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Saúde

Ademir de Souza não descarta retorno à Prefeitura

Ele deixou a função de secretário municipal de Saúde no último dia 30 de agosto

Do acervo · publicada originalmente em 24 de setembro de 2022

Fonte: Rogério Bordignon, postado por Natali Galvão

· Leitura de 6 min

Foto: Rogério Bordignon

Ademir de Souza. "Trabalhei na Prefeitura em várias funções, nunca fechei portas e elas nunca se fecharam; o futuro deixamos nas mãos de Deus"Acervo · 2022
Ademir de Souza. "Trabalhei na Prefeitura em várias funções, nunca fechei portas e elas nunca se fecharam; o futuro deixamos nas mãos de Deus"

Do dia 3 de maio de 2021 até o último dia 30 de agosto, Ademir de Souza desempenhou as funções de secretário municipal de Saúde e – voluntariamente – de diretor do Departamento de Compras e Suprimentos. Ademir decidiu deixar a gestão municipal e comunicou sua decisão à imprensa por meio de uma carta na qual agradece às pessoas com quem atuou. A Comarca entrevistou Ademir.

Por quais motivos você decidiu deixar suas funções públicas municipais? Houve algum desentendimento com a atual gestão?

Absolutamente nenhum desentendimento. Na verdade, minha vontade era de não ter assumido qualquer cargo na Prefeitura. Desde a vitória do saudoso Adauto Scardoelli, em 2020, já conversava com o então prefeito eleito sobre essa possibilidade. Ajudei no governo de transição coletando os dados da área da Saúde, que, além de muitas dificuldades, enfrentava também o auge da pandemia da covid-19. Como todos devem lembrar, as primeiras doses da vacina chegaram em 20 de janeiro de 2021. No final de dezembro de 2020, Adauto reuniu as pessoas que iniciariam com ele o quarto mandato e naquele dia, na Villa Dorana, disse que me nomearia secretário da Saúde. Assim mesmo, assumi oficialmente no dia 3 de maio de 2021. Minha relação de amizade e compromisso político com Adauto – após muita insistência dele – acabou me convencendo. Após sua inesperada morte, voltei a pensar no assunto. Decidi sair e, como sou presidente do Diretório Municipal do PT, sabia também da minha tarefa na condução da campanha deste ano. E cargo público e eleição devem ser separados. Portanto, não há qualquer problema com ninguém do atual governo municipal.

Você voltará a atuar pela Prefeitura no atual mandato?

Trabalhei na Prefeitura algumas vezes, em várias funções. Saí e voltei, inclusive para ser vereador por dois anos, de 2010 a 2012. Nunca fechei portas e elas nunca se fecharam. O futuro deixamos nas mãos de Deus e vamos seguindo em frente.

Com relação ao setor da Saúde Pública Municipal, quais os principais problemas encontrados em janeiro de 2021?

Eram muitos e graves. Faltavam médicos de várias especialidades, faltavam insumos e medicamentos. Os funcionários estavam totalmente desestimulados, as unidades de saúde sem manutenção e equipamentos, sem material básico para funcionamento. Duas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) – São Judas e Las Lomas – com obras abandonadas. O Hospital ‘Carlos Fernando Malzoni’ recebendo as subvenções do Pronto Socorro por Ordem Judicial e a Prefeitura, além de não o pagar mês a mês, também tinha dívida de mais de R$ 1 milhão com o Hospital. E diante desta situação caótica, tínhamos ainda a pandemia de covid-19.

Quais os avanços conquistados?

