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Autorizada a reforma da Estação Ferroviária

Prefeito Cido Ferrari assinou Ordem de Serviço, assim como de mais nove obras em áreas de educação, cultura e lazer, totalizando investimento de quase R$ 2,5 milhões

Do acervo · publicada originalmente em 18 de novembro de 2023

Fonte: Rogério Bordignon, postado por Natali Galvão

· Leitura de 7 min

Foto: Divulgação

Noite de assinaturas. Aguardada há mais de dez anos, reforma foi bastante reivindicada pelo grupo 'Vamos salvar a nossa Estação Ferroviária?'Acervo · 2023
Noite de assinaturas. Aguardada há mais de dez anos, reforma foi bastante reivindicada pelo grupo 'Vamos salvar a nossa Estação Ferroviária?'

No último dia 10, o prefeito Cido Ferrari assinou as Ordens de Serviço para a execução de dez obras de revitalização, reforma e/ou ampliação em áreas de educação, cultura e lazer, totalizando investimento de quase R$ 2,5 milhões oriundos de recursos próprios da Prefeitura. O evento realizado na área que converge a Estação Ferroviária e o Galpão contou com duas atrações musicais – as Bandas URV e Macaco Véio –, barracas gastronômicas, pipoca, algodão-doce e brinquedos infláveis para a garotada.

A principal obra anunciada foi a reforma da Estação Ferroviária e do Galpão, no valor de R$ 840 mil, visando transformar ambos os espaços em locais para desenvolvimento de atividades culturais e de entretenimento. O pacote também contempla obras nas Emeis ‘Prof. Darcy Dalle Vedove’ (Parque Aliança, R$ 163 mil), ‘Nelson Chiozzini’ (Jardim Popular, R$ 103 mil), ‘Profª. Elizinha Bueno’ (Jardim Paraíso, R$ 236 mil) e ‘Íris Bocchi Marchesan’ (Jardim São José, R$ 238 mil). 

Outras obras serão realizadas na Emef ‘Profª. Helena Borsetti’ (distrito de São Lourenço do Turvo, R$ 253 mil), em duas sedes do Projeto Pequeno Cidadão (Jardim Paraíso, R$ 103 mil e Vila Maria, R$ 264 mil), no CEU das Artes ‘Josceley Maria Clemente (Jô, Portal Terra da Saudade, R$ 138 mil) e na Base Comunitária ‘Benedito Sales Bueno’ (Dito Soldado, Jardim Itália, R$ 70 mil).

Além de Cido Ferrari, pronunciaram-se o secretário municipal de Educação e Cultura, Alexandre Luiz Martins de Freitas; o vereador Paulo Augusto Bernardi (que representou ao presidente da Câmara Municipal, Sidinei Calabres - China) e o autor desta matéria, que solicitou a palavra para agradecer ao prefeito pela obra na Estação Ferroviária e no Galpão, algo esperado há mais de dez anos, com várias matérias sobre o tema publicadas em A Comarca.

Tiveram presenças destacadas na noite de assinatura das Ordens de Serviço a primeira-dama Márcia Dornelas Ferrari (presidente do Fundo Social de Solidariedade) e representantes das empresas GPlan Construtora, EL Obras e Serviços, Center Sul Construções e Villabunker Construções, que se incumbirão das obras.

Diretoras e representantes das unidades que receberão obras também foram ressaltados pelo cerimonialista Milton Nunes: Alessandra Aparecida da Motta, Eliana da Silva Rosa Meneguesso, Elio Floriano, Glória Pinotti, Kátia Cristina Alves Assis Prudêncio, Milena Prandi Vieira Ribeiro Ferreira, Monaliza Vituci, Nahama Bucker, Simone Marcondes e Verônica Quirino da Costa Silva.

DEPOIMENTOS

Bernardi salientou que, desde o começo do seu mandato, se mostrou preocupado com as obras paralisadas em Matão. “De forma equilibrada, técnica e plural, Cido Ferrari deu continuidade e finalizou parte destas obras, sendo que outra parte delas será concluída. Parabenizo ao prefeito pelo respeito com o dinheiro público, bem como pela coragem e decisões acertadas que respeitam e tratam bem da população de forma geral, atendendo a todos”, resume o vereador.

Para Alexandre, “é uma alegria observar o prefeito Cido Ferrari assinar Ordens de Serviço nesta quantidade e envergadura, abrangendo a cultura, o entretenimento, mas principalmente todo o contexto educacional, pois deixar as escolas mais amplas, seguras, bonitas e agradáveis significa investir no aluno, na sua família, enfim, em toda a sociedade, mas sobretudo nos professores. Valorizar o professor, a educação, é fundamental e esta gestão tem feito isso”.

“Fico feliz com o comparecimento das pessoas, pois elas reforçam a valorização dada por nossa gestão ao município, sendo um indicativo de que estamos no caminho certo. Certamente, nossa equipe do setor de cultura providenciará muitas atividades para a população na Estação Ferroviária e toda a comunidade escolar usufruirá das melhorias. Agradeço a Deus pela boa administração que estamos fazendo, pois, em pleno mês de novembro, a maioria dos prefeitos está ‘com a língua roxa’, passando por dificuldades financeiras, e nós estamos assinando Ordens de Serviço. Vamos adiante!”, sintetiza Cido Ferrari.

