Vale Pereira faleceu
Ele foi o protagonista das festas do São Lourenço Atlético Clube
Do acervo · publicada originalmente em 19 de abril de 2023
Fonte: Rogério Bordignon, postado por Natali Galvão
· Leitura de 5 min
Foto: Rogério Bordignon
Acervo · 2023Por volta das 12h30 da terça-feira (18), Lorival Pereira (Vale) faleceu aos 83 anos, após 70 dias de internação no Hospital ‘Carlos Fernando Malzoni’ – sendo que ele teve alta e voltou ao hospital durante este período. Vale estava viúvo de Lourdes Apparecida Manechini desde 7 de agosto de 2021. Sua saúde começou a não ser a mesma desde o início de 2018, quando familiares passaram a perceber certas dificuldades de memória nele.
Era o início da convivência com o Alzheimer, algo que progressivamente dificultou os diálogos de um homem com tantos amigos, com quem conversava em tantos lares, lugares, altares e calçadas de Matão. ‘Dona’ Lourdes, a filha Cláudia e o filho Marcos Antonio abraçaram ainda mais ao Vale e cuidaram dele ainda mais com extremo amor e carinho. Os netos Gabriel e Maria Fernanda (filhos de Marcos e Suzilaine) sempre estiveram por perto do avô.
Filho de Antonio Pereira e Eliza Beltrão, Vale nasceu em Matão no dia 23 de fevereiro de 1940. Irmão de Laerte, Lúcio, Lourdes, Luiz, Leônidas (Kito), Leonor (Nore) e Dionísia (Nilda) – dos quais somente Laerte está vivo –, Vale se casou com Lourdes no dia 15 de maio de 1969. Foi motorista da diretoria na Marchesan Implementos e Máquinas Agrícolas ‘Tatu’ e atuou como motorista na Prefeitura de Matão, vinculado mais com o setor de Esportes, especialmente com o Estoril Tênis Clube.
Se aposentou na Prefeitura durante a gestão do ex-prefeito Luis Tadeo Gimenes, mas antes, em 1989, ele e amigos começaram a se reunir para celebrar a memória do irmão de Vale – Luizinho – bem como do time que o homenageado fundou no dia 10 de agosto de 1944, o São Lourenço Atlético Clube. Uma Comissão Organizadora se constituiu na sequência, contando nos primeiros anos com Vale, Sebastião Mariano de Souza (Tião Tatá), José Luiz Paiolo e Jurandyr Maccagnan (o saudoso Dide).
Com o passar do tempo, passaram a integrar o elenco: Lúcio Luiz de Souza, Ricardo Moris, Enéas Chiozzini Filho (Mano), Laerte Pereira, Fagner Pereira, Wanderley Constantino, Orivaldo Chiozzini (Ranquei), Edemar Gonçalves (Cabelo), dos quais Lúcio, Ranquei e Cabelo são saudosos. Eles organizavam anualmente a Missa em Ação de Graças e o evento festivo, que sempre contou com o apoio de outros amigos para acontecer.
Se tornou uma grande festa, recebendo grandes nomes do futebol brasileiro, até craques internacionalmente reconhecidos. Foi uma celebração grandiosa, com seus melhores e maiores momentos acontecendo no Clube da Bambozzi, sempre antecedida pelo jogo amistoso que também contou com a participação de vários jogadores convidados. O evento entrou para o Calendário Oficial do Município e o São Lourenço Atlético Clube foi tombado como patrimônio histórico e cultural.
O festivo ‘Encontro dos Amigos do São Lourenço’ aconteceu de 1989 a 2014 e depois voltou a ter o formato dos churrascos iniciais. Mas a Missa em Ação de Graças aconteceu em todos os anos. E o padre Maique Willian Mussafaro anunciou, diante do corpo de Vale e de Marcos e Cláudia, que pretende realizar a próxima Missa em Ação de Graças na Paróquia Nossa Senhora Aparecida e, sendo possível, um evento festivo também. Os filhos de Vale agradeceram a ele.
Cláudia e Marcos também agradecem aos padres Jorge João Aparecido Nahra e Emílio Carlos Mancini, bem como ao diácono Wlademir Donizete Liossi, assim como a equipe de enfermagem do Hospital de Matão, cuidadoras, familiares e a legião de amigos que caminharam com Vale. Eles agendariam a Missa de Sétimo Dia para a próxima semana. Marcos e Cláudia agradecem a todas as pessoas que manifestaram seus sentimentos a eles e familiares pela perda de Vale.
UMA PERDA SENTIDA
Sou um dos vários amigos de Vale Pereira e sinto bastante a sua partida. Fui pela primeira vez na ‘Festa do São Lourenço’ em 1997, acompanhando ao saudoso ex-prefeito Adauto Scardoelli, porque naquele momento eu era funcionário da Prefeitura. Este evento foi realizado no Clube dos Servidores Públicos Municipais, já contando com as tradicionais homenagens e com direito ao presente que Carlinhos Ragassi brindou a quem viu ele marcar um golaço de bicicleta. Eu vi.
Aliás, sempre vi um Vale Pereira transbordando de alegria pelo evento ocorrer. Fui em boa parte das Missas em Ação de Graças e em todas as ‘Festas do São Lourenço’ depois de 1997, jogando futebol algumas vezes. Recebi os membros da Comissão Organizadora em casa/estúdio com muita felicidade, para fazermos as matérias, as fotos e, por consequência, agradecer aos vários parceiros. Sinto saudade por não mais recebê-los... Sinto saudade deles e também por causa da ausência de outras pessoas.
Quando se conta a história de uma aldeia, laços se formam. Algumas pessoas, mais do que outras, se tornam mais amigas. Se já eram amigos, mais as amizades se consolidam. Contar a história da aldeia é se entrelaçar com as pessoas que a fizeram e/ou continuam fazendo. É um compromisso que se assume, um pacto natural que aproxima almas. Sem dúvida, meu espírito evoluiu bastante com todo este enraizamento, com toda essa sincera e profícua construção da aldeia.
Vale Pereira é uma grande parte que se desmembra fisicamente deste contexto, que se despede presencialmente da aldeia. Que pena, meu amigo Vale! O senhor não vai mais me pedir para fazer matérias, fotos. Pelo menos, por certo tempo... Fiz todas as fotos e matérias que o senhor me pediu. Todas!
Sinto sua falta e a de raros outros amigos que se mudaram para outros municípios ou para outras moradas e intervalos espirituais. Que pena, meus amigos! Parece que, cada vez mais, a aldeia se desfigura, se desmembra, se desfaz... se despede. Cada vez mais, parte de mim vai embora com eles...
É por vocês, amigos, que continuo aqui, ao lado de outros insistentes amigos que querem o bem de nossa Matão. Qual seria outro motivo, se não fosse honrar a minha missão de contar a história da aldeia? Qual seria o motivo, se não o cumprimento da missão de contar vossas histórias neste chão matonense?
Vale Pereira, meu amigo! Guardarei mais ainda a tua memória, por um motivo marcante para mim. Além dos meus pais, Norival e Dalva, da minha saudosa Avó Norma e da minha Tia Maria Elisa, somente outras duas pessoas me chamaram de filho: você, meu amigo Vale Pereira, e ‘Dona’ Maria Aparecida Mingorance Antoniosi.
Não sei a quantas pessoas o senhor estendeu o afeto, o carinho de chamá-las de ‘filho’, de ‘filha’. Mas eu tive esta felicidade. E te agradeço muito também por isso, amigo Vale! Como esquecer a quem te chamou de filho? Jamais! Fique com Deus, amigo Vale! Até breve!
FORTE ABRAÇO!
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