Uma grande missão na 'Divino Espírito Santo'
Padre Fábio Timóteo iniciou sua jornada na paróquia no dia 10 de julho
Do acervo · publicada originalmente em 19 de agosto de 2022
Fonte: Rogério Bordignon, postado por Natali Galvão
· Leitura de 10 min
Foto: Rogério Bordignon
Acervo · 2022Desde o dia 10 de julho, o padre Fábio Rogério Timóteo exerce a sua missão em substituição ao padre Samir Silva Sousa na Paróquia Divino Espírito Santo. Nascido em Matão e com familiares morando aqui, ele tem o grande desafio de conduzir uma das nossas maiores paróquias, que geograficamente concentra nove bairros: São José, Itália, Brasil, Aliança, Jandira, Santa Marta, Mariani, Bussola e Alto dos Pinheiros. O padre Fábio está numa das páginas de A Comarca pela segunda vez, já que uma matéria com ele foi publicada em 2004, após sua Ordenação Sacerdotal. Segue a entrevista.
Como surgiu a vontade de ser padre?
Acredito que afirmei querer ser padre antes mesmo de falar. Recebi uma fé muito viva de minha família e amo muito a dimensão humana e divina da Igreja Católica. Creio muito no que Jesus Cristo prometeu e entendo que o mundo tem que se adequar aos Evangelhos. Minha contribuição é mostrar a verdade às pessoas, utilizando variados métodos, mas sempre me pautando na Palavra de Deus. Continuo mostrando a alegria e a felicidade para despertar um novo ardor nas pessoas.
Como foi feito o convite para assumir a Paróquia Divino Espírito Santo?
O então bispo da Diocese de São Carlos, dom Paulo Cezar Costa, transitava por um período no qual promovia mudanças de padres em locais de atuações, sobretudo daqueles que tinham mais de dez anos numa mesma paróquia e eu me encontrava nesta situação, pois em 2020 já estava há 16 anos na Paróquia de Santo Antonio, em Barra Bonita. Ele me convidou para assumir a Paróquia de São José, em Jaú. No entanto, o padre Thiago José Paleologo, no último momento, preferiu ficar onde estava, alicerçado pelo fato de ter cinco anos de trabalho naquela paróquia, sendo que o padre tem esta prerrogativa, desde que tenha menos de seis anos de atuação num mesmo lugar. O padre Ricardo Alexandre Pinto estava designado por dom Paulo Cezar para assumir a paróquia que eu exerci minha missão. Então, fiquei ‘no meio do caminho’, pois não iria para Jaú, tampouco voltaria para Barra Bonita. Afirmo que foi um período de provação, pois me considerava um bom padre. No entanto, passei a me questionar: como um bom padre fica sem paróquia? Então, o bispo auxiliar dom Eduardo Malaspina conversou com o padre Jorge Nahra e decidiram que eu viria ser vigário na Paróquia do Senhor Bom Jesus de Matão, função que exerci de dezembro de 2020 a março de 2021. Na sequência, surgiu a oportunidade para eu ir à Paróquia de Santa Luzia, em São Carlos. Porém, ocorreu um fato interessante antes da minha decisão: no final da minha jornada na Matriz do Senhor Bom Jesus de Matão, uma mulher me entregou um envelope. Percebi que havia algo dentro, mas não abri. Fiz isso na Casa Paroquial e constatei que no envelope tinha um livreto de Santa Clara com uma novena simples. Na tarde daquele mesmo dia útil de semana, o bispo auxiliar dom Eduardo me informou que havia uma segunda opção, a da Paróquia de Santa Clara, em Jaú. Entendi aquele livreto de Santa Clara como um sinal para a minha escolha e fui para Jaú.
Foi bem recebido em Matão?
Fui muito bem recebido e continuo me sentindo bem acolhido, respeitado, amado. Trabalho muito para continuar tendo essa percepção.
O senhor se sentiu confiante antes dessa recepção?
Não. A princípio, não tinha bons olhos ao fato de desempenhar a função de padre numa cidade onde tenho meus familiares e também conheço pessoas desde a minha infância. No entanto, com o passar do tempo, depois de ser convidado a vir para Matão, observei que em Jaú metade dos padres nasceu naquele município e eles exercem muito bem seus ministérios. Me convenci de que seria possível e decidi também trabalhar onde nasci e cresci. Antes do convite para a Paróquia Divino Espírito Santo, surgiu a possibilidade de assumir a Paróquia Nossa Senhora Aparecida, mas o atual bispo, dom Luiz Carlos Dias, considerou que eu seria a pessoa mais apropriada para dar sequência aos trabalhos do padre Samir.
