Minelli coordena 1ª Diretriz Brasileira de Reabilitação em AVC
Outro destaque foi a premiação de estudo realizado no Hospital de Matão durante Congresso Internacional
Do acervo · publicada originalmente em 19 de agosto de 2022
Fonte: Rogério Bordignon, postado por Natali Galvão
Foto: Rogério Bordignon
Acervo · 2022Do começo de 2020 até a semana passada, o médico neurologista César Minelli liderou um grupo de profissionais envolvidos em reabilitação pós Acidente Vascular Cerebral (AVC, conhecido como derrame), incluindo neurologistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e enfermeiros. “Escrevemos a primeira Diretriz Brasileira de Reabilitação em AVC”, informa César, entrevistado por A Comarca.
O que é uma diretriz em Medicina?
É o conjunto de intervenções em saúde, baseado em evidências concretas disponíveis na literatura científica, a ser seguido frente a uma determinada condição médica que trará os maiores benefícios aos pacientes.
O que foi abordado pela diretriz em questão?
A diretriz foi dividia em duas partes. Na Parte 1 foram abordadas questões relacionadas a prevenção e tratamento de condições presentes na fase aguda do AVC, como dificuldade de deglutição, trombose de membros inferiores, contraturas, descondicionamento físico, ombro doloroso, suporte nutricional, alterações do humor, alterações do sono, crises epilépticas pós-AVC, úlcera de decúbito, medicamentos que devem ser usados para prevenir outro AVC, dores crônicas pós-AVC e osteoporose. Na Parte 2 foram abordados os temas relacionados à reabilitação do déficit neurológico e incapacidades, como, por exemplo, quais técnicas devem ser usadas por um paciente que tem dificuldades em andar, falar, engolir, mexer os braços e dificuldades sensitivas. Nessa Parte 2 também abordamos cuidados paliativos pós-AVC e quais escalas devem ser utilizadas para avaliar o nível de sequela após o AVC.
Qual foi a maior dificuldade enfrentada na elaboração do trabalho?
Esta diretriz foi de difícil execução porque tínhamos que fazer um texto homogêneo que fosse escrito e aprovado pelos 40 autores. Somadas as duas partes, temos mais de 400 citações bibliográficas. Foi necessário também adequar o tamanho do texto ao espaço na revista científica disponível para publicação.
Por que esta diretriz se destaca?
Primeiro porque é a primeira diretriz em reabilitação pós-AVC publicada no Brasil. Adicionalmente, cada técnica descrita tem o seu grau de recomendação classificada em forte, moderada e fraca, associado ao nível de evidência disponível na literatura científica que dá suporte a recomendação. Estará disponível para consulta não só para neurologistas, mas também para outros profissionais envolvidos na reabilitação em AVC como enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e educadores físicos.
Estudo matonense é premiado em Congresso Internacional
César Minelli conduziu trabalho com equipe de Ribeirão Preto
No último período de 10 a 12 de agosto foi realizado o Congresso International Global Stroke Alliance, