Homenagem: Edercy - nossa eterna Boneca
POR ELIANA SARAIVA
Fonte: Eliana Saraiva, postado por Natali Galvão
Foto: Divulgação

Escrever sobre Edercy, ou ‘Dona Edercy da Datilografia’, ou a ‘Der’, ou a ‘Boneca’, traduzir, em poucas linhas, a grandeza de uma mulher chamada Maria Edercy Bassoli de Souza, que partiu para outra esfera aos 92 anos de idade, é um desafio.
Natural de Guariroba, distrito de Taquaritinga, Edercy transitou por Itápolis e Monte Alto até fixar residência na década de 1960.
Jovem, foi funcionária dos Correios e Telégrafos do Brasil - CTB e já se mostrava independente, pois já possuía sua escola de datilografia.
Em 1967, veio para Matão, transferida pela empresa CTB, e com ela trouxe a Escola de Datilografia Nossa Senhora Aparecida – nome dado em razão de sua devoção à Santa.
Chegou aqui sem conhecer ninguém, pensou até em ir embora de Matão, pois julgava a cidade “monótona”, entretanto, seu destino já parecia estar traçado.
Edercy sempre foi uma pessoa ativa, conheceu Antônio Rodrigues de Souza, o Toninho (proprietário da Auto Escola Bandeirantes), com quem se casou e teve duas filhas: Carmem Iside (a Carminha) e Ana Claudia (a Cau).
Seu sonho era ingressar em uma faculdade e ser professora de matemática, mas sua expertise a fez permanecer nos ensinamentos datilográficos.
Conheceu o Sr. Alceu Nantes, então diretor da Escola de Comércio Afonso Lemos, que lhe ofereceu uma sala de aula na referida escola.
Ali, Edercy iniciava sua trajetória; posteriormente, se fixou em prédio próprio e, ao deixar os Correios, se dedicou em tempo integral à datilografia.
Por intermédio de Edercy, aulas de datilografia foram ministradas gratuitamente, exercício do voluntariado, em locais como ‘Educandário’, ‘Clube do Leitinho’, Corpo de Bombeiros e também na Apae.
Suas Remington 12 eram pesadas e precisas; os horários de aulas eram divididos em três turnos, assim, inúmeras pessoas conquistaram sua formação como ‘datilógrafo’, com direito a cerimônia de formatura na antiga sede do Clube Grêmio.
Muitos matonenses ingressaram em concursos públicos e conseguiram bons empregos em razão da formação em datilografia, pelas mãos de Edercy.
O tempo passou, a tecnologia avançou, máquinas de escrever deram lugar a computadores, a escola encerrou suas atividades.
Entretanto, o ensinamento de Edercy permaneceu para sempre.
‘Der’, além de professora de datilografia, era dona de outros empreendimentos, afinal, sempre foi uma mulher à frente de seu tempo.
Chegou sozinha em Matão e, destemida, encarou os desafios de se tornar empreendedora; foi uma das primeiras mulheres a dirigir um automóvel – o icônico ‘Candango’, e onde chegava com seu carro, ‘arrasava’.
Com sua simpatia, conquistou muito amigos; o sorriso e a alegria foram suas marcas registradas.
Sua casa, na Avenida 15 de Novembro, sempre foi aberta a familiares e amigos. No fundo da residência, o quintal era ponto de encontro.
Entre plantas, vasos de flores e a sombra de árvores no quintal, muitos cafés, lanches, contação de histórias e causos; festas de naturezas diversas, com destaque para a tradicional ‘Festa das Bonecas’, com propósito solidário, eram válidas.
Tudo, agora, se torna memória afetiva, boas e eternas lembranças.
Edercy partiu para o Plano Espiritual. Suas filhas Carminha e Claudia e seu neto Gabriel Bassoli Rodrigues de Souza seguem em frente, pautados em seus ensinamentos que estão para além dos teclados de uma máquina de escrever.
Para ‘Der’, uma de suas maiores belezas da vida sempre foi “a importância de se cultivar Amigos, mantê-los, independentemente da distância”.
‘Der’ sempre foi uma pessoa do bem; sua fé, sua honestidade, sua alegria, seu humor ímpar, seus conselhos e seu bem querer ficarão eternizados no coração dos que tiveram o privilégio de conviver com ela. Siga em paz, ‘Boneca’!
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