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Saúde

Hospital faz uso da cetamina no controle à ideação suicida

Medicamento adjuvante no tratamento da depressão está disponível para pacientes da rede pública

Do acervo · publicada originalmente em 19 de julho de 2024

Fonte: Assessoria de Comunicação do Hospital, postado por Natali Galvão

Foto: Divulgação

Cesar Minelli. "Passamos a acompanhar os casos e constatamos uma evolução significativa dos pacientes"Acervo · 2024
Cesar Minelli. "Passamos a acompanhar os casos e constatamos uma evolução significativa dos pacientes"

O Hospital ‘Carlos Fernando Malzoni’ adere ao uso do medicamento cetamina no tratamento de pacientes com depressão e ideação suicida. O projeto foi idealizado pelo médico neurologista e pesquisador César Minelli, em conjunto com os psiquiatras Rafael Sanvezzo Delfim e Igor Mariano de Melo e em parceria com a Prefeitura de Matão.

A depressão é um grave problema de saúde pública que afeta a mais de 300 milhões de pessoas no mundo, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), estando relacionada à maioria dos casos de tentativas de suicídio e de suicídio consumado.

O número de pessoas com depressão tem aumentado nos últimos anos, sobrecarregando o sistema de saúde e gerando maior necessidade de otimização dos recursos financeiros. Em Matão, a situação é considerada grave. No ano de 2022 foram registrados 159 casos de tentativas de suicídio na cidade; em 2023, o número aumentou para 165 casos – cada vez mais envolvendo jovens.

Devido ao grande número de pessoas que passam pelo Pronto Socorro ou são atendidas nos Postos de Saúde do município, com depressão e comportamento suicida, o Hospital de Matão adotou um projeto que consiste no uso da cetamina como uma alternativa em pacientes com depressão crônica e ideação suicida (consideração ou desejo de dar fim a própria vida). César Minelli conta que a cetamina começou a ser administrada no Hospital de Matão em 2017, inicialmente em pacientes conveniados.

“Desde então, passamos a acompanhar os casos com o Dr. Igor e constatamos uma evolução significativa dos pacientes no decorrer dos anos; então tivemos a iniciativa de levar o tratamento para a rede pública. Em março de 2023, elaboramos uma proposta e encaminhamos à Secretaria Municipal de Saúde, que prontamente aceitou a parceria subsidiando o medicamento, que tem custo baixo, em torno de R$ 14,00 cada ampola”, relata o neurologista.

Vale destacar que, para a Prefeitura subsidiar o medicamento, foi preciso elaborar um Projeto de Lei e encaminhar para votação na Câmara Municipal. O projeto foi aprovado por todos os vereadores e, desde então, pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) foram inseridos no tratamento.

O tratamento é feito exclusivamente dentro do hospital, sob supervisão de profissionais e prescrição médica. “O Hospital de Matão possui toda a estrutura necessária, como ambulatório e acomodações, e uma equipe multidisciplinar com médicos, enfermeiros, técnicos, fisioterapeutas, assistente social, nutricionista e psicólogo; enfim, todo o suporte necessário para garantir segurança aos pacientes que necessitam de cuidados de forma integral e humanizada”, finaliza César Minelli.

PSIQUIATRAS

De acordo com Igor Mariano de Melo, a cetamina é um medicamento com pouquíssimos efeitos colaterais e de ação rápida. “Em alguns pacientes, os efeitos da cetamina podem ser observados em até 24 horas, enquanto os medicamentos convencionais podem demorar de 4 a 8 semanas. Durante o tratamento, constatamos uma diminuição significativa da depressão como também dos riscos de suicídio. Os resultados são animadores”, salienta.

Rafael Delfim, que atualmente coordena o projeto, também atesta a eficácia do remédio. “A cetamina vem trazendo resultados surpreendentes, principalmente em pacientes com depressão refratária, caracterizada por sintomas crônicos de longo prazo e que não respondem adequadamente ao tratamento convencional. A melhora do humor e da disposição dos pacientes é evidente”, revela. “O Hospital de Matão teve uma iniciativa louvável, possibilitando aos pacientes da rede pública o acesso ao tratamento. Fico feliz em fazer parte deste trabalho”, conclui.

O projeto funciona da seguinte forma: o paciente que passa pelo Posto de Saúde com depressão e comportamento suicida é encaminhado ao Caps, onde será consultado pelo psiquiatra. Passando pelos critérios de seleção, seguirá para o ambulatório do hospital, onde iniciará o tratamento. Os critérios são: idade entre 18 e 65 anos, identificação de ideação suicida e pouca resposta a pelo menos dois tipos de medicamentos na remissão da depressão.

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