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Negócios

Empreendimento: Turismo rural ganha espaço

Negócio possibilita manter as propriedades produtivas e gerar renda

Do acervo · publicada originalmente em 3 de maio de 2023

Fonte: Mariluci Schiavetto, postado por Natali Galvão

· Leitura de 5 min

Foto: Mariluci Schiavetto

'Rota do Peixe'. Pesque Pague instalado no Assentamento Monte Alegre, em MotucaAcervo · 2023
'Rota do Peixe'. Pesque Pague instalado no Assentamento Monte Alegre, em Motuca

Os impactos da pandemia de covid-19 no cotidiano das pessoas despertaram o interesse crescente por novas experiências de lazer ao ar livre, longe de aglomerações. Com isso, o turismo rural vem ganhando cada vez mais espaço. A aproximação com a natureza permite aos visitantes fazer conexões afetivas e novos valores são agregados ao consumo de produtos do campo, como modo de vida saudável, sustentabilidade, conscientização ambiental e biodiversidade. Já para os empreendedores, o turismo rural oferece uma alternativa para diversificação de sua renda, pois, além de manterem suas propriedades produtivas, muitos aproveitam o lucro obtido para fazer investimentos.

DIVERSIFICAÇÃO

A família do engenheiro agrônomo Marcos Vinícius Maximiano possui uma propriedade no Assentamento Monte Alegre, em Motuca. Por 20 anos, eles produziram somente hortaliças (no sistema de agricultura familiar), que eram comercializadas em feiras. Com as dificuldades de produção e comercialização devido às mudanças do clima e o cansaço provocado pela pesada rotina de feirante, a família resolveu apostar no turismo rural com a construção de um ‘pesque pague’ – como uma segunda fonte de renda. “Na propriedade, já tínhamos dois tanques com alguns peixes e ali percebemos a oportunidade de investir no ‘pesque pague’”, afirma Marcos.

Ao lado das estufas foram construídos mais dois tanques, com cerca de 450 peixes para pesca esportiva. Dos tanques que já existiam, um fica reservado para o ‘pesque pague’ (com Tilápia, Pintado e Pirarara) e o outro para a criação de alevinos. O Pesque Pague ‘Rota do Peixe’, inaugurado em 3 de dezembro de 2002, conta com restaurante, padaria e infraestrutura para atender visitantes e ciclistas, já que o lugar também integra a ‘Rota dos Ciclistas’. “Continuamos com a produção de hortaliças no sítio para abastecer o varejão que temos em Matão – outra aposta que fizemos para diversificar e ampliar as atividades através de empreendimentos em potencial”, esclarece o agrônomo.

NOVOS GANHOS

No bairro Josefina foi inaugurado, em novembro de 2021, o bar e restaurante ‘A Tuia’. O casal Wagner e Isabela Moris, que reside no Sítio São Lucas, iniciou o projeto em plena pandemia com a intenção de obter uma renda extra. O estabelecimento funciona na antiga tulha da propriedade, reformada e adaptada para a sua utilização como restaurante, mantendo os aspectos rústicos. “Era um local utilizado para guardar ferramentas e materiais para o manejo rural. A ideia inicial era transformar o espaço em uma venda parecida com a que existia no bairro Toriba. Após pesquisar e visitar alguns estabelecimentos parecidos em Dumont e Ribeirão Preto, consideramos a ideia de um restaurante”, explica Isabela.

A boa aceitação do público impulsionou o negócio. O local vem sendo constantemente aprimorado, com o aproveitamento das árvores e vegetações existentes. “As pessoas gostam de estar ao ar livre, mas era preciso abrigá-las do sol, da chuva e do vento, por isso, nosso primeiro investimento foi a cobertura do local”, conta Wagner. Isabela, por sua vez, utiliza sua habilidade de boa anfitriã, essencial para quem deseja investir no turismo rural. Compreender quem são os clientes, suas necessidades e expectativas é imprescindível para atendê-los da melhor forma. “Fazíamos muitas festas aqui no sítio, sempre para muitas pessoas que saíam perguntando quando seria a próxima”, lembra Isabela.

NO ASSENTAMENTO

Jiseli e o marido Eliezer Gomes Santana vivem há 17 anos no Sítio ‘Nossa Senhora de Fátima’, no Assentamento Monte Alegre 6. Nos últimos tempos, Jisele observou uma crescente procura por alimentos saudáveis, orgânicos e veganos de procedência confiável. E resolveu empreender. “Quando mudei para o sítio, já tinha em mente o desejo de investir na área de alimentação. Com a pandemia, vi a oportunidade de começar meu próprio negócio utilizando ervas, frutas, raízes e grãos”, revela Jiseli. No sítio, ela e o marido cultivam milho, mandioca, abobrinha e uma boa quantidade de ervas.

Com o conhecimento adquirido na Associação de Mulheres Assentadas, Jiseli resolveu investir na produção de pães e bolos naturais, utilizando os mais variados ingredientes – como a planta ora-pro-nóbis e a erva taioba. “Fiz parte da associação durante 11 anos e fiz vários cursos por lá, dentre eles o de panificação e fermentação natural”, comenta. Os produtos são comercializados no próprio sítio, no ‘Contêiner da Ji’. O local idealizado por ela foi inaugurado durante a pandemia para atender a quem faz o trajeto da ‘Rota dos Ciclistas’ por dentro do Assentamento Monte Alegre e também passa por uma feira em Araraquara. “Com a renda obtida na venda dos pães e bolos, construí os banheiros e pretendo ampliar a cozinha e o espaço de atendimento”, diz Jiseli.

TRADIÇÃO

O turismo rural abrange diversas atividades praticadas no meio rural, incluindo a culinária, a cultura, religião e costumes. Essa definição faz todo sentido quando se conhece o Sítio ‘Santa Mônica’, localizado no distrito de São Lourenço do Turvo. A propriedade pertence à família Ferreira que mantém a tradição de produzir doces caseiros, iniciada há 70 anos por Luiz Ferreira Junior (falecido em 2001) e Ivone Tucci Ferreira (em 2019). “São produzidos e comercializados no próprio sítio, 15 tipos de doces, além de queijo e linguiça de porco, tudo artesanal. Boa parte das frutas – como laranja, goiaba e mamão – é cultivada pela própria família, que também cuida da criação das vacas leiteiras e dos porcos”, explica Vilma Gomes Ferreira (nora de Ivone).

No início, o sítio produzia goiabas para uma empresa; posteriormente, a família resolveu abrir um restaurante na propriedade. Assim, em 2002, o ‘Santa Mônica’ iniciou suas atividades, trazendo o estilo e o gosto do campo. “No início, a comida era toda feita no fogão a lenha e a estrutura atendia 60 pessoas; agora, temos capacidade para receber 600 visitantes”, diz Vilma. A ideia de abrir um restaurante partiu de Luiz, após a realização de um grande almoço na propriedade. Hoje em dia, o negócio e a tradição são mantidos por Paulo Roberto Ferreira (filho de Luiz e Ivone), sua esposa Vilma e os filhos Daniel, Paulo e Pedro Luiz.

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