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Cultura e Variedades

ARTIGO: Um histórico da nossa paróquia

POR PAULO CÉSAR CEDRAN

Do acervo · publicada originalmente em 21 de janeiro de 2023

Fonte: Paulo César Cedran, coordenador do Programa Memória Dobradense, postado por Natali Galvão

· Leitura de 11 min

Foto: Divulgação

Paulo César Cedran é coordenador do Programa Memória DobradenseAcervo · 2023
Paulo César Cedran é coordenador do Programa Memória Dobradense

Em 1921, a então Capela do Curato de Dobrada, pertencente à Paróquia do Senhor Bom Jesus de Matão, tem nomeado por dom José Marcondes Homem de Mello (arcebispo-bispo de São Carlos do Pinhal) o padre Luiz Priuli, incumbido de organizar o patrimônio da futura paróquia. A nomeação como capelão e cura do Distrito de Paz de Dobrada significou expressivo reconhecimento da importância da povoação, cuja fundação remonta a 1893, por um grupo de imigrantes italianos que se fixou na então denominada Sesmaria dos Cocais. Elevado à categoria de vila e agraciado pela igreja com o título de Capela, o então povoado começa a organizar seu patrimônio como o terreno para a construção da casa paroquial e do batistério.

Nossa gratidão aos senhores Leopoldo Vieira Barreto, bem como a Valdomiro e Carlos Pinto Alves, que doaram terrenos e possibilitaram a formação do patrimônio inicial da paróquia e da Capela Santo Antônio, para a construção da matriz e da capela. No dia 1º de janeiro de 1927 foi inaugurado o batistério, com o batismo de Nazário Jordão pelo padre Roque Scafoglio, que sucedeu ao padre Antônio Purita, marcando, até então, a presença de três sacerdotes desde a origem da paróquia.

As primeiras tarefas desses sacerdotes foram relacionadas à formação do patrimônio da Capelania, para então tornar-se paróquia (terreno, casa paroquial, batistério, sagradas alfaias, imagens, vasos sagrados, toalhas e demais paramentos necessários à digna celebração da Santa Missa), como também para ministrar os sacramentos da igreja. No dia 19 de novembro de 1923, o padre vigário Salvador Castella assume a Paróquia São Francisco de Paula, cuja criação ocorreu em 14 de janeiro daquele ano, sob a atuação do padre Roque Scafoglio. Ao mesmo tempo é nomeado o fabriqueiro da paróquia, Alfredo de Menezes.

É importante lembrar dos conselheiros que zelaram e zelam por nossa paróquia, auxiliando vigários na condução das finanças e cuidando de seu patrimônio: Honorato Tedeschi; Luiz e Alfredo Passerini; Eugênio Comar; Liberato Felipe Meloni; Roberto Piacenti; Florindo Micheloni; Cênia Gorni Zavitoski; Margarida Venceslau; Cosma da Silva; Tereza e Maria Monezi; Olímpia Stocco Furia; Léia de Fátima Mihai; Pierina Benzatti; Ermelinda Bellentani; Adélia Garcia Frare, entre tantos outros.

Quando da criação da Capela do Curato, o trabalho do padre Germano Herrera – que assumiu em seguida – esteve voltado a dotar a igreja de mais imagens, paramentos, vasos sagrados, para que a paróquia pudesse celebrar o culto sagrado. O primeiro grupo da paróquia voltado à presença dos leigos surgiu quando da criação da Pia União das Filhas de Maria, em 24 de agosto de 1928. Nossa lembrança à Maria Rosa Morano Passerini, que nos legou muito do que pudemos contar dessa história através dos seus registros fotográficos.

Em 5 de dezembro de 1930 ocorre a fundação da Congregação Mariana, contando com 25 moços. Destaque para os jovens Felício Geremias Passerini e Saturno Basaglia, sobretudo à dedicação de Felício e sua família. Em 20 de agosto de 1931, o padre Germano Herrera Del Colladoz assume definitivamente a paróquia e se empenha na construção da nova matriz, cuja Pedra Fundamental foi lançada no dia 9 de janeiro de 1935.

