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Cultura e Variedades

FLiTS movimenta a cena cultural

Fórum Literário na Terra da Saudade trouxe a escritora Cidinha da Silva e o Grupo Coletivo Corpo Negro

Do acervo · publicada originalmente em 14 de junho de 2024

Fonte: Assessoria de Imprensa da Prefeitura, postado por Natali Galvão

· Leitura de 5 min

Foto: Divulgação

Atração. A escritora Cidinha da Silva discorreu sobre seus livros em uma Roda de ConversaAcervo · 2024
Atração. A escritora Cidinha da Silva discorreu sobre seus livros em uma Roda de Conversa

O Fórum Literário na Terra da Saudade (FLiTS), realizado nesta semana, compõe o Panorama Cultural que acontece durante todo o mês de junho. Para dialogar sobre racismo estrutural e institucional, o ‘Fórum’ trouxe a escritora Cidinha da Silva e o Grupo Coletivo Corpo Negro. A Prefeitura, por intermédio do Departamento de Cultura, tem viabilizado uma ampla diversidade de atividades artísticas, com o objetivo de estimular o desenvolvimento sociocultural e educacional no município, incentivando diálogos contemporâneos sobre direitos e deveres, novos saberes e legislações voltados para igualdades, pluralidades, políticas afirmativas e ideias criativas.

Para o prefeito Cido Ferrari, “o Fórum Literário representa um importante caminho que nos leva para a união e reconstrução de um mundo melhor para todos, pois cria oportunidades de boas leituras e conversas para o consenso em torno das naturais divergências de opiniões diante de temas conflitantes e que merecem aprofundamento. É assim que vamos tornando Matão, a cada dia, uma cidade ainda melhor para se viver entre amigos e familiares”.

Conforme conceituou o diretor de Cultura, Juliano Jacopini, “o FLiTS inicia uma bonita história em Matão, como os encontros literários têm de ser: múltiplos de horizontes, afinal, os livros são ainda o nosso maior rumo e prumo para a esperança, nossa aposta na invenção de mundos melhores. Ao mesclar no Fórum Literário múltiplas linguagens artísticas, estamos atinados à contemporaneidade, que não enxerga a literatura apenas como o escrito na palavra, mas o escrito no corpo, na história, na memória, na oralidade – como diz Leda Maria Martins, na ‘oralitura’. Assim tivemos uma semana de potentes encontros pelos caudalosos rios que o FLiTS nos convidou a adentrar”.

Juliano agradeceu ainda a contribuição do grupo de leitura ‘Urdiduras’, da Casa Pipa, na figura da professora Ude Baldan, e a parceria com o Sesc e a FLiSol (Festa Literária da Morada do Sol - Feira de Livros da Prefeitura de Araraquara). A bibliotecária municipal Estela Farias Teixeira comentou que “o FLiTS acabou de chegar, mas, de certa forma, sempre existiu. O FLiTS é, na verdade e em essência, a cristalização da vontade, anseio e empenho de leitores, autores, criadores e apreciadores da cultura. Mais que um espaço literário, o FLiTS busca ser e oferecer espaços de vivência, reflexão, inclusão e troca; acolhendo a produção cultural municipal e possibilitando que esta, junto ao público, confronte e navegue para tudo que habita além dos limites geográficos. Mais que prestigiar a literatura, o Fórum quer honrar quem a constrói”.

CIDINHA DA SILVA E CORPO NEGRO

Esteve em Matão a renomada escritora Cidinha da Silva, doutora em Difusão do Conhecimento e conselheira da ‘Casa Sueli Carneiro’. Ela tem 20 livros publicados, contando com mais de 300 mil exemplares em circulação, entre eles os premiados ‘Um Exu em Nova York’ e ‘O Mar de Manu’. Vários de seus livros integram políticas públicas de formação de acervo nos níveis federal, estadual e municipal, incluindo o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) e o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). ‘Tecnologias ancestrais de produção de infinitos’ é o seu livro mais recente.

Por meio do diálogo ativo presente na peça ‘Contação de História: O Mundo Começa na Cabeça’, os atores e atrizes do Coletivo Corpo Negro ora representaram personagens fictícios inspirados na literatura infantil contemporânea, ora representaram a si mesmos, retomando lembranças de infância quanto ao impacto do racismo estrutural vivenciado diariamente em ambiente escolar. Com técnicas de bricolagem, o espetáculo construiu uma narrativa musical a partir da interação com as crianças presentes, que assumiram a posição de espectadores participantes ao responder perguntas, cantar refrões de músicas ou dançar ritmos africanos.

De acordo com a gerente de Formação Cultural, Simone Marcondes, “o FLiTS intensifica o diálogo sobre a importância da ancestralidade africana brasileira, que desconstrói no imaginário cultural as questões discriminatórias de racismo estrutural e institucional. As diversas formas de resistência do povo negro, sua cultura e tradição milenares foram ocultados da literatura e da história. Isso impede que as pessoas elaborem a verdadeira contribuição dos africanos para a construção da identidade nacional. Como formadora, me sinto na obrigação de expandir a riqueza da ancestralidade africana. Corpos negros ocupam”, infere Simone.


Evento reuniu diferentes linguagens

Na Biblioteca Municipal ‘Profª. Maria de Lourdes Lian’ houve a Feira da Troca do Livro e a Exposição das Obras de Ignácio de Loyola Brandão – ação realizada em parceria com a FLiSol (Festa Literária da Morada do Sol, que segue até o dia 20 de junho). O autor matonense Eduardo Waack lançou seu mais recente livro, ‘Reunião’, disponível também em braile. Na Casa Pipa teve a exposição denominada ‘Mostra quem somos’, a partir da obra ‘Olhos d’água’, de Conceição Evaristo, realizada por alunos do Programa Teia. Neste mesmo sentido, o Programa Teia também entrevistou a autora Cidinha da Silva com a participação dos alunos do Projeto Pequeno Cidadão, sendo a abordagem o livro ‘O Mar de Manu’.

E na Casa da Cultura prosseguem, até 28 de junho, as exposições (com audiodescrição):

‘Aquarelando a cidade’, da artista Manuela Figueredo, e ‘Tensões e Consequências: caminhos de uma cidade’, do artista José Augusto. Ainda no mesmo local teve a ‘Roda de Conversa’ sobre o livro ‘Tecnologias Ancestrais de Produção de Infinitos’, com o grupo de leitura ‘Urdiduras’, que recebeu a autora Cidinha da Silva; o Grupo Corpo Negro apresentou a peça ‘Contação de História: O Mundo Começa na Cabeça’, seguida de bate-papo com professores. A dança também fez parte do FliTS com o espetáculo ‘Don Quixote em: as aventuras de Basílio’, de Thayla Francine com participação especial de Renata Canova Escola de Ballet.

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