Dar seguimento aos trabalhos do padre Samir motiva ou preocupa?
Motiva no sentido de que ‘a rua já foi pavimentada’. O padre Samir agregou pessoas e exerceu um trabalho edificante, com diversas ações e obras físicas e humanas. Quando se chega num local no qual não há nada, sequer pessoas, o que você fizer é ‘lucro’. Quando se assume uma função num lugar onde há trabalhos bem sedimentados e crescentes, a expectativa é outra, o desafio é muito maior, pois além de se manter o que tem, é necessário avançar.
E o que fazer para avançar?
Trago o desejo de não perder de forma alguma o que é bom e o que já foi conquistado. Justamente por isso, quero aperfeiçoar o que já temos e desbravar novos caminhos, seja em relação à vida espiritual, formativa, social e das necessidades humanas mais básicas. Não temos uma paróquia que possa ser considerada com muitos recursos financeiros; ao contrário, nossa paróquia é simples e precisa de todo tipo de ajuda, apoio e parcerias. Há na nossa base a entrega das sopas e das cestas básicas, que serão mantidas. No entanto, os vicentinos da paróquia formatarão um cadastro para atualizar as reais necessidades alimentares das pessoas que recebem estes atendimentos. Num próximo momento, nosso cadastro será integrado aos de outras paróquias e entidades assistenciais, numa perspectiva de os centralizar numa parceria com a Prefeitura. Há também o apoio psicológico voluntário. É vontade minha ampliar os atendimentos voluntários para outros segmentos profissionais, como, por exemplo, o advocatício. Há a possibilidade de a Prefeitura aproveitar o espaço da nossa igreja antiga – perto da extinta Associação Matonense de Esportes e Lazer (Amel) – para realizar lá um trabalho social de atendimento a idosos durante o período diurno. Estamos propícios a outras parcerias e iniciativas que visem bem-estar e melhor qualidade de vida a todas as pessoas da Paróquia Divino Espírito Santo. Também já acrescemos desde o último dia 9 a ‘Missa nas Casas’, que prosseguirá em toda terça-feira, às 19h30, cada vez em alguma casa do nosso território paroquial, que é bem extenso e populoso, concentrando nove bairros.
Mais alguma nova missa?
Sim, a ‘Missa das Crianças’, a partir deste domingo (21), às 9h30. Com conteúdo lúdico, teatral, musical, leve, estas missas serão celebradas para tornar a fé e os exemplos de Jesus Cristo mais vivos nas crianças. As outras missas continuarão: ‘Ação de Graças’, toda quarta-feira, a partir das 19h30; as missas aos sábados (16 horas e 19 horas) e aos domingos (às 7h30 e 19 horas), com a ‘Missa das Crianças’ às 9h30.
Como o senhor se descreve como padre?
Não tenho nenhuma bandeira levantada. Para muitas situações, sou progressista; para outras, conservador. Me considero um padre que gosta de estar na vida das pessoas, pois me envolvo facilmente com os sentimentos delas. A partir do momento em que escolhi ser padre, abdiquei da minha liberdade. Devo ser padre 24 horas por dia, todos os dias; sou padre dentro e fora da Igreja Católica, da paróquia. Sou apaixonado por Deus e pelo ser humano. Me desloco para lugares mais distantes com minha bicicleta elétrica, pois sequer Carteira Nacional de Habilitação (CNH) tenho; não dirijo veículo motorizado. Gosto de me exercitar, de servir, rezar, de estar com as pessoas, de festa e alegria.
Quais os seus santos de devoção?
Tenho devoção por Nossa Senhora das Graças e Santo Antonio. Encontrei a imagem de Nossa Senhora das Graças por todos os lugares em que estive, desde o meu tempo de seminarista. A mesma experiência ocorre relacionada a Santo Antonio, sendo que tive a confirmação para a vinda à Paróquia Divino Espírito Santo no dia 13 de junho, dia de Santo Antonio. Também sou devoto de Nossa Senhora da Salette, de forma interessante.
Como assim, ‘de forma interessante’?
