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ARTIGO: 20 de março - Dia Mundial da Agricultura

POR ANTONIO LUIZ ZUCOLO

Do acervo · publicada originalmente em 20 de março de 2023

Fonte: Antonio Luiz Zucolo, engenheiro agrônomo, postado por Natali Galvão

Foto: Divulgação

Antonio Luiz Zucolo é engenheiro agrônomoAcervo · 2023
Antonio Luiz Zucolo é engenheiro agrônomo

Nós, assim como todos os animais, conseguimos viver graças à ENERGIA que adquirimos a partir dos alimentos que consumimos. Esta energia dá a capacidade ao nosso corpo de executar todas as funções necessárias para nossa sobrevivência, e esta mesma energia é transferida ao longo de uma cadeia ou de uma teia alimentar. Desta forma, nenhuma população cresce e se desenvolve sem uma oferta suficiente de alimentos.

Já preocupado com a garantia de sua alimentação, o homem – há cerca de 15 mil anos – começou a entender que as sementes, quando enterradas, germinavam e cresciam, dando a certeza da colheita e da alimentação de sua tribo. Portanto, a partir da pré-história, o homem já não dependia mais apenas da caça e da pesca para sua alimentação. Assim surgiu o cultivo das primeiras plantas domesticadas, entre as quais se incluem o trigo e a cevada nessa nova atividade recém-descoberta chamada agricultura.

A partir daí, a população não parou mais de crescer e houve a necessidade da busca de novas áreas mais produtivas, pois as primeiras já estavam esgotadas e não produziam mais. Com o aumento da população, a produção agrícola não acompanhava a demanda de alimentos, e no século XVIII, Tomas Robert Malthus, um estudioso da época, lançou a teoria de que se a população continuasse com aquela taxa de crescimento e a mesma produção de alimentos, caminharia para a fome e a miséria.

Mas Malthus estava errado, pois a agricultura passaria por duas grandes mudanças: a Revolução Agrícola, logo após a Revolução Industrial - a mais importante, e a Revolução Verde, logo após a Segunda Guerra Mundial. Novas técnicas de plantio e cultivo, melhoramentos genéticos e o uso de corretivos e fertilizantes aumentavam a produtividade, nas mesmas áreas. Os investimentos em pesquisa aumentavam a cada ano, na busca por maior produtividade, maior rendimento industrial, produtos mais nutritivos, resistentes a pragas e doenças, novas técnicas de plantio, entre outros.

Tudo isso fez com que a oferta de produtos vindos da terra batesse recorde a cada ano. Isso trazia também o aumento na produção de proteína animal, e de produtos lácteos, e passou-se a produzir também fibras, medicamentos, bebidas, biocombustíveis, energia. Segundo a FAO, a cada quatro pessoas no mundo, uma tem trabalho ligado a agricultura. No Brasil, com a criação da Embrapa em dezembro de 1972, a agricultura – que produzia pouco mais de 30 milhões toneladas de grãos – começou a se destacar no cenário mundial, na produção de grãos e de proteína animal.

O Cerrado brasileiro, tido por muita gente como futuro deserto se explorado pela agricultura, através das pesquisas da Embrapa, conseguiu de forma sustentável, além de produtividades comparáveis às melhores do mundo, exportar essa tecnologia para outros países. O plantio direto, tecnologia que deu muito certo no Cerrado, tem sido exemplo de conservação do solo e preservação do meio ambiente. A resultante de todos esses esforços fez com que nossa agricultura caminhasse para o topo do cenário mundial.

O Brasil bate recorde de produção a cada ano, e na safra 2022/2023, segundo a Conab, pela primeira vez ultrapassa a casa de 300 milhões de toneladas de grãos, como o maior exportador mundial de milho e detentor de mais de 50% de toda a soja exportada no mundo, além de ser o maior exportador de proteína animal do planeta. Nossa agricultura contribui com cerca de 1/3 do nosso PIB e emprega, segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) – USP, cerca de 20% da mão de obra. Portanto, podemos dizer que a nossa tecnologia na produção de alimentos vindos da terra serve de exemplo ao mundo. Parabéns ao nosso agricultor e a nossa agricultura, que continuam a obra do salvador, “Tirando da Terra o Milagre da Vida”.

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