Inaugurado o Pronto Atendimento HSaúde
Denominada de 'Waldemar Kfouri', unidade atende usuários de convênios e casos que não são urgentes
Do acervo · publicada originalmente em 7 de outubro de 2022
Fonte: Rogério Bordignon, postado por Natali Galvão
· Leitura de 6 min
Foto: Rogério Bordignon
Acervo · 2022O Pronto Atendimento HSaúde (PAHS) do Hospital ‘Carlos Fernando Malzoni’ foi inaugurado na sexta-feira (30) para acolher, servir melhor e de modo mais ágil, as pessoas integradas aos planos de saúde, bem como contribuir com a população matonense, que terá melhores condições de atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Pronto Socorro.
Funcionando por 24 horas todos os dias desde a segunda-feira (3), com acesso pela Avenida Siqueira Campos, o PAHS foi planejado em conjunto pelo Hospital e HSaúde. Amplo e dimensionado para atendimentos que não são emergenciais, o PAHS tem recepção, triagem, sala de espera, posto de enfermagem, três salas para consultas, duas salas de observação (destinadas a pacientes adulto e infantil), sala de inalação/aplicação de medicamentos e salas de estar médico.
A recepção conta com acolhimento do PAHS, acesso e retirada de exames complementares e de internação. “Tenho certeza de que haverá significativa melhora do cuidar, que é nossa missão, enquanto plano de saúde e hospital”, diz Jorge Abrahão Kfouri Neto, diretor-presidente do HSaúde. No discurso inaugural, Neto Kfouri agradeceu – em nome de familiares – a Diretoria Executiva do Hospital de Matão por ter nomeado o PAHS de ‘Waldemar Kfouri’.
“Cuidar dos pacientes combina perfeitamente com a essência da vida do meu pai, que – de 1954 a 1999 – cuidou de muitos de nós, nascidos em Matão ou matonenses de coração. Em Matão, ele fez grandes amigos. Gostava de ajudar! Relutou em se aposentar pelo Governo do Estado, pois atender na UBS ‘Salvador de Toledo Galrão’ – no ‘Postão’ – era sua paixão”, relata Neto Kfouri.
“Ele se aposentou pelo Estado quando ingressou na Prefeitura e continuou recebendo pessoas na mesma sala, no ‘Postão’, até sua morte. Ainda ouço relatos de auxílios que prestou a tantas pessoas, bem como passagens hilárias, provindas de sua inteligência fina e liberdade de expressão”, lembra o médico ortopedista, que dividiu a sala do ‘Postão’, integrou o Corpo Clínico do Hospital e exerceu a profissão junto ao seu pai por nove anos. “Nosso muito obrigado pela homenagem!”, salienta Neto.
Além do presidente do HSaúde, participaram do descerramento da Placa Inaugural do PAHS: João Carlos Marchesan, Denise Paolinetti da Câmara Minelli (respectivamente, presidente da Diretoria Executiva e superintendente do Hospital), Cristina Miotto Boy (gerente administrativa do HSaúde), prefeito Cido Ferrari, Maria Salete Ragassi Kfouri e João Batista Kfouri (viúva e filho de Waldemar Kfouri). O cerimonial foi conduzido por Paulo Augusto Bernardi (assessor jurídico do Hospital).
“Com orgulho, observamos outro importante investimento feito no Hospital, instituição bem administrada e fundamental para a população de Matão e região. Nos traz alegria constatar que atualizações, expansões e melhorias são feitas, pois quem mais se beneficia com isso são as pessoas que necessitam de atendimentos e cuidados”, resume o prefeito Cido Ferrari.
“Waldemar Kfouri está muito vivo em nossa memória. Prestamos justa homenagem a um profissional que se dedicou muito à população de Matão. Que o Pronto Atendimento HSaúde tenha muito sucesso, pois isso significa benefícios a todos os usuários de planos de saúde, bem como à população, pelo considerável alívio nos atendimentos que o Pronto Socorro terá”, resume João Marchesan.
WALDEMAR KFOURI
Filho de Jorge Abrahão Kfouri e Christina José Kfouri, Waldemar Kfouri nasceu em Tabatinga no dia 26 de abril de 1930. Chegou a Matão em 1940 e foi estudar no então Ginásio Estadual. O Ensino Científico foi concluído na EE ‘Álvaro Guião’, em São Carlos. Aos 17 anos, optou pela medicina e rumou para Curitiba, ingressando na Faculdade Federal do Paraná, onde se formou em 1953.
