Missa de Sétimo Dia de Moacir Matturro é neste domingo
Vice-prefeito, vereador e professor morreu na segunda-feira (17), aos 76 anos
Do acervo · publicada originalmente em 21 de outubro de 2022
Fonte: Rogério Bordignon, postado por Natali Galvão
· Leitura de 6 min
Foto: Rogério Bordignon
Acervo · 2022Na segunda-feira (17), às 11h58, Moacir Matturro faleceu no Hospital ‘Carlos Fernando Malzoni’. Ele deu entrada na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) no último dia 7 e foi transferido deste local para o quarto no dia 10 para receber cuidados paliativos, pois nada mais – além de tudo o que tinha sido feito anteriormente – poderia lhe salvar a vida.
Os primeiros sinais do Mal de Parkinson foram percebidos em 2014. Posteriormente, desenvolveu a Síndrome de Lewy. No dia 7 de novembro de 2020, caiu e fraturou o fêmur esquerdo, ficando acamado até partir. Até isso ocorrer, caminhava ao redor do Parque Ecológico ‘Laert José Tarallo Mendes’, muitas vezes contrariando familiares, pois ia até o outro lado do lago, não ficando por perto do prédio onde residia.
“Ele caminhou sempre e rápido, até os males começarem a lhe tirar a velocidade, gradativamente o intelecto e a memória, enfim, a limitá-lo lentamente. Que tristeza ver definhar um atleta, um ser humano inquieto, extremamente ativo, trabalhador, um ser que a tanta gente ajudou e que queria o bem coletivo. O Moacir nunca fumou, bebia socialmente. Comia muitas frutas, rotineiramente. Sempre dormiu cedo, acordou cedo”, conta a esposa Iara de Lara Bottura Matturro.
Se dedicou aos alunos de Educação Física, clientes da extinta Cefire, pois se especializou em Fisioterapia e recuperou muitas pessoas. “Ajudar aos outros era a sua maior especialidade, seja em sua vida familiar, profissional ou política. Quantas pessoas de todas as camadas sociais, vertentes religiosas, origens e destinos meu pai ajudou!”, salienta o filho Paulo.
“Tinha mais proximidade com o Espiritismo e o Catolicismo, mas um grande respeito por todas as religiões, por todas as pessoas. Na esfera política, nunca teve inimigos; somente adversários, todos respeitados. Quando pessoas do seu partido ou aliados erravam, ele reconhecia e tornava pública a sua posição contrária, querendo que o equívoco fosse corrigido”, comenta Paulo.
“Considerava que todos deveriam constituir o ‘Partido de Matão’, pois ‘a vida acontece no município, não no Estado, nem na Nação’, como ressaltou diversas vezes como liderança política, mas sobretudo enquanto vereador, jornada de vida na qual deixou trabalhos que durarão para sempre”, resume o filho Giancarlo.
Uma frase de Santo Agostinho – ‘A morte não é nada. Eu somente passei para o outro lado do caminho’ – foi definida por familiares para ser colocada acima de uma fotografia de Moacir sorrindo, sustentada por um cavalete, que esteve ao lado de seu corpo no velório realizado na Câmara Municipal, antes do sepultamento ocorrer naquela tarde.
O percurso da sede do Legislativo – onde foi vereador de 2005 a 2008 e depois assessor parlamentar do ex-vereador Luiz José Cerqueira por curto período – até o Cemitério Municipal foi acompanhado pelo caminhão do Corpo de Bombeiros. “O velório e o sepultamento concentraram pessoas de diversas atividades e perfis socioeconômicos, bem como diferentes vertentes políticas. Pela disposição da Câmara, nossa família agradece à vereadora que a preside, Ana Maria Freire da Silva Mondini”, destaca o filho Giovanni.
“Fizemos o possível, buscando os melhores médicos e outros profissionais, os tratamentos mais apropriados, enfim, tentamos fazer o melhor para ele, retribuindo o que Moacir fez por nossa família e por todos a que ajudou”, sintetiza Iara. “Nosso muito obrigado a todos que oraram ou se preocuparam com ele. Agradecemos a todos através de João Bento, o Cucão. Muito obrigado aos enfermeiros, médicos e outros profissionais que trataram dele, na pessoa do neurologista Cesar Minelli”, ressalta Paulo.
