Perda: Antonio Fecchio faleceu aos 87 anos
Ele foi presidente da Sorema por dois mandatos, no início da década de 1980
Do acervo · publicada originalmente em 28 de outubro de 2023
Fonte: Rogério Bordignon, postado por Natali Galvão
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Foto: Divulgação
Acervo · 2023Aos 87 anos de idade, Antonio Fecchio morreu por volta das 17 horas da sexta-feira (20), no Hospital ‘Carlos Fernando Malzoni’, vítima de pneumonia. Lutando contra cânceres no pescoço e na garganta, ele ficou mais debilitado na semana que antecedeu sua passagem. Foi sepultado na manhã do sábado (21), no Cemitério Municipal. Neste sábado (28), às 19 horas, será celebrada a Missa de Sétimo Dia na Igreja Matriz Senhor Bom Jesus de Matão.
Antonio Fecchio nasceu em Matão, no dia 10 de abril de 1936. Segundo filho de Fermino e Philomena Secco Fecchio, é irmão de Ernesto, José (saudoso), Maria, João (saudoso) e Fermino. Foi barbeiro de 1946 a 1965, aprendendo com Domingos Torres, trabalhando também com Silvio Cortez e Vicente de Lucca.
Quando Vicente mudou-se para São Paulo, Antonio ficou com o salão dele, instalado quase na esquina da Avenida 15 de Novembro com a Rua João Pessoa e, depois, na metade do quarteirão entre a João Pessoa e a Rua Rui Barbosa, na mesma avenida.
“Me contaram que meu pai era tão profissional que diariamente, após fechar o salão, ficava até as 22 horas afiando seus instrumentos para melhor trabalhar no dia seguinte, a partir das 9 horas. Era comum ter fila para seus cortes e alguns clientes chegavam antes da hora dele começar a trabalhar ou até iam buscá-lo em casa para atendê-los”, cita o filho Fábio Henrique Fecchio.
Já namorando com sua futura esposa Marisa de Fátima Cadioli Fecchio, abandonou a profissão de barbeiro e ingressou no antigo Banespa por concurso, em 1965, atuando como escriturário até o dia 30 de setembro de 1987. Casou-se no dia 10 de julho de 1971 com Marisa, matrimônio que gerou Fábio Henrique (casado com Cristiane Zanni Hubinger), Claudio Augusto (Cacá, casado com Silvana Soares Fecchio, pais de Maria Eduarda e Vitor Augusto) e Eduardo Antonio (Dudu).
Em 1972, Fecchio e o saudoso Wladir Benassi continuaram o loteamento Nova Matão. Adquiriu experiência e, em 1977, inaugurou com Nelson Aparecido de Moraes a Imobiliária Sicalofachá, loteando inicialmente o Jardim do Bosque 1. Depois, o Jardim do Bosque 2, Jardim Itália, Aeroporto 1 e 2, Recanto dos Pinheiros, Residenciais Olívio Benassi e Orminda Bottura Benassi, Nova Cidade, entre outros.
Na época, era difícil chegar ao Bosque quando chovia. “Conversando com o saudoso Durvalino, que ficava no Ponto de Táxi Esplanada, meu pai comentou que iniciaria o Jardim do Bosque 1 na época das chuvas. Nos dias seguintes, o Durvalino, inteligentemente, vendeu o carro e comprou uma Rural Willys. Como resultado, durante um bom tempo, praticamente só o Durvalino levou clientes ao loteamento”, conta Fábio.
Ao longo de cada loteamento era necessário receber os valores de cada cliente, e o saudoso Wilson Luiz Bertachini (Moio) era o amigo e colaborador encarregado de fazer isso. “Uma vez por semana, aos sábados, Moio visitava muitos clientes. Tempo depois, ele foi eleito vereador pela primeira vez, iniciando por seus méritos uma carreira política muito bem-sucedida”, relata Fábio.
Por volta de 2008, Fecchio se desvinculou da Sicalofachá para atuar ao lado do filho Cacá na Garra Imóveis, onde trabalhou até seus últimos dias com a mesma dedicação, carinho e atenção a todos.
