ARTIGO: Janeiro Branco: saúde mental e a busca de sentido
POR EVERALDO DE CARVALHO
Do acervo · publicada originalmente em 19 de janeiro de 2024
Fonte: Everaldo de Carvalho, psicólogo e pós-graduado em Logoterapia, postado por Natali Galvão
Foto: Divulgação
Acervo · 2024Estamos vivendo num tempo histórico incerto em que as pessoas, de modo geral, se sentem cada vez mais inseguras e aparentemente sem propósitos. Um tempo em que o imediatismo passou a fazer parte da vida das pessoas, nos deixando com uma sensação incerta sobre o futuro da humanidade. Diante disso, em todo mês de janeiro, desde 2014, existe uma campanha global de promoção à saúde mental, levando as pessoas a refletirem sobre a importância do cuidado para esse aspecto da vida humana, a dimensão psíquica do ser humano.
Como citado acima, estamos no tempo do fast food, do rápido, do imediato, do agora, porém precisamos entender que as coisas, ou seja, ‘o material’ é completamente diferente dos relacionamentos humanos. Eu não sou um objeto para o outro e o outro não pode ser considerado um objeto por mim, sendo assim, não podemos ‘coisificar o humano’ nem ‘humanizar a coisa’.
Há situações que são importantes, mas que podem e devem esperar, e tem outras que são necessárias e não podem ser deixadas para depois. Por exemplo: após um longo dia de trabalho, sento-me à mesa com minha esposa e filhos, e estando um dia inteiro fora de casa, à mesa, dispenso toda minha atenção a eles, conversando sobre o dia, dificuldades e alegrias; porém recebo uma mensagem no WhatsApp de um cliente ou amigo, mensagem essa que deve ser importante, e que será devidamente respondida, porém naquele momento minha atenção, meu cuidado e carinho devem estar direcionados a minha família. As mensagens podem esperar; o necessário, no momento citado, são os meus familiares.
Quando começamos a inverter a hierarquia das coisas, nossa vida e nossas relações começam a adoecer. Se perdermos a base existencial do ‘para quê’, qualquer continuidade de nossa vida também perde seu valor. É preciso entender que o ser humano é um ser de relações, porém, relações humanas e não virtuais. Não critico a tecnologia ou a virtualidade, mas o mal-uso delas. Se o outro está comigo, eu preciso estar com ele.
Infelizmente, estamos caminhando por um caminho perigoso, onde cada vez mais o ser humano tem os meios para viver, mas não tem uma razão para viver. Do que vale o ser humano ganhar o mundo inteiro e perder-se pelo caminho? Do que valem as conquistas e o sucesso se eu não tenho alguém para celebrar comigo ou para chorar comigo em minhas derrotas? Estamos nos tornando uma geração de pessoas fracas e incapazes de amar, de sair do seu egoísmo, mas se não amarmos, se não tivermos algo a conquistar, alguém a quem se doar ou um Deus a quem servir, adoeceremos, pois nossa essência nos pede isso.
Diante dessa busca de sentido que nos conduz à saúde mental, devemos estar preparados para enfrentar os desafios da vida e não mais fugir deles. Quando buscamos a fuga, quer seja nos entorpecentes, ou nos mais variados tipos de prazeres que a vida apresenta, de maneira desordenada, assim que o efeito dessa ‘droga’ passar, nos depararemos novamente com o mesmo desafio, que depois se tornará ainda maior. Sendo assim, é melhor encará-lo de frente logo de início e superá-lo.
Para se obter saúde mental, chamo atenção para alguns pontos:
• Espiritualidade;
• Relações saudáveis: converse, doe seu tempo àqueles que você ama;
• Não perca tanto tempo em redes sociais;
• Se alimente bem, beba água e pratique uma atividade física;
• Durma bem, estabeleça horários para dormir e acordar;
• Saia do comodismo, estude, busque melhorar em sua profissão ou trabalho.
Sendo assim, vale ressaltar que o importante pode esperar e não deixará de ser importante por isso; mas o necessário, você precisa fazer agora. Sua saúde mental depende disso.
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