Artigo: Oscar Luiz de Moura Lacerda, in memorian
POR PAULO CÉSAR CEDRAN
Do acervo · publicada originalmente em 7 de julho de 2023
Fonte: Paulo César Cedran, mestre em Sociologia, doutor em Educação Escolar e docente do Centro Universitário Moura Lacerda (Ribeirão Preto), postado por Natali Galvão
Foto: Divulgação
Acervo · 2023No último dia 27 de junho, fui surpreendido com a triste notícia do falecimento do Doutor Oscar Luiz de Moura Lacerda. Do momento em que li a nota de pesar, publicada no grupo de WhatsApp de docentes do qual faço parte, a primeira reação foi conversar com os colegas para nos organizarmos e irmos a Ribeirão Preto, prestar nossas últimas homenagens ao nosso querido professor e amigo. Mas esse momento, quase que automático, graças a Deus, foi substituído por aquele que realmente deve ser o significativo quando nos referimos ao Doutor Oscar.
Refiro-me a ele no singular e, em outros momentos, penso em me referir a ele, enquanto nós, professores da Unidade 3, do Campus de Jaboticabal. O mesmo, atualmente, como docente da Unidade 2, do Campus de Ribeirão Preto. Não importa de onde eu me expresse; importa o que eu expresse. Posso afirmar que tive a grata satisfação de poder homenageá-lo em vida, num artigo publicado no Portal Process no dia 19 de junho de 2014, intitulado ‘Doutor Oscar’, por ocasião dos 91 anos da Instituição Moura Lacerda.
Naquele texto, deixei claro que, desde o dia que o conheci, numa entrevista para diretor de escola da Cooperativa CEM, em Matão, nos anos de 1990, até a presente data, nunca consegui separar a figura do professor, pai, amigo e nosso patrão, no bom sentido da palavra. Trabalhando ao longo de 23 anos, na Unidade 3 de Jaboticabal, foi ali que pude conhecer, pouco a pouco, cada uma dessas faces desse homem, de uma força de vontade inabalável, quando se tratava de defender o nome Moura Lacerda.
O orgulho com que se referia aos seus pais, em especial, seu pai e o legado deixado por ele, ultrapassou o centenário dessa instituição que tenho a honra de fazer parte. Sentia com a sua presença em nosso meio, o cuidado e o zelo de um pai que sabe agradar seus filhos, mas também os advertir, chamando-os a responsabilidade de uma forma, que nós saíamos, lhe devendo obrigação e desculpas.
Ele acompanhava nossas aulas, entrava em nossas classes, orientava nosso planejamento de turmas, estava sempre empenhado e atento a tudo o que diz respeito ao ofício de ensinar o que significa ser docente. Nosso último diálogo foi na reunião Consu/Cepex, no momento difícil, para todos, em função em toda crise provocada pela pandemia da covid-19. Mas, mesmo assim, ouvi-lo, nos dava uma esperança e um acalento.
Chegando esse ano, no dia 23 de maio, quando a instituição celebrou o seu centenário, voltando para minha casa, naquela terça feira, após as aulas, me perdi ouvindo música e lembrando desses 100 anos, fiz parte em 23 deles. Orei pela instituição e pelo Doutor Oscar com uma vontade tamanha de lhe dar um abraço e agradecer tudo que ele fez por mim e por nós em Jaboticabal.
Vivi momentos difíceis em que ele, olhando para meus olhos, colocou as mãos nos meus ombros, me disse: “Não se preocupe! Eu vou resolver e você estará conosco. Tudo dará certo!” Chorei de saudade, desses anos, desse tempo e da segurança dessas lembranças que ficaram eternizadas no último evento, ‘Dança para Todos’, realizado no dia 23 de maio de 2019, em que ele participou conosco em Jaboticabal. De lá para cá, quanta coisa mudou, meu Deus.
E há uma semana, ele nos deixou. Rendamos graças a Deus, por ele ter podido ver a Instituição Moura Lacerda, que ele e nós tanto amamos, completar 100 anos. Agradeçamos também a Deus, por nos permitir compartilhar esses anos de sua presença, no meio de nós. Fica a esperança para aqueles que creem que um dia, todos nos encontraremos na Casa do Pai, no dia eterno, contemplando o amor de Deus. Que ele possa ser acolhido nos braços de seus familiares e que possa olhar por nós e pela instituição, pela qual ele tanto lutou e dedicou sua vida, por mais de 70 anos.
Para repetir as palavras do apóstolo Paulo: ‘Combati o bom combate, terminei a minha corrida, conservei a fé. Agora, só me resta a coroa da justiça que o Senhor, justo juiz, me entregará naquele dia; e não somente a mim, mas para todos os que tiverem esperado, com amor, a sua manifestação”. (2 Tm 4, 6-8). Descanse em paz, Doutor Oscar. Missão cumprida.
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