Nunca tive informações a respeito de Nossa Senhora da Salette até o meu Retiro Preparatório em Itaici (SP), para minha Ordenação Sacerdotal. Logo na chegada, na recepção do local, encontrei várias imagens de santos em papeis e um deles trazia a imagem de Nossa Senhora da Salette. Num outro momento, no mesmo ambiente de retiro, houve uma Procissão de Corpus Christi. Em determinado instante, olhei para o Santíssimo Sacramento e me deparei, num segundo plano, com a imagem de Nossa Senhora da Salette, uma escultura em tamanho natural, que até então não havia me chamado a atenção. Em outros dois momentos – um em Barra Bonita e outro em Jaú – também me encontrei com outras imagens da mesma santa, uma delas numa loja com objetos sacros e outra dentro de uma mala antiga, cuja entrega foi feita a mim por uma mulher desconhecida, sendo que ela me afirmou que aquela mala cheia de ‘santinhos’, cartazes e livros de Nossa Senhora da Salette deveria ser entregue a mim. Então, passei a ter devoção também a Nossa Senhora da Salette.
O senhor pretende conduzir a comunidade para concluir o prédio da igreja?
Acredito que também seja parte da minha missão terminar a igreja atual. Falta a fachada com três torres, uma mais alta – central – e duas laterais. Faltam os vitrais, pisos e todo o acabamento. Imagino que concluiremos 80% da igreja até o final de 2028. Meu ensejo é terminá-la sendo o pároco, mas, para isso, precisamos muito de colaborações. Serão a contribuição e o apoio comunitário que definirão quando nossa igreja estará finalizada. Além dos eventos festivos, há o ‘Carnê da Construção’, que pode ser adquirido na Secretaria Paroquial com Emi de Oliveira Pereira e Daniel Cezar de Oliveira. Qualquer valor de contribuição pode ser dado por meio deste carnê. Mais informações podem ser obtidas com Emi e Daniel pelo telefone 3384-1828, ou pessoalmente das 8 às 17 horas de segunda a sexta-feira e das 8 às 12 horas aos sábados.
Quais são os eventos festivos?
O nosso maior evento é o ‘Arraial da Paz’; depois, o ‘Porco a Paraguaia’ e a ‘Costela no Fogo de Chão’. Todos continuarão. Pretendo organizar com a comunidade uma ‘Feira de Natal’ na igreja antiga, para que todos encontrem seus olhares e corações.
PERFIL
Fábio Rogério Timóteo nasceu em Matão no dia 3 de junho de 1976. “Sou o primeiro filho de Jamiro José Timóteo e Helena Maria Nunes Timóteo e tenho duas irmãs: Patrícia Aparecida Timóteo Brochetto, casada com Alberto Brochetto Filho (pais da Mariana), e Camila Cristina Timóteo. Cursei o Ensino Fundamental entre 1984 e 1991 na EE ‘Roberto Veltre’. O Ensino Médio foi feito entre 1992 e 1994 na EE ‘Henrique Morato’. Fui office-boy nas Confecções Elite, dos 14 aos 17 anos; e dos 17 aos 19 anos, trabalhei na Bella Plast. Em 1995 cursei o Seminário Propedêutico Nossa Senhora do Patrocínio em Jaú. De 1997 a 1999, estudei Filosofia no Seminário Maior Diocesano de São Carlos e, de 2000 a 2003, Teologia na Pontifícia Universidade Católica de Campinas (Puccamp). A Ordenação Diaconal aconteceu na Catedral de São Carlos Borromeu, no dia 27 de dezembro de 2003. Fiz estágios pastorais na Igreja Nossa do Carmo (São Carlos, 1997), Igreja Santa Madre Cabrini (São Carlos, 1998 a 2000), Igreja Santo Antonio (Itirapina, 2001) e Igreja Nossa Senhora das Graças (Araraquara, 2002). Fui responsável pelo Canto Litúrgico da Diocese de São Carlos (Canto da Missa), promovendo encontros e formação para todos os que estão envolvidos com o Canto na Missa (2003) e nas Paróquias Santa Isabel de Portugal (São Carlos), São João Evangelista e Santo Antonio (Ibaté, respectivamente no primeiro e no segundo bimestre de 2004). Minha Ordenação Diaconal aconteceu no dia 27 de dezembro de 2003, na Catedral de São Carlos; e a minha Ordenação Sacerdotal, no dia 9 de julho de 2004, na Igreja Matriz de Santa Cruz, em Matão, pelas mãos do então bispo dom Joviano de Lima Júnior. No dia 17 de julho de 2004, comecei a atuar como vigário na Paróquia de Santo Antonio, em Barra Bonita, onde fui pároco de 2004 a 2020. Em 2021 fui para a Paróquia de Santa Clara, em Jaú, onde fiquei até o dia em que completei 18 anos como padre, iniciando a jornada na Paróquia Divino Espírito Santo no último dia 10 de julho”.
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