Fecchio foi tesoureiro da Sociedade Recreativa Matonense (Sorema) de 1979 a 1980. Presidiu o clube por dois mandatos: 1981 a 1982 e 1983 a 1984, sendo o 2º tesoureiro de 1985 a 1986. Presidiu o Conselho Deliberativo (CD) da Sorema após estas três atuações na Diretoria Executiva, deixando esta função ao final de 1988.
“Nesta época, ele e outros associados encontraram muito a fazer, sendo primordial organizar os registros dos títulos do clube, pois a Sorema não os tinha. Como o Governo Federal realizava o Censo Demográfico, meu pai, sagazmente, contratou a mesma equipe que encerrou os trabalhos censitários para efetuar o referido serviço para o clube”, comenta o filho.
“Fecchio, ‘Seu’ Fecchio, ‘Seu’ Antonio, Tio Toni, ‘Seu’ Toninho, Marido da Dona Marisa, Pai, Vovô, Irmão, Amigo, Pescador querido, amado e respeitado por muitos, que de tão organizado e por isso, por vezes, teimoso, esperou o expediente se encerrar em uma bela sexta-feira de Primavera para não atrapalhar ou incomodar ninguém com sua despedida”, destaca Fábio.
Um homem de família
“Com a árida formação – comum nas escolas na década de 1940 – meu pai deteve um raciocínio rápido, uma visão aguçada de onde estava e para onde ia, raríssimos sensos de objetividade e praticidade. Determinado, atento, organizado, disciplinado, comprometido, ético, honesto, sério – por vezes bravo –, católico consciente do seu papel cívico, caridoso, de humor reservado e de padrões muito elevados, foram estes os principais adjetivos do meu pai.
Numa manhã de um domingo do início da década de 1980, ele levava um dos meus irmãos, Cacá ou Dudu, ao Catecismo na Matriz Senhor Bom Jesus de Matão. Ao chegarem na esquina da Rua Cesário Motta com a Avenida 28 de Agosto, onde hoje está o Edifício Adriático, ele deu uma bala Chita a um deles que, de pronto, desembrulhou e jogou o papel, levado pelo vento. Meu pai parou e disse para ele pegar o papel.
Depois de correr bastante e voltar com o papel, meu irmão ganhou parabéns e a lição do meu pai, afirmando que ‘se alguém teve o descuido de jogar sujeira no chão, outro terá o trabalho árduo de pegar. Então, se cada um tiver um pouco de cuidado, a cidade fica mais limpa e melhor para todos’.
Ele foi um ‘homem de família’, de valor e não de preço e, como tal, sempre se contentou com paixões e prazeres simples, os mais importantes da vida: dias de almoços e festas da Família Fecchio; férias e viagens com a esposa e filhos; jogar bocha com amigos e, principalmente, de pescar com os amigos pescadores – roncadores e não roncadores – no Pesqueiro do Rio Verde, local que para ele era o Paraíso do Céu na Terra.
Costumava dizer que ‘dinheiro só resolve uma parte pequena das coisas’ e que ‘não se precisa de muito para viver bem e por um bom prato de comida na mesa’. Com esse espírito, ele se fez e refez na vida não uma, mas várias vezes, sempre tocando as almas e os corações de muitos e praticando o bem. Agradeceu a muitos e muitos o agradeceram.
Nossa família agradece a todos pelo carinho, pela amizade e pelos sentimentos nesse momento em que os fatos da vida se manifestam de forma tão clara, mostrando o quanto temos que aproveitar cada momento ao máximo para vivermos plenamente. Agradecemos especialmente a todos do Hospital ‘Carlos Fernando Malzoni’ pela atenção, paciência, dedicação e carinho dedicados a ele e a nós durante o período de internação.
‘Seu’ Antonio Fecchio viveu 87 anos de forma intensa, plena. Até partir, ele fez tudo que quis, do jeito que queria, diante de limites. Deixou legado de honestidade, realizações, boas ações e sinceras amizades. Cabe a nós familiares – principalmente aos filhos – o privilégio, a honra e a responsabilidade de manter a família, amizades e o seu bom nome. Ele segue com Deus e nós cá, com os homens. Quando nos reencontrarmos, comemoraremos mais um dia juntos, deixando a saudade para traz”. (Fábio Fecchio)
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