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Cultura e Variedades

Lidia D'Agostino elabora projeto sobre imigração italiana

Em fevereiro serão comemorados os 150 anos da chegada ao Brasil

Do acervo · publicada originalmente em 29 de janeiro de 2024

Fonte: Rogério Bordignon, postado por Natali Galvão

Foto: Rogério Bordignon

Lidia. Iniciativa visa render justa homenagem aos imigrantes italianos e a preservação de parte importante da memória histórica de Matão e DobradaAcervo · 2024
Lidia. Iniciativa visa render justa homenagem aos imigrantes italianos e a preservação de parte importante da memória histórica de Matão e Dobrada

No próximo mês de fevereiro serão comemorados os 150 anos da imigração italiana no Brasil. Tomada por lembranças inerentes a seus antepassados e à própria história da formação e do desenvolvimento de Matão, Lidia D’Agostino (fonoaudióloga especializada em Motricidade Orofacial) elabora um projeto em homenagem aos imigrantes italianos que fixaram residência em Matão e em Dobrada no período de 1880 a 1930, o ápice da imigração italiana no Brasil. Sobre o assunto, A Comarca entrevistou Lidia.

Os 150 anos da imigração italiana no Brasil te motivam?

Esta data me trouxe muitas lembranças da minha convivência com os nonni italianos na infância e adolescência em Matão, quando me encantava com as histórias de coragem, luta, trabalho e fé desse povo que deixou para trás uma história de vida, familiares e amigos. Eram oriundos de diversas regiões da Itália, na maioria da região de Mantova e Veneto, bem como da Calábria, Campania, Basilicata e Sicília. Cada família com suas histórias, culturas, tradições e forte religiosidade católica. Nessa mescla, aprendemos a conviver com os dialetos e a rica diversidade da culinária italiana, apreciando diversos tipos de pasta, o formaggio, a pizza, a polenta com ragu, o vinho e deliciosos crostulis.

Você é neta de italianos por parte de seu saudoso pai, Victorio D’Agostino.

Sim, sou neta dos italianos Vincenzo D’Agostino e Enrichetta Bellusci, calabreses de Civita, piccolo paese (pequeno vilarejo) na província de Cosenza. Eles fixaram moradia na Fazenda Vitória, entre Matão e o então distrito de Dobrada, em agosto de 1919, há quase 105 anos. Esta propriedade pertencia ao meu tio avô Francesco D’Agostino, que também praticava a atividade de médico no referido distrito. Na Fazenda Vitória cresceram os filhos dos meus avós, Antonio; os gêmeos José e Francisco e o caçula, o meu pai, Victorio, que se casou com Maria de Lourdes Perez D’Agostino, em 30 de maio de 1946, gerando Gilda, eu e Justina.

Lembrar dessa ancestralidade te impulsionou a desenvolver este projeto comemorativo aos 150 anos da imigração italiana no Brasil?

Um filme foi passando pela minha cabeça. Com tristeza, tenho consciência de pertencer à última geração que conviveu com os imigrantes italianos e conheceu as suas histórias de vida na Itália e no Brasil. Essas lembranças me motivaram a elaborar um projeto em homenagem aos imigrantes italianos que fixaram residência em Matão e no então distrito de Dobrada no período de 1880 a 1930, o ápice da imigração italiana no Brasil.

Qual o objetivo deste projeto?

O projeto visa homenagear famílias e sua contribuição para o desenvolvimento de Matão e Dobrada nas áreas do comércio, indústria, artes, agricultura, construção civil, entretenimento, educação e saúde. Também objetiva contribuir para a expansão e a preservação da memória histórica local, assim como no fortalecimento do acesso a tais informações pelas novas gerações.

Há alguma parceria?

O projeto foi apresentado à direção do Departamento Municipal de Cultura e foi aceito, decorrendo na elaboração de um formulário para preenchimento e mapeamento de possíveis homenageados, que se encontra à disposição para entrega na Biblioteca Municipal ‘Maria de Lourdes Lian’ até a data limite do próximo dia 31. No formulário deverão constar os seguintes dados: nome e sobrenome do imigrante e do(a) cônjuge italiano(a); nomes dos filhos italianos e brasileiros da primeira geração; região de procedência da Itália; ano aproximado da chegada em Matão; onde fixou residência (área urbana ou rural); atividade que exerceu; vínculo de parentesco do informante. Quem possuir documentos – passaporte, salvo conduto, carteira modelo 19 ou outros documentos de relevância e fotos do imigrante com a família da primeira geração – poderá anexar as cópias ao formulário.

Te traz satisfação realizar este projeto?

Na busca pelas famílias há devolutivas de pessoas afirmando que foram restabelecidos vínculos com primos e também a consciência de que não conheciam a história da família, reacendendo essa vontade de conhecer mais a fundo. Esse é o objetivo: resgatar a história e, através dela, criar vínculos. Também nesta busca pelas famílias italianas, me deparo com histórias incríveis sobre o passado e a importância delas. Como exemplo, cito o então distrito de Dobrada pela presença da colônia italiana que lá se estabeleceu, bem como no seu entorno, onde se localizavam as fazendas de café.

Onde culminará essa iniciativa?

Uma homenagem está programada para o próximo dia 23 de fevereiro, com abertura da exposição dos nomes e dados das famílias. Essa mostra ficará aberta por uma semana para visitação, na Casa da Cultura ‘Prefeito Armando Bambozzi’. Assim, esperamos render uma justa homenagem aos imigrantes italianos e a preservação de uma parte importante da memória histórica de Matão e Dobrada.

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