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Tradição: Um legado de amor à terra

Gerações da família Capparelli mantêm produção agrícola em propriedade

Do acervo · publicada originalmente em 19 de maio de 2023

Fonte: Eliana Saraiva, postado por Natali Galvão

Foto: Divulgação

Visionário. Waldemar Capparelli investiu no plantio de 7.000 pés de seringueiras em 1987Acervo · 2023
Visionário. Waldemar Capparelli investiu no plantio de 7.000 pés de seringueiras em 1987

A década era de 1930 e ali pelas terras do Distrito Rural de Matão, hoje denominado como bairro de Silvânia, Belarmino Capparelli e Camila Generosa Pinotti Capparelli (Rica) – então proprietários do armazém do local – iniciavam a vida como produtores rurais, com predominância na época para a cultura do café, na Fazenda Santa Clara. Desta união nasceram quatro filhas (Catarina, Palmyra, Leticia e Clara) e quatro filhos (Eurico - falecido ainda muito jovem, Waldemar, Raul Erasmo e Ary Carlos), que juntamente com o pai se dedicaram e investiram no sítio da família.

Após o falecimento de Belarmino, em 1964, os três filhos assumem a propriedade. A cultura cafeeira é extinta, dando lugar para a cana-de-açúcar, pomares de laranja e para a agropecuária (gado leiteiro). Com o passar do tempo, já na década de 1980, Waldemar compra a parte dos irmãos Raul e Ary e, a partir de então, a propriedade rural passa por nova transformação. A praga do ‘amarelinho’ (CVC), disseminada pelo inseto vetor e também por mudas infectadas, causa graves prejuízos à citricultura e, assim, Waldemar extingue os pomares de laranja, dando espaço para a pastagem. E onde havia o plantio de cana-de-açúcar, surge a cultura de seringueiras.

Visionário, em 1987, Waldemar investiu no plantio de 7.000 pés de seringueiras, que demoram cerca de sete anos para atingir sua fase adulta e, assim, permitir o início do processo de extração do látex. Já em 1993, um incêndio acometeu parte do seringal e, dos 7.000 pés, 5.800 se mantiveram firmes para a continuidade da cultura, mas infelizmente Waldemar Capparelli não presenciou sua produção, vindo a falecer em 1995.

Como o seringal não parou de produzir, a viúva de Waldemar, Therezinha Dias Garcia Capparelli, reuniu a terceira geração da família para dar continuidade à cultura. Na ocasião, ela entendeu que lidar com o seringal era muito mais viável e juntamente com Ana Maria Garcia Capparelli Cadioli, casada com Roberto Luiz Cadioli (Rô), assumiram a coordenação dos trabalhos no sítio, já que as demais irmãs – Lia, Maria Alice (Mara) e Maria Cristina – residiam fora de Matão.

Atualmente, a propriedade rural conta com 70 hectares, onde 12.600 seringueiras são ativas e 26 hectares estão destinados à pastagem, completando o espaço com a Reserva Legal. A produção do seringal é destinada para a Hevea-Tec, usina de beneficiamento de látex natural, localizada em Jaci (SP). Quanto ao segmento agropecuário, Ana e Rô Cadioli, juntamente com as novas gerações, estão investindo no melhoramento genético bovino com a raça Nelore Pintado (novidade na região), cujas matrizes já estão inseminadas, aguardando o nascimento dos bezerros.

LEGADO

Da união entre Therezinha e Waldemar Capparelli nasceram:

* Lia Therezinha Garcia Capparelli (falecida), mãe de dois filhos e avó de três netos.

* Ana Maria Garcia Capparelli Cadioli, casada com Roberto Luiz Cadioli (Rô), mãe de duas filhas e avó de cinco netos.

* Maria Alice Garcia Capparelli (Mara), mãe de dois filhos e avó de quatro netos.

* Maria Cristina Garcia Capparelli Tritto (Kitty), casada com Marco Aurélio Costa Tritto, mãe de dois filhos.

Ana e Mara citam que a família está em sua quarta geração e que as lembranças são as melhores possíveis. “Papai sempre foi visionário. Trabalhou muito com uma visão futurista, mas seu legado maior foi a união da família. Nós, filhas, fomos criadas dentro da propriedade; papai construiu uma casa grande, tendo um quarto para cada filha e o quarto do casal patriarca. Ali vivemos, crescemos, nos reunimos com constância, criamos nossos filhos e hoje nossos filhos criam nossos netos – e sempre que possível, vêm para o sítio. Prevalece a união”, relata Mara.

Outra memória afetiva é a construção da Capelinha, a qual foi edificada por Belarmino com objetivo de pagar a promessa quando quitasse a dívida do sítio. “Essa capela foi edificada antes da igreja de Silvania. Então, as pessoas do bairro e fazendas vizinhas iam assistir missa, fazer primeira comunhão e até casamentos na nossa capelinha. Eu mesma fui batizada lá, em 1954”, conta Ana.

Com ares nostálgicos e imbuídas de felicidade, Ana e Mara frisam que a propriedade é como um oásis. “Ali temos a natureza aos nossos pés. O local é belo, tranquilo, cercado de pássaros que raramente vemos na zona urbana”, descreve Mara. “Temos nascentes de água que passam por dentro da propriedade e lindas memórias cravadas em nossos corações, como sinônimo de uma família unida pelo amor”, completa Ana.

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