No ano seguinte, como médico do Estado, trabalhava para Matão na Unidade Básica de Saúde ‘Salvador de Toledo Galrão’ (o ‘Postão’ - Posto de Puericultura, na época) como clínico geral e pediatra. Pelo Estado, Waldemar respondeu pela função de Médico Chefe do ‘Postão’ até 1997, quando se aposentou e continuou trabalhando pela rede de saúde pública municipal até falecer num acidente automobilístico na Rodovia ‘Faria Lima’, no dia 6 de fevereiro de 1999.
Era casado com a pedagoga Maria Salete Ragassi Kfouri, com quem teve os filhos Jorge Abrahão Kfouri Neto (médico ortopedista) e João Batista Kfouri (advogado). Lecionou Biologia na EE ‘Professor Henrique Morato’ de 1954 a 1980. Especialista em Medicina do Trabalho desde 1976, estendeu cuidados a diversas empresas antes de obter o seu credenciamento em 1977, quando os Médicos do Trabalho observaram o nascimento oficial desta especialidade. Finalizou o curso de especialista em Medicina do Trânsito em 1994, embora desempenhasse esses trabalhos há vários anos em Matão.
Foi fundador e conselheiro da Associação Brasileira de Acidentes e Medicina do Tráfego (Abramet), assim como do Banco de Sangue de Matão, com o Cemig. Não se negava a atestar o óbito de indigentes e também os ocorridos em domicílios. Encontrava tempo para estender seu trabalho aos detentos da extinta Cadeia Pública de Matão. ‘Bibo’, como era tratado entre os amigos, defendeu e ajudou de modo silente a construção de Matão, sobretudo como médico sanitarista.
“Que a mão direita não saiba o que a esquerda fez”
Waldemar Kfouri se dedicou bastante a Matão, de forma silenciosa
A Comarca publica novamente os depoimentos dos filhos do médico Waldemar Kfouri, João Batista Kfouri (advogado) e Jorge Abrahão Kfouri Neto (médico ortopedista), veiculados na ocasião de seu falecimento, há 23 anos.
“Era um homem que não buscava homenagens, nem gostava de recebê-las. Nunca almejou autopromoção pelo extenso trabalho que apresentou. Foram anos de briga pelo saneamento básico do município, uma luta calada, pelos bastidores na maioria das vezes. Muitos trabalhos por ele desenvolvidos não tiveram registro oficial ou não foram formalizados, até por próprio desinteresse. Nem ele e nem minha mãe interferiram em nossa individualidade. Ele sempre respeitou e a recíproca sempre se fez presente; era o seguinte: ‘Te dou carta branca para você usar o livre arbítrio. Você sabe quais são seus limites e suas responsabilidades’.
Gostava da culinária, de mexer com os ingredientes e preparar bons pratos, como o quibe. Adorava tango, sambas antigos e música italiana, pois era um libanês com fortes traços italianos – reforçados pelos gostos. Ele sabia parar e ouvir músicas novas que trazíamos. Declamava poesias e tinha uma grande capacidade para decorá-las. Tinha medo d’água, mas nunca se negou a nos levar pescar. Mesmo que houvesse algum tipo de briga entre nós, nos abraçávamos e nos beijávamos ao nos ver. Estampava o contato, carinho, amor. Os amigos que o chamavam pelo apelido, ‘Bibo’, acrescentavam ‘querido’ a alcunha”, João Batista Kfouri.
“Era humilde e conhecedor de seus limites, pilares que divulgou sem cessar. Tratava todos sem distinção, respeitando o homem pelo homem, simplesmente; tinha trânsito livre com o proprietário e com o diretor de uma grande indústria. Dizia que ‘somos aquilo que fazemos’. Sempre defendeu a humildade e sempre tentou extinguir o preconceito. Nunca tirou férias simultâneas das frentes em que trabalhava, sempre cumprindo o que lhe cabia e buscando prestar serviços além do que lhe era atribuído. Não discutia a medicina conosco, por exigência médica até, fazendo isso somente após minha formatura. Era uma pessoa lacônica por ter olhos somente para a medicina, o tempo todo.
Adorava ficar com os netos. Sobretudo em seus últimos anos de vida, passeava com eles todos os dias. Foi uma certa autoridade em tempos idos. Médicos e professores eram muito prestigiados há alguns anos. Recebia como médico do ‘Postão’ e como professor, nada mais. Pessoas, por gratidão, lhe davam doces, frangos ou algo que demonstrasse agradecimento. Manteve o nível de trabalho desde o início, atendendo 30 pacientes a cada quatro horas, bem acima da média estabelecida: 16 a cada quatro horas. Dizia que a vida era simples e que muitos teimavam em complicá-la. Para ele, bastava chegar ao final de um dia e dizer: ‘Estou contente’”, Jorge Abrahão Kfouri Neto.
Comentários
Ninguém comentou ainda. O primeiro comentário pode ser o seu.