Acho que todos os avanços não teriam sido possíveis sem a equipe que trabalhou comigo nesse período. Essas pessoas são peças-chaves nesse processo, pois o trabalho em equipe sempre dá resultados. Não fiz nada sozinho. Em cada setor da Secretaria temos pessoas comprometidas com a Saúde; não fosse assim, nada teria dado certo. O caos encontrado, acumulado com a pandemia de covid-19, não permitia uma gestão individual e, por isso, não tive dúvidas em unir as pessoas e buscar formas de melhorar as condições de trabalho para que pudéssemos garantir os avanços. Nesse período, Matão aplicou quase 230 mil doses de vacina; quase 90% da população passou pelo menos duas vezes pelas UBSs ou outros locais para tomar a vacina. Exatamente por isso, o prefeito Cido Ferrari enviou dois Projetos de Lei para a Câmara Municipal, visando o pagamento de gratificação aos profissionais da área dos setores inerentes às vacinas como forma de agradecimento a dedicação. Ao mesmo tempo, providenciamos a compra de novos equipamentos, veículos, insumos básicos para que as unidades pudessem melhorar o atendimento. E com a grande parceria do Hospital, contratamos mais médicos, o que levou mais pacientes a serem atendidos. A demanda de consultas resolvidas gerou a necessidade de mais exames. Com a aprovação da Câmara, aumentamos os repasses mensais ao Hospital de R$ 590 mil para R$ 700 mil e pagamos toda a dívida com essa instituição. Retomamos as obras das UBSs que estavam abandonadas. E entregamos, nos últimos meses de abril e junho, as unidades de Estratégia Saúde da Família (ESF) do Las Lomas e do São Judas Tadeu. Começamos a construção da UBS do Parque Laranjeiras, que está bem adiantada. Retomamos o Programa Dose Certa em parceria com o Governo do Estado; investimos na compra de medicamentos. Matão possuía centenas de processos judiciais, com atraso na entrega – que hoje estão praticamente em ordem. Zeramos as demandas de órteses e próteses de pessoas que estavam há anos nas filas. E no final do último mês de agosto, a Secretaria de Saúde iniciou a implantação – em parceria com o Hospital – das equipes multidisciplinares que vão às casas das pessoas dar continuidade ao tratamento de doenças, apoio, informação e treinamento aos familiares para cuidar de seus doentes. Também realizamos, entre os últimos meses de junho e agosto, mais de 1.800 exames, além de dezenas de cirurgias, num trabalho excepcional das equipes da Secretaria da Saúde e do Hospital de Matão para minorar o tempo de espera e reduzir filas de exames e cirurgias. Portanto, o resultado é muito positivo. Temos problemas ainda? Sempre! Saúde é assim: hoje estamos bem; amanhã, só Deus sabe.

O que você queria ter resolvido no setor da Saúde, mas não foi possível?

Na área da Saúde, não há este ou aquele caso específico. Temos uma quantidade e diversidade muito grande de serviços prestados e, obviamente, temos demandas que tendem a se arrefecer na medida em que a situação econômica se agrava, visto que quando as pessoas perdem o emprego, por exemplo, ficam sem plano de saúde. A pandemia trouxe consequências e sequelas graves; centenas de pessoas que foram contaminadas precisam até hoje de cuidados médicos. A saúde mental de toda a população teve uma queda de qualidade em razão do enorme tempo de isolamento, da mudança repentina de hábitos, da perda do emprego e do agravamento de doenças que deixaram de ser tratadas. Por isso, considero que o grande desafio na área da Saúde – além de cumprir com a lição de casa – é cobrar uma participação mais efetiva dos Governos Estadual e Federal para que ampliem os recursos e possamos dar mais e melhor atendimento ao nosso povo, principalmente aos mais pobres e em situação de vulnerabilidade social.

Qual a situação da interligação digital entre a Secretaria de Saúde e todos os setores inerentes a esta Pasta que atuam com atendimento público?

A interligação das unidades já foi implantada no segundo mandato do Adauto (2005-2008), quando fizemos o PMAT. Em 2020, a gestão anterior adquiriu um sistema de gestão (IDS) que mantivemos e estamos cuidando para que seja aprimorado. As ferramentas de gestão proporcionadas pela internet e pelo avanço da tecnologia são importantíssimas para prestar serviços cada vez melhores e com economia de recursos. Está em avançado estágio a implantação do que eu chamava, quando era secretário, de pré e pós consulta, o que permitirá ao paciente, ao passar pelo médico, marcar o seu exame na própria UBS, saber se tem ou quando terá disponível o seu medicamento, marcar a sua viagem quando necessário para fazer tratamentos em outras cidades. Acredito que esse estágio está muito próximo e espero que a equipe cuide com carinho da proposta, que vai na ponta, beneficiar a população que não precisará ficar se deslocando de um lado a outro para ter seu atendimento realizado.

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