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ARTIGO: O jovem na Democracia

POR FABRICIO ZAFALON

Do acervo · publicada originalmente em 8 de agosto de 2024

Fonte: Fabrício Aparecido Zafalon, professor, postado por Natali Galvão

Foto: Divulgação

Fabrício Aparecido Zafalon é professorAcervo · 2024
Fabrício Aparecido Zafalon é professor

A jovem Democracia brasileira carece de juventude. Em 2022, elegemos uma Câmara de Deputados Federais mais ‘velha’, cerca de 50 anos de média. Esses dados foram divulgados logo após as eleições daquele ano e revelam o quanto a juventude está distante da política. Há uma dissonância entre as gerações, provocada pela evolução das tecnologias, as quais imprimem novas formas de relações sociais e associações políticas. A juventude – muito criticada por suas posições e reflexões, taxadas como ‘mimimi’, onde tudo lhe ofende e não aceita posições contrárias – pode sim estar pronta para um debate político crítico, profundo e inovador.

Deveríamos ter consciência e respeito às individualidades de ambos os lados, pois não há um consenso maior na Democracia que a própria manifestação pública da diferença. Ser jovem, hoje, é estar imerso em um universo de informações cotidianas, muitas delas sufocantes, que impedem a possibilidade de refletir e tomar posições frente às suas próprias escolhas.

Não há mais um ídolo da música, seja do rock nacional ou na Tropicália, que levante a multidão, que critique o sistema com palavras duras ou com mensagens subliminares que tomem todo o cenário artístico do país. Tivemos isso no passado como propulsor dos movimentos juvenis, mas os tempos são outros. A política foi pulverizada nas redes sociais, mas banida do diálogo na sala de casa. Os jovens querem dizer o que pensam, fazer a mudança na sociedade que abre as janelas enquanto fecha os ouvidos.

As juventudes têm sede! Não querem somente oportunidade, mas ação integrada e completa. Nada de graça, mas de direito de escolha! Há frases que povoam as redes menosprezando a capacidade juvenil de promover um discurso com argumentos sólidos e coesos. Exemplos: “Essa geração não quer saber de nada!”, “Só querem os direitos sem deveres!” etc... Será que o percentual de adultos que se envolvem com o crime, com a falta de cidadania política, com a corrupção em todas as suas formas, é tão diferente?

A sociedade não educa seus jovens diferentemente dos exemplos que fornece a eles todos os dias. A Democracia não é perfeita, mas é a melhor forma de falar e ser ouvido. Quais são os espaços em que o debate de ideias diferentes, mas não manifestadas em um discurso de ódio, pode acontecer entre os jovens? Quais representantes políticos brasileiros adentram aos espaços juvenis da sociedade para ouvir essa parcela da população?

Os jovens são herdeiros do futuro difuso entregue por nós. Nessa roda gigante chamada Democracia, a volta por cima é uma questão de tempo. Essa é a principal regra do debate político: a alternância do poder e a escolha da sociedade, cada vez mais liquefeita. As escolas e as universidades são os lugares onde se ouve a voz de um jovem de forma crítica, sem negacionismo etarista ou por simples ignorância.

Mais uma vez, ressaltamos que em nenhuma sociedade são todos que participam ativamente das decisões políticas, sejam jovens ou pessoas de qualquer outra faixa de idade. Mas aqueles que querem participar precisam ter o espaço de direito, não por um dia ou uma semana em que se implementa um projeto de política participativa, mas de forma mais constante e com poder de apontar, sugerir e criar formas de governança coletiva.

O conservadorismo, que tem abalado eleições pelo mundo nos últimos anos, tornou-se uma ameaça ainda maior à juventude que busca engajar-se politicamente. O corporativismo etário nessa classe política é bem acentuado, com discursos cada vez mais pesados sobre o jovem, que é visto apenas como mão de obra em processo de qualificação e não como um cidadão pleno.

Devemos ficar atentos a movimentos segregadores de pensamento que povoam as redes sociais. A Democracia não está somente no sufrágio universal a cada dois anos; está nas pessoas, em suas ações cotidianas, que são vistas por seus filhos, netos, sobrinhos e outros entes próximos que estão aprendendo a enxergar a política como politicagem ou banalidade. O exemplo educa mais que o discurso! Vamos abrir espaços para a juventude democrata apresentar soluções dentro de um debate sadio e bem argumentado, em espaços públicos com liberdade política e segurança constitucional garantida a todo cidadão brasileiro.

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