Janeiro Branco incentiva busca do equilíbrio mental
Movimento que chama atenção para a necessidade de cuidados preventivos chega à 10ª edição
Do acervo · publicada originalmente em 20 de janeiro de 2023
Fonte: Natali Galvão - free lancer, postado por Natali Galvão
Foto: Natali Galvão
Acervo · 2023Janeiro Branco é um movimento social dedicado à defesa da saúde mental. É também o nome do instituto que coordena esse movimento, que em 2023 está em sua 10ª edição e apresenta o tema ‘A vida pede equilíbrio’.
A psicóloga Mariana Rita Goy Magnabosco Zucchini, que atua como articuladora de saúde mental na Rede de Atenção Psicossocial (Raps-Matão), reforça a relevância do tema. “É importante equilibrar o trabalho com o lazer, a alimentação, a atividade física e com as relações interpessoais”, exemplifica.
O objetivo do movimento é chamar a atenção das pessoas, das instituições, das sociedades e das autoridades para as necessidades relacionadas à saúde mental. “Além de buscar o equilíbrio, ser resiliente a adversidades e capaz de se adaptar a mudanças também é importante. Quanto maior forem essas características, melhor a pessoa vai se sentir”, afirma a psicóloga.
Segundo o instituto Janeiro Branco, o primeiro mês do ano inspira as pessoas a fazerem reflexões acerca de suas vidas, de suas relações, dos sentidos que possuem, do passado que viveram e dos objetivos que desejam alcançar no ano que se inicia.
“A cor branca foi escolhida por, simbolicamente, representar folhas ou telas em branco sobre as quais podemos projetar, escrever ou desenhar expectativas, desejos, histórias ou mudanças que sonhamos e desejamos concretizar”, informa o instituto.
Porém, se os planos não derem certo e surgir a frustração, é importante saber lidar com ela. “Nessa situação, a pessoa pode parar e refletir sobre qual foi a sua responsabilidade e o que pode fazer daqui para frente”, orienta Mariana.
ANSIEDADE E DEPRESSÃO
Dentre os transtornos mentais existentes, os que mais afetam a população matonense atualmente são a ansiedade e a depressão. O número de pessoas acometidas por esses transtornos vem crescendo nos últimos anos.
“Em 2020 teve início a pandemia de covid-19 e, de lá para cá, aumentaram os casos desses transtornos na cidade”, afirma a coordenadora do Centro de Saúde Mental Infantil (Centrinho), Maria Emília Fortunato Moraes Panegossi.
“A pandemia afetou a saúde mental de todos, uns em grau menor, outros em grau maior, devido às situações vivenciadas nesse período, como luto, adoecimento, sequelas, perda de emprego, dificuldades financeiras”, explica Mariana Zucchini.
Tanto a ansiedade quanto a depressão são causadas por uma combinação de fatores – por exemplo, genéticos e ambientais. O diagnóstico deve ser feito por um profissional, que indicará o tratamento de acordo com os sintomas.
“Há casos em que só a psicoterapia é suficiente, mas há casos em que ela precisa ser combinada com medicamentos. O tratamento é fundamental, pois permite que a pessoa tenha uma melhor qualidade de vida”, ressaltam Mariana e Maria Emília.
Sintomas como mudanças bruscas de comportamento, desânimo e nervosismo excessivos e alterações de sono e apetite são indicativos de que é preciso buscar a ajuda de um profissional.
A Raps-Matão conta com serviços especializados oferecidos no Centro de Saúde Mental Infantil (Centrinho), Núcleo de Prevenção à Violência, Ambulatório de Saúde Mental, Caps II ‘Minha Casa’ e Caps ‘Álcool e Drogas’. Conta também com o atendimento de um psiquiatra na Unidade Básica de Saúde do Quarto Centenário.
Em casos de urgência e emergência, a orientação é acionar o Samu para o encaminhamento ao Pronto Socorro do Hospital ‘Carlos Fernando Malzoni’, onde estão instalados os leitos psicossociais do SUS que podem ser requisitados para internações em períodos breves.
SUICÍDIO
De acordo com Mariana, 90% dos casos de suicídio estão relacionados a transtornos mentais não tratados, como depressão, bipolaridade e abuso de substâncias.
Os outros 10% estão relacionados à impulsividade gerada pela falta de recursos internos para lidar com situações adversas da vida.
“Para as pessoas que já tentaram o suicídio e seus familiares, o Caps II ‘Minha Casa’ disponibiliza apoio através do Grupo Fica, cujas reuniões acontecem às segundas-feiras”, encerra a psicóloga.
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