MOBILIZAÇÃO

Foi em meados de dezembro de 2012, num momento de lembrança temperado por nostalgia, que Eloisa Vidal Cavichia postou – sem o desdobro de intenções – uma fotografia no Facebook. Registrada da passarela, a imagem era alusiva à extinta Estação Ferroviária e seu entorno. Naturalmente, surgiram contatos dos mais variados conteúdos.

Sequentemente, a psicóloga Angela Teresa Massocato criou na rede social o grupo ‘Vamos salvar a nossa Estação Ferroviária?’ e convidados passaram a integrá-lo. Reuniões e palestra ocorreram na Estação da Quinze, pois Joemir Antonio Pinotti de Oliveira abriu as portas do seu estabelecimento para que integrantes do grupo se encontrassem.

O grupo presencial sempre teve quantidade diminuta, comparada ao número de integrantes existente pela Internet. O principal ato do ‘Vamos salvar a nossa Estação Ferroviária?’ foi um abraço coletivo no prédio principal, realizado no dia 22 de abril de 2018 por seus membros, representantes de entidades e outros cidadãos, desejosos pela reforma que começa a ser providenciada.

Os desdobramentos de uma conquista

Ações relacionadas à reforma da Estação Ferroviária são manifestadas há tempos

Em 1997 ainda existia o transporte ferroviário de passageiros em Matão, mas de forma reduzida, quase inexistente, sendo extinto oficialmente pela concessionária Ferroban em 18 de janeiro de 1999. Num anoitecer, gravando documentário para uma rede televisiva de outra cidade, a então secretária municipal de Educação e Cultura, Maria de Lourdes Ortiz Gandini Baldan (Ude), mencionou que “a Estação Ferroviária poderia se tornar um ponto cultural, turístico”.

No seu primeiro mandato, o saudoso ex-prefeito Adauto Scardoelli também citou em conversas, depoimentos e um ou outro discurso, a mesma vontade de Ude Baldan, mas o governo municipal de 1997 a 2000 não tornou oficial este intuito, sobretudo porque a concessionária ainda usava o prédio, detinha galpões e todo o entorno.

Em 2002, no segundo mandato do saudoso ex-prefeito Jayme Gimenez (2001-2004), a Prefeitura queria transformar a estação e o galpão em espaço cultural e turístico para Matão, manifestando oficialmente sua intenção à Rede Ferroviária Federal (RFF). O propósito tomou impulso após o consentimento da proprietária quanto a venda dos prédios em seis parcelas por R$ 89 mil.

A Secretaria Municipal da Fazenda providenciou estudo para viabilizar a aquisição. Mas a RFF tinha uma dívida com a Prefeitura relacionada a tributos – principalmente IPTU – que atingia mais da metade deste valor. Então, o abatimento da dívida foi proposto à RFF. Essa iniciativa culminou no Tombamento Administrativo dos prédios, por meio da Lei Municipal nº 3.314, de 8 de agosto de 2003, de autoria do ex-vereador Edson Aparecido Corrêa (China).

No dia 28 de abril de 2015 ocorreu um importantíssimo impulso durante o mandato do ex-prefeito Chico Dumont (2013-2016), que conseguiu o Termo de Cessão de Uso Gratuito. Matão recebeu inicialmente 6.554,53 m² do total de 30.000 m², abrangendo o pátio e duas benfeitorias: a Estação Ferroviária (190 m²) e o galpão mais próximo dela (440 m²). O terreno corresponde a uma área retangular entre a ferrovia e a Rua Castro Alves; e entre as Avenidas 28 de Agosto e Benício Pinto de Mendonça.

Em 2017, na gestão do ex-prefeito Edinardo Esquetini (2017-2020), o projeto de revitalização – existente desde a gestão anterior – foi refeito e, em dezembro de 2017, o então diretor municipal de Cultura, Julio Cesar Ribeiro da Silva, encaminhou Carta Consulta em atendimento cronológico ao Edital do Fundo Estadual de Defesa dos Interesses Difusos (FID), visando a instalação de um Museu Inclusivo e Digital (MID).

No dia 28 de fevereiro de 2018, este projeto foi pré-selecionado pelo Conselho Gestor do FID, condição oficializada por publicação no Diário Oficial do Governo do Estado de São Paulo (Doesp). No dia 12 de agosto de 2020, o Governo Paulista assinou ‘Termo de Convênio’ com a Prefeitura de Matão por meio da Secretaria da Justiça e Cidadania e o Conselho Gestor do FID.

A licitação foi aberta na gestão de Esquetini e continuou na atual administração, mas nenhuma empresa se interessou. Diante disso, um novo projeto foi elaborado e reapresentado ao FID, mas sem conseguir a prorrogação do prazo do convênio. Mais ajustes foram feitos no projeto, por parte da atual administração municipal, culminando na assinatura da Ordem de Serviço ocorrida no último dia 10.

INAUGURADA EM 1899

O traçado da Estrada de Ferro Araraquara (EFA) chegou a Matão em 1897 e seus trilhos, no final de 1898. No dia 25 de março de 1899 foi oficialmente inaugurada a Estação Ferroviária (denominada ‘Capela de Mattão’). No dia 29 de dezembro de 1900 foi inaugurada a então denominada Estação Ferroviária de Santa Josefa (Silvânia).

A Estação Ferroviária, outros barracões, casas e terrenos estão numa área total de 30.000 m², sendo que a Prefeitura de Matão recebeu inicialmente 6.554,53 m² deste total, correspondendo ao pátio e a duas benfeitorias: a própria Estação (190 m²) e o galpão mais próximo dela (440 m²), inaugurado no dia 12 de outubro de 1922.
 

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