ARTIGO: O que é psicoterapia
POR MARIA SYLVIA GABRIEL
Do acervo · publicada originalmente em 21 de março de 2024
Fonte: Maria Sylvia Gabriel - psicóloga (CRP: 95748), postado por Natali Galvão
Foto: Divulgação
Acervo · 2024Psicoterapia é um processo ativo pelo qual o indivíduo passa para resolver a origem de suas dores, traumas, conflitos, sintomas e comportamentos, sendo que essa origem encontra-se muitas vezes no seu inconsciente.
Para que o inconsciente ‘se revele’ para o sujeito, o terapeuta o conduzirá com calma e precaução, pois cada paciente só acessará a verdade que conseguirá suportar.
Usando o feeling ao analisar o que poderá ser dito ao paciente, a maneira que poderá ser dita e também o momento certo para pontuar algo, o psicoterapeuta incentivará o paciente a dizer de forma livre e espontânea tudo o que lhe vier à mente (mesmo parecendo um assunto bobo e sem importância, pois muitas vezes não é).
O paciente verdadeiramente comprometido com seu tratamento, e que realmente deseja sair da sua ‘zona de conforto’ e se livrar do seu sofrimento, refletirá ativamente junto com o seu psicoterapeuta sobre o que é dito durante as sessões, e também reservará momentos de silêncio e reflexão para pensar nas sessões após o seu término.
Este movimento de comprometimento do paciente com sua saúde mental faz com que ele tenha insights, ou seja, faz com que ele se conscientize repentinamente sobre a origem de algum pensamento, sentimento ou comportamento.
Através dos insights, que também podem se originar das interpretações e indagações do terapeuta, o indivíduo poderá ressignificar pensamentos, sentimentos e comportamentos, ou seja, poderá enxergá-los de maneiras diferentes, atribuindo a eles outros sentidos e vivenciando a sua vida afetiva e social de forma mais livre, leve, saudável e satisfatória.
A conscientização sobre si é importante para promover mudanças, pois quando enxergamos o nosso mundo interno, passamos a enxergar o externo também, e a separá- los um do outro.
Pensem que é como se fôssemos um ‘armário’ cheio de ‘gavetinhas’ bagunçadas. Precisamos jogar fora o que não presta, arrumar o que é nosso e devolver ao outro o que não nos pertence.
Se pensarmos dessa forma, concluiremos que a organização e o entendimento das nossas emoções nos refletem a uma visão mais clara do mundo interno e, consequentemente, do externo.
A psicoterapia não é um movimento linear, podendo ter momentos de ‘altos’ e ‘baixos’, de extrema paz ou emoções ruins, ou até mesmo momentos de confusões e crises, porém, todos estes momentos são naturais ao processo terapêutico e todas as crises possuem um grande potencial para a cura depois de superadas.
Algumas sessões são silenciosas, outras ‘barulhentas’, outras de muitos risos ou choros. É importante não faltar a nenhuma sessão de psicoterapia, pois todas elas têm sua importância única.
Muitos pacientes encontram dificuldades de permanecerem em psicoterapia, pois olham com censura o seu mundo interno.
Sugiro que estes pacientes encarem a psicoterapia como o percurso de uma viagem, onde a paisagem da natureza (mesmo imperfeita) seja vista com a beleza do olhar de uma criança, que está enxergando o percurso pela primeira vez.
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