HISTÓRICO
Moacir é o terceiro dos cinco filhos de Antonio Matturo e Maria Aparecida Gaspar Matturro (ambos saudosos). Seus irmãos são Ricieri, Luzia (também saudosos), Francisco e José. Ele nasceu em Taquaritinga, no dia 30 de maio de 1946, sendo que dois anos depois, em meados de 1948, seis membros da família se mudaram para Matão, onde o caçula José nasceu.
Instalaram-se na Fazenda Boa Vista. Antonio se tornou carroceiro de praça, função na qual se aposentou. Aos 11 anos, Moacir começou a trabalhar na Padaria Central, assando pães a partir das 23 horas para os irmãos Rômulo e Alzir Biava, que abriam o estabelecimento às 5h30. Ficou por lá por um ano e depois ingressou na Marchesan. De julho de 1965 a julho de 1966 serviu o Exército Brasileiro, integrando o Batalhão da Guarda Presidencial (BGP) em Brasília (DF).
Em 1967, seu irmão Ricieri adquiriu o Bar do Gomes e o denominou de Umuarama Bar, contando com a ajuda dos outros três irmãos. Concomitantemente, de 1967 a 1970, tiveram seis pontos de táxi defronte ao bar, transportando estudantes em seis peruas Kombis. De 1968 a 1970, Ricieri adquiriu o bar e restaurante do extinto Grêmio (Sociedade Ítalo-Brasileira Matonense), onde também contou com o apoio dos irmãos. Foi aí dentro do Grêmio que funcionou a primeira pizzaria da cidade.
Moacir se formou no curso superior da Escola de Educação Física de São Carlos em dezembro de 1973. Até se aposentar, foi professor de Educação Física em escolas estaduais, municipais e particulares de Matão, bem como na escola do CAT-Sesi ‘Professor Azor Silveira Leite’. Também empreendeu sozinho ou em sociedade no Auto Posto Soma, em comércio de veículos, no Paris Motel e em outras atividades.
O casamento de 50 anos com Iara começou no dia 8 de julho de 1972, gerando três filhos: Giancarlo, casado com Érica, pais de Moacir Neto e Murilo; Giovanni, casado com Juliana, pais de Bianca; e Paulo Ricardo, casado com Samantha, pais de Maria Victoria, sendo esta neta a sua grande paixão nos últimos 19 anos.
“Me abraçou, me beijou e cuidou de mim desde quando nasci. Cresci no colo dele, ao lado dele. Me levava e buscava na escola e em tantos outros lugares. Me norteou, me construiu como ser humano. Devo tanto a ele, bem mais do que consigo expressar. Um homem íntegro, amoroso, presente, pronto. Um homem iluminado! Queria que todos evoluíssem, queria ver todos bem, todos felizes. Sua vida foi dedicada aos outros”, menciona Victoria, a quem Moacir se referia como “a filha que não tive”.
NA PREFEITURA
Em 1968, quando Laert José Tarallo Mendes venceu a eleição para prefeito, Moacir passou a integrar o partido político Movimento Democrático Brasileiro (MDB), adversário do partido Aliança Renovadora Nacional (Arena). Em 1988, ele e outras pessoas fundaram o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) em Matão. Na Prefeitura de Matão, exerceu algumas funções.
Foi técnico desportivo, de abril de 1985 a abril de 1987; professor, de fevereiro de 1988 a dezembro de 1990; diretor da Divisão de Merenda, de maio de 1993 a fevereiro de 1996; diretor do Departamento de Educação, de janeiro a dezembro de 2001; e diretor da Divisão de Ensino Fundamental, de fevereiro de 2003 a abril de 2004.
Também atuou para a Prefeitura de Motuca, na administração do ex-prefeito Rui Fernando Pinotti. Foi vice-prefeito de Matão na gestão do ex-prefeito José Edinardo Esquetini (2017-2020). O Luto Oficial de Três Dias foi decretado pelo prefeito Cido Ferrari e pela presidente da Câmara, Ana Mondini. A Missa de Sétimo Dia será celebrada neste domingo (23), a partir das 19 horas, na Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus de Matão.
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