História: Um resgate ao nascimento de Matão
Cópia da Certidão que atesta a Escritura pertence a Jorge Innocêncio da Costa
Do acervo · publicada originalmente em 8 de janeiro de 2024
Fonte: Rogério Bordignon, postado por Natali Galvão
Foto: Rogério Bordignon
Acervo · 2024Jorge Roberto Innocêncio da Costa tem a cópia da Certidão referente a uma Escritura de compra e venda da gleba de terra que deu origem ao povoado do Senhor Bom Jesus das Palmeiras, sendo que a grafia do documento traz algumas palavras datilografadas em padrão ortográfico antigo, como, por exemplo, ‘São’ ao invés de ‘Senhor’, ‘Jezus’ com a letra ‘z’ e ‘Escriptura’.
A Certidão refere-se a uma Escritura que atesta a venda de terra ocorrida no dia 24 de março de 1892, ocasião em que Innocencio Antonio da Costa e sua esposa, Anna Maria de Jezus, formalizaram o recebimento de 1:000$000 (um Conto de Réis) por dez alqueires de uma área da Fazenda Mattão.
Testemunharam a venda, Theophilo Dias de Toledo e Antonio Marques Pinheiro. Como não era alfabetizado, Innocencio Antonio foi representado por José Bento Filho. Os compradores da área da Fazenda do Mattão foram representados pelo ‘fabriqueiro da capella’, Antonio Lourenço Correa.
O documento, em 1892, foi redigido pelo escrevente juramentado Olyntho Soares de Arruda, sendo subscrito pelo tabelião Antonio Gomes Ramalho. A Certidão providenciada pelo 1º tabelião, Dorival Alves, data do dia 22 de julho de 1948.
“Innocencio Antonio é meu pentavô. A sede da Fazenda do Mattão ficava onde hoje é a loja de veículos Shopping Car, na junção da Avenida Padre Nelson Antonio Romão com a Rua Cesário Motta. Ao ler o documento, presume-se que a Fazenda do Mattão permaneceu, em área contínua à comercializada, para o lado dos atuais Jardim Buscardi e Vila Santa Cruz”, diz Jorge.
Ele comenta que José Inocêncio da Costa, o patrono da escola estadual, é um dos filhos de Innocêncio Antonio, falecido no dia 17 de março de 1901. “José Inocêncio teve entre seus filhos, Inacia, que, por motivo desconhecido, manteve o sobrenome Innocencio da Costa em seus descendentes, um deles, outro José Innocêncio, este o meu bisavô”, conta.
O avô de Jorge, Roberto Innocêncio da Costa, teve quatro filhos: seu saudoso pai, José Roberto Innocêncio da Costa; Maria José, Adail e Aparecido Enéas. “Meu pai se casou com a saudosa Vera Uta Rosin Innocêncio da Costa e geraram três filhos: a saudosa Débora, Graciela e eu, que sou casado com Elisângela Cardoso Innocêncio da Costa. Somos pais do Bernardo”, relata.
“É importante ressaltar que a cópia desta Certidão de 1948, que atesta a Escritura de 1892, me foi entregue pelo saudoso advogado e historiador Adail Pedro (Sabiá), cuja morte completou nove anos exatamente na sexta-feira, dia 5 de janeiro”, afirma Jorge, advogado especialista em Marcas e Patentes pela World Intellectual Property Organization (de Genebra, Suíça) e pela Universidade Federal de Santa Catarina, em Propriedade Industrial e Agronegócio.
As primeiras unidades de ensino
Primeiras classes datam da virada do Século 19 para o Século 20
Em 1900, Matão contava com três salas de aulas primárias, sendo uma feminina e duas masculinas, das quais duas públicas e uma das masculinas, particular, ativa de 1899 a 1900, com atuação do professor Mello. Esta unidade particular ficava na esquina da Avenida 15 de Novembro com a Rua José Bonifácio.
No dia 1º de agosto de 1901 é criada a primeira unidade estadual de ensino público, a ‘Escola Reunidas’, conduzida pelo professor Galdino Álvares Corrêa até 1903, na esquina da Avenida 15 de Novembro com a Rua Cesário Motta, contando em média com 40 alunos. De 1905 a 1909, a ‘Reunidas’ – com média de 50 matrículas – teve o professor Justino Marcondes Rangel como protagonista.
Justino foi diretor da ‘Escola Reunidas’ de janeiro a maio de 1909. Classes femininas também existiram com Francisca Pires do Amaral Sampaio e Francisca Fonseca, professoras leigas, de dedicação nobre. Também contribuíram com o ensino no início do Século 20: Germano Melchert, Conrado Morbach, Josephina de Toledo, Ignez da Silva Coelho e Addi Arnoldi.
Em maio de 1911, a Santa Casaal (atual Hospital ‘Carlos Fernando Malzoni’) passa a funcionar no prédio até então ocupado pelas ‘Escolas Reunidas’, quase na confluência da Rua José Bonifácio com a Avenida Tiradentes. Foi a ‘Escola Reunidas’ que originou a EE ‘José Inocêncio da Costa’, inaugurada no dia 11 de março de 1911.
Em 1940, Matão tinha três grupos escolares: ‘José Inocêncio da Costa’, outro no então distrito de Dobrada e mais um no distrito de São Lourenço Turvo, sendo 11 Escolas Isoladas Estaduais e sete escolas municipais. Havia o Curso Preparatório (particular) ‘Externato Gerdes’.
O Grupo Escolar da Fazenda Boa Vista foi criado pelo Decreto Lei datado do dia 1º de março de 1944, com anexação de quatro escolas isoladas da referida fazenda e entornos, instalado provisoriamente em prédio adaptado para dois períodos. A grande atuação da Companhia Agrícola Fazendas Paulistas influenciou a criação desta unidade.
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