Cadu Crestani supera o desafio da Ultramaratona Bisa
Nadador concluiu a prova de 16 quilômetros no último dia 6, superando expectativas
Do acervo · publicada originalmente em 18 de setembro de 2023
Fonte: Rogério Bordignon, postado por Natali Galvão
Foto: Richard Carneiro
Acervo · 2023Carlos Eduardo Crestani (Cadu), professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP-Matão), onde é diretor de Projetos Embrapii Alimentos e coordenador do curso de extensão ‘Operador de Processos Industriais’, participou do percurso de 16 quilômetros da Ultramaratona Big Island Swimming Association (Bisa), prova disputada em mar aberto. Não há informação sobre outra pessoa de Matão que tenha participado de um desafio com esta distância em águas abertas. Sobre a aventura e seu desempenho na prova, A Comarca entrevistou Cadu.
O que é a Ultramaratona Bisa?
A Big Island Swimming Association (Bisa) é uma das maiores associações de ultramaratonas aquáticas no mundo. A prova é realizada em Ilha Grande (RJ), lugar declarado pela Unesco como Patrimônio Natural e Cultural da Humanidade. A Bisa oferece cinco grandes desafios – de 16, 25, 37, 48 e 76 quilômetros – que podem ser realizados de forma individual ou em revezamento.
Qual é o período de disputa?
As provas acontecem em mais de uma data, dependendo da decisão de atletas, equipes, técnicos... O meu nado, por exemplo, foi agendado para a janela de 4 a 10 de setembro, sendo que o meu desafio ocorreu no último dia 6. A escolha da data, dentro da janela, é realizada segundo a previsão do tempo para marés, ventos etc, escolhendo-se a primeira data em que seja seguro nadar. Por isso, viajamos em família e com a treinadora Marta Izo (Martinha), sendo que ela e minha esposa Glena foram no barco que acompanhou o meu nado. Minha prova era a segunda da janela; no dia 4, nadaram em revezamento dois atletas de São Paulo (Capital), Laís e Thiago, também orientados por Martinha.
O clima e as condições da maré são determinantes para a escolha da data do desafio, bem como para o desempenho do atleta.
Sim. E o período de 4 a 10 de setembro foi atípico naquela região, com muitas alterações de previsão climática dia após dia. A previsão é precisa com 48 horas de antecedência, pois pode se alterar num prazo maior e foi o que aconteceu. A previsão inicial era nadar na terça-feira (5), mas já no final de semana as condições se mostraram ruins para terça e quarta-feira (6), ficando planejado nadar na quinta-feira (7). Na terça-feira houve nova alteração, com previsão de condições não seguras para nado na quinta e na sexta-feira (8). Com isso, eu e Martinha decidimos que eu nadaria na quarta-feira, mesmo que a previsão não era das melhores, embora com condições seguras, mas difíceis para nadar.
Foi uma boa decisão nadar na quarta-feira (6)?
Acabou sendo ótima, porque apesar do dia feio, sem sol e com chuva, a previsão de muito vento não se concretizou e as condições do mar estavam ótimas para nadar. No último quarto de prova, local em que fazemos uma curva, a previsão era de vento e maré contrários; por isso, a orientação da treinadora foi a de fazer um nado conservador para guardar energia para este trecho. Mesmo assim, com um nado encaixado, com 3 horas de prova havia nadado 12,3 quilômetros, bem abaixo da parcial de recorde da prova, que é de um argentino profissional de águas abertas. Na parte final, fomos abençoados com um vento inesperado. Porém, a maré foi contrária e senti cansaço na última hora.
Com qual tempo você concluiu estes 16 quilômetros em mar aberto?
Terminei a prova em 4 horas, 21 minutos e 9 segundos (4h21’09’’), nove minutos acima do recorde, mas com tempo pessoal abaixo de expectativas, tanto minha quanto da Martinha. Foi muito melhor do que imaginávamos, ainda mais porque esta foi a primeira prova desse tipo na minha vida.
Como você se preparou para este desafio?
Foram quase sete meses de treinos realizados na Sociedade Recreativa Matonense (Sorema), orientados pela Martinha; alguns treinos em São Paulo, um deles com duração de 3 horas numa represa, semanas antes do desafio. Neste período, registramos 430 km de nado; alimentação e suplementação orientados pela nutricionista Alessandra Rodrigues e treino físico conduzido por Marcelo Rodrigues. Tenho muito a agradecer a esta equipe de profissionais e à Glena pelo apoio em todo este tempo!
Vai participar de outra ultramaratona?
Sim. Aproveitando a base de treinos, decidimos nadar no próximo mês de novembro a prova 14 Bis, a mais tradicional ultramaratona marítima do Brasil, entre Bertioga e Guarujá, com 24 quilômetros.
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