ARTIGO: Cuidemos do broto
POR JORGE INNOCÊNCIO DA COSTA
Do acervo · publicada originalmente em 19 de dezembro de 2022
Fonte: Jorge Innocêncio da Costa, agente de Propriedade Industrial (profissional responsável por consultoria em marcas e patentes), postado por Natali Galvão
Foto: Divulgação
Acervo · 2022Em novembro passado estive na segunda maior feira de máquinas e implementos agrícolas em ambiente fechado do mundo, a EIMA de Bolonha. Foi a primeira grande feira desde o início da pandemia e lá se tem um termômetro muito preciso do que irá acontecer na agricultura mundial no próximo ano.
Além de roçadeiras e trinchas, equipamentos que são a maior especialidade daqueles expositores, uma coisa me chamou grandemente a atenção: o interesse pelo Brasil. Em cada fabricante que conversava ou me apresentava como brasileiro, percebia um interesse atípico no nosso agronegócio. Muitos me diziam que estavam buscando representes no Brasil; outros, que já tinham e gostariam de ampliar sua presença por aqui.
Em conversas com alguns brasileiros que por lá encontrei havia a recíproca nos diálogos anteriores com os europeus, a busca por oportunidades no agronegócio brasileiro. De fato, este interesse no campo brasileiro não foi surpresa para mim, haja vista o crescente número de empresas que têm requerido o ‘Ex-Tarifário’, um benefício fiscal dado a produtos importados sem similares nacionais, que promove maior competitividade aos estrangeiros.
Esta busca pelo país é fruto de um trabalho que começou há muito tempo, dando ao nosso cenário agrícola características únicas, como as múltiplas safras que colhemos anualmente de uma mesma cultura, também pelos sistemas inovadores de manejo de áreas de pecuária, como pelo sistema de integração lavoura, floresta e pecuária.
Assim, o cenário futuro não tem como ser pessimista, uma vez que nosso agronegócio tem vida própria. Embora possua relação estreita com os financiamentos estatais, especialmente do BNDES, o agronegócio brasileiro já se mostrou inúmeras vezes competitivo por si próprio.
Dessa forma, de tudo que assisti nos últimos meses, vejo a continuidade de um ciclo virtuoso no setor, com o crescimento de investimentos estrangeiros no país; inclusive, vários fabricantes mencionam a possibilidade de instalação de novas plantas industriais por aqui ou a formação joint ventures com empresas nacionais, pois é a única maneira de comercializarem seus produtos através das linhas de fomento do governo brasileiro.
Assim, o broto do agronegócio emergiu forte por aqui; cabe-nos cuidar para que frutifique cada vez mais.
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