No dia 18 de outubro de 1936 é fundada a União para a Propagação da Fé, contando com 43 associados e quatro zeladoras, sendo este o terceiro grupo de leigos em nossa paróquia, com destaque para as famílias Durante, Monezi, Canova, Comar, Barbizan, Scabello, Morano, Cimatti, Sanchez, Jenssen, Tavares, Bertonha, Frare, Trevisan, Cremonesi, Spinelli, Maurutto, Caropreso, Jaquinto, Micheloni, Cavichiolli, Filipini, Callestini, Nocitti, Gregório, Américo, Torres, Turricci, Barbieri, Bernardi, Zanchetta, Ruiz, Cavichia, Araújo, Huss, Formigoni, Messa e Puerta.

Por breve período, o cônego Miguel dos Reis de Mello (12 de março de 1933 a 25 de fevereiro de 1934) respondeu pela paróquia junto com o padre Germano, enquanto este viajou para a Espanha, período em que se organizam os recursos necessários para iniciar a construção da nova matriz. Em 29 de dezembro de 1936, o padre Edmundo Cortez toma posse e seu trabalho se volta à manutenção de recursos para dar continuidade à obra da nova matriz.

O padre João Nolte toma posse no dia 30 de janeiro de 1939 e seu trabalho segue até 31 de dezembro de 1939, sendo que antes, no dia 24 de outubro de 1939, é fundada a Irmandade do Santíssimo Sacramento, contando com 30 irmãos. Também foram fundados o Apostolado da Oração e a Cruzada Eucarística. O padre José Kaiser atua do final do trabalho anterior até o dia 2 de junho de 1940. O padre Gregório Real Alcalde (10 de junho a 6 de outubro de 1940) é sucedido pelo padre Alfredo Reith.

Em 17 de maio de 1941, assume o padre Francisco Steiner, incentivador da catequese no Grupo Escolar de Dobrada, bem como das obras para a propagação da fé, voltadas às ações do Dia Mundial das Missões, celebrado em outubro. No dia 25 de janeiro de 1945, toma posse o padre José Moran, que comemorou, em nossa paróquia, suas bodas de ouro sacerdotal, permanecendo até 1952, contando com o auxílio de padres alemães que passaram a atuar na Diocese de São Carlos, fugindo da perseguição nazista na Segunda Guerra Mundial. Nesse período, o monsenhor Ednyr Roveri ingressa no Seminário Diocesano de São Carlos e, ordenado padre, assume a Paróquia do Divino Espírito Santo, em Itápolis, onde permanece até falecer em março de 2020.

Em 20 de dezembro de 1952, o padre José Matlok é acompanhado interinamente pelo padre Pelegrino Simões, que renova o trabalho pastoral da igreja, criando um parque infantil ao lado da casa paroquial, prenúncio de um trabalho voltado à educação infantil em Dobrada. Nesse período, o monsenhor Luiz Carlos Gonçalves iniciou estudos no Seminário Diocesano de São Carlos, exercendo funções sacerdotais junto à Diocese de São Carlos até falecer no dia 25 de janeiro de 2022.

Em 25 de outubro de 1955, assume o padre Osmar Ticianelli, que incentivou a construção da Capela de São Joaquim, em Santa Ernestina. No dia 9 de fevereiro de 1958, começa a atuar o padre Geraldo Chizzotti, motivador da catequese e dos Movimentos Marianos, permanecendo até 10 de junho de 1963, quando assume o padre Albert Tervisen Taffel, ficando até falecer no dia 28 de dezembro de 1966. Pelo carinho da população, seu corpo encontra-se sepultado no Cemitério Municipal de Dobrada.

Em 1º de outubro de 1967, o padre Miguel Conde Zubieta incentiva associações e torna-se muito querido. No dia 29 de junho de 1970, ele comemorou 80 anos e, conforme descreveu o professor Azor Silveira Leite, recebeu muitas homenagens. Após seu falecimento, a Diocese de Jaboticabal nomeia o padre Airton Ibrahim Annuar Bussamara em 12 de abril de 1974. Com ele, mudanças acontecem, como o cursilho para casais, coordenado por Nivaldo Cappi Frare e sua esposa Cleide Maria Bernardi Frare e também por Benedito Machado da Silva e Waldomira Colombo Machado da Silva.

Padre Airton fica até 1975, quando chegam os padres Antônio Ramalho, Gabriel Augusto Franco Vaz e José Domingos Bragheto. Este último permanece até 1985. A chegada dos três párocos marca o período de ingresso da paróquia ao Concilio Vaticano II e suas propostas para uma igreja renovada, mais voltada às causas sociais. Trabalhando pela defesa dos pobres e marginalizados, o padre Braghetto incentiva a fundação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Dobrada, bem como das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), participando também da fundação do Partido dos Trabalhadores em Dobrada. Ele conta com a ajuda das Irmãs Andrelinas de Jaboticabal e incentiva a criação de uma pastoral voltada para a catequese, até então, ministrada por Júlia e Lydia Scabello; Itália e Carolina Basaglia.

A presença de jovens no grupo Santo Antônio trouxe também uma renovação e a criação de um grupo de canto, coordenado por Paulo Sergio Durante, que tinha Daise Teresa Frare entre seus cantores. Este grupo deu origem ao atual coral da São Francisco de Paula. Até meados da década de 1970, os cantos eram executados no coro da matriz por Neide Scabello, Lilian Barbizan Comar, Olga Huss, Dirce Marcelo, tendo acompanhamento do músico João Morano.

Em 1983, o padre Braghetto deixa a paróquia e, no início de 1984, chegam as irmãs Inês Facioli e Gregória Roman Oliva, que contam com a presença dos padres Alfredo José Gonçalves e Antenor João Dallla Vecchia para continuar a ação junto aos migrantes, oriundos dos estados da Bahia e Minas Gerais para trabalhar na colheita sazonal da cana de açúcar, permanecendo em alojamentos fornecidos pelas usinas, em condições precárias. Elas também auxiliavam nordestinos. Para compor o grupo, em 1988 chega o padre Antônio Garcia Peres Neto, movimentando a comunidade na propositura de inclusão de itens que fariam parte da Carta Magna da Constituição Federal de 1988.

Esse trabalho permanece até 1993. Neste período, entre 1991-1992, auxiliam a pastoral os padres Angelo Ravanello, Carlos Cigolini e Valdecir Mayer Molinari, que possuem a provisão para atender não somente a Paróquia São Francisco de Paula em Dobrada e sua 
Capela de São Joaquim, em Santa Ernestina, como também a Paróquia de São Matheus, em Guariba. Em 1994, assume a paróquia o padre Delair Sebastião Cuerva, que trouxe o movimento da renovação espiritual católica, reativando também a cruzada eucarística e implantando o grupo de acólitos e coroinhas. Seu trabalho representou uma guinada em relação à linha de trabalho pastoral à ação mais social da igreja.

Ele fica até 1999, quando o padre Geraldo Francisco da Silva se empenha na preparação para o Jubileu do Ano 2000 e promove grande ação para a aquisição de um veículo paroquial, criando também a Pastoral do Dízimo e iniciando a construção da Capela de Nossa Senhora Aparecida, concluída pelo padre Expedito Jorge Raton Silveira, ex-monge beneditino, vindo em 1999 de Salvador (BA), que renovou os trabalhos voltados aos grupos de oração, com foco no Apostolado da Oração e Legião de Maria. Nesse momento, nossas memórias para zeladoras do apostolado, Josefa dos Santos, Teodora de Oliveira, Zena de Oliveira, Valdomira do Carmo, como também para as Legionárias de Maria, Itália e Carolina Basaglia.

De 2002 a 2006, o padre Fernando Sirino Vilela se volta à catequese e formação de grupo de jovens, com forte apelo à catequese pré-crismal. Chega o padre José Benedito Di Tulio, atuando de 2006 a 2010, trazendo novo ânimo para os grupos de pastorais de nossa comunidade. Nesse momento, foi para o seminário Valdemir Araújo, hoje pároco na Diocese de São Carlos. A paróquia adquiriu um terreno no bairro Alexandre para a construção de uma capela dedicada ao santo. O padre Adilson Pedro da Silva permaneceu conosco entre 2010 e 2016. Conduziu os trabalhos pastorais em nossa comunidade, estimulando a participação dos leigos em movimentos voltados às ações pós-crismal, participação no Treinamento de Liderança Cristã (TLC) e em mini-TLCs. Também implantou a Conferência de São Francisco de Paula, onde vicentinos atuam para auxiliar as famílias mais necessitadas.

O padre Emerson Aparecido Lopes implanta o movimento Encontro de Casais com Cristo (ECC), permanecendo de 2016 a 2020. De 2020 a 2021, o padre José Mateus da Silva Cordeiro, pároco de São Joaquim e Sant’Ana, acumulou funções junto à nossa paróquia, como administrador paroquial, contando com o padre Vinicius Ivan Lino Felippe, que atuou como cooperador. Nos últimos anos, afetados pela pandemia, os padres deram continuidade aos trabalhos. Em 2022, o padre Vinicius Felippe foi nomeado administrador paroquial, sendo nomeado pároco no último dia 14.

Neste percurso histórico de 100 anos da nossa paróquia, percebi o esforço e a luta de cada um dos padres e religiosos que por aqui passaram para construir a igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo. Pisaram neste chão os representantes de José Marcondes Homem de Mello, primeiro arcebispo-bispo de São Carlos do Pinhal, dom Gastão Liberal Pinto, dom Rui Serra, respectivamente o segundo e terceiro bispo de São Carlos, diocese esta que temos a honra de partilhar como filho, o cardeal primaz do Brasil, dom Sergio da Rocha.

E depois, por acordo mútuo dos bispos e decreto da Congregação para os Bispos, no dia 10 de outubro de 1969, quando passamos a pertencer à Diocese de Jaboticabal, pisaram neste solo sagrado dom José Varani, que nos recebeu da Diocese de São Carlos; dom Luiz Eugênio Peres, dom Antônio Fernando Brochini e dom Eduardo Pinheiro da Silva, respectivamente, segundo, terceiro, quarto e quinto bispos de nossa diocese. Nos governaram como papa: Pio XI, Pio XII, João XXIII, Paulo VI, João Paulo I, João Paulo II, Bento XVI e, atualmente, o papa Francisco.

Imbuídos deste espírito de vitalidade e renovação, peçamos a Deus que este centenário reaviva, em cada um de nós, o desejo de cumprir as palavras de João Paulo II, quando assume seu ministério em 1978: “Não tenhais medo! Antes, procurai abrir, ou melhor, escancarai as portas a Cristo! Ao seu poder salvador, abri os confins dos estados, os sistemas econômicos, assim como os políticos, os vastos campos de cultura, civilização e de progresso! Não tenhais medo! Cristo sabe bem o que está dentro do homem. Somente Ele o sabe! Hoje em dia, muito frequentemente, o homem não sabe o que traz no interior de si mesmo, no mais profundo de seu ânimo e do seu coração, muito frequentemente se encontra incerto, acerca do sentido de sua vida sobre a Terra. Deixa-se invadir pela dúvida que se transforma em desespero. Permite, pois - peço-vos e vo-lo imploro com humildade e com confiança - a Cristo falar com o homem. Somente Ele tem palavras de vida; sim, de vida eterna”.

E que venham mais 100 anos, pois, como disse Santo Agostinho, “a Igreja é uma velha grávida de si mesma” e nas palavras de Frei Betto, “o novo prossegue germinando em seu seio e isso reforça as nossas esperanças. Saiamos, pois, ao encontro do povo, levando Cristo aos homens que esperam isso de nós”.

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