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Esporte

ARTIGO: Minha reverência

POR ROGÉRIO BORDIGNON

Do acervo · publicada originalmente em 9 de janeiro de 2023

Fonte: Rogério Bordignon, jornalista e fotógrafo, postado por Natali Galvão

Foto: Divulgação

Rogério Bordignon é jornalista e fotógrafoAcervo · 2023
Rogério Bordignon é jornalista e fotógrafo

Não te vi jogar, mas também decidi te reverenciar.

Me permita, suplico, pois tenho minha versão sobre tua missão, que começa sobrenatural, pois quem é que – aos dez anos de idade – vê o pai chorar por uma lástima futebolística e enxuga lágrimas prometendo Título Mundial a ele?

Foi o sopro do destino que te fez deixar Três Corações, mas intervenções de alguns Santos que te fizeram deixar Bauru.

Conto como foi.

Alguns Santos sentiam tédio no Céu.

Deus percebeu, mas não interveio.

Os Santos viam com bons olhos o futebol na Terra, pois este desporto ainda não sofria com intervenções nos bastidores, tampouco com o peso do dinheiro e dos interesses difusos.

Queriam alguns Santos organizarem um campeonato no Céu, mas não conseguiram, porque Deus – sabedor dos futuros desvios do futebol – não quis arriscar.

Como consolo, Deus permitiu aos chateados Santos se entreterem com um menino chamado Edson Arantes do Nascimento, pois olhares e elogios santos a ele se dirigiam desde tão cedo quando, ainda com os apelidos de Gasolina e Dico, começou a fazer artes com a bola – diabruras angelicais – oscilantes entre quadros de Salvador Dali e Claude Monet.

Porém, começou uma certa disputa celestial.

São Paulo e os Santos mais próximos dele queriam Edson no time paulista que honrava a São Paulo. São Jorge e sua fiel torcida desejavam que o artista fosse para outro clube paulista, este de nome inglês, que tinha São Jorge como padroeiro.

“Saravá, saravá, salve o Santo Guerreiro e uma vela para saudar, meu São Jorge Padroeiro”, intervenção do autor do texto, destacando nitidamente sua predileção.

Pois bem!

Observando a cizânia, Deus entrou em cena novamente: “Edson não jogará no Corinthians, nem no São Paulo. Preciso de todos vocês unidos, meus Santos!”, disse Ele.

“Já o apelidei de Pelé, porque assim todo o Universo o reconhecerá mais facilmente e o reverenciará como a um Rei. A princípio, Edson não gostou do codinome, mas as pessoas já fizeram com que ele se acostumasse e passasse a curtir ser chamado de Pelé.

Em breve, ele jogará no time do município litorâneo de Santos, pois todos vocês estão contemplados desde quando colocaram o nome de Santos também no time daquela cidade homônima”, sentenciou Deus.

E assim se fez.

Os Santos logo se animaram com Pelé, sobretudo depois de 1956.

É verdade que São Jorge e São Paulo não gostaram muito, pois Pelé ‘deitou e rolou’ por cima dos times dos quais eram padroeiros.

Os times que mais faziam frente à equipe do Santos de Pelé – sobretudo na época que ele compunha o melhor ataque do planeta com Dorval, Mengálvio, Coutinho e Pepe – eram o paulista Palmeiras e o carioca Botafogo, que não prestam homenagens santas.

Para compensar, São Jorge e São Paulo viram seus times preferidos serem Campeões Mundiais...

Os demais Santos se entretiveram tanto com Pelé...

Um mexia a mão direita e Pelé corria mais do que Usain Bolt; o outro levantava o dedo esquerdo e Pelé subia mais do que Javier Sotomayor; havia o que fazia movimentos com o punho para a direita e para a esquerda e Pelé driblava como nunca ninguém havia feito...

Faziam isso, aquilo e Pelé executava os movimentos com perfeição em tantas e tantas vezes...

O resto se fez história...

Um nobre episódio sucedendo ao outro, nem todos registrados e transformados em imagens.

Pelé fez artes das mais exaltadas por toda sua longevidade futebolística, até depois de ter que extrair um dos dois rins.

Após Pelé parar de fazer arte, os Santos até conseguiram se entreter com outros jogadores no futebol, mas ainda não conseguiram um substituto à altura. Com o passar do tempo, concomitantemente ao ativo Pelé e depois de sua parada, os Santos também passaram a focar outros artistas em outros esportes.

Pelé se tornou o ser humano mais conhecido no universo pela arte sui generis que fez.

Feliz, sem dúvida, é você que viu ao vivo – ou viveu contemporâneo – a Pelé escrevendo seu sublime livro, com humildade entre milhões de mortais, entre os quais ele sempre teve mais carinho pelas crianças, pobres e desvalidos.

Pensam em beatificá-lo, mas esta decisão não é uníssona.

Sem problema!

Já era Rei!

E como Rei, se tornou lenda, a maior de todas entre os desportos, aclamada universalmente.

Muito obrigado, Pelé!

Viva o Lendário Rei Pelé!

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