pelo Ministério da Cultura, para o mapeamento e implantação dos Pontos de Cultura espalhados pelo Brasil, atentando-se especialmente à explanação do Ponto de Cultura Casa PIPA, localizado no interior do estado de São Paulo, na cidade de Matão, a fim de apresentar impactos da ação cultural e seus desdobramentos constantes para o fortalecimento de projetos através do diálogo com o poder público municipal, para manutenção e criação do Fronteiras Brasil – Festival Internacional de Arte-Educação e do Programa TEIA – Território de Educação, Intercultura e Arte, que foi fundamental na dinâmica estruturante cultural da região durante sua continuidade em parceria via termo de colaboração (maio de 2022 - maio de 2025).
O acaso se traduz ineludível: esse ano faz 10 anos que a estrada que dava acesso principal à Casa PIPA caiu! Não foi feita outra estrada ou ponte e nós – Casa PIPA – continuamos no céu. Esse ano, o casarão onde a PIPA existe e foi recuperado pela Ong Ocara e grupos da classe artística, após mais de uma década de abandono, faz 100 anos: é casa, é teatro, é oficina, é ateliê, é estúdio, é marcenaria, é biblioteca, e tão já começaremos as comemorações. Esse ano tanta coisa aconteceu, que a linha quase, quase arrebentou... mas precisa acontecer mais. Porque nada pode parar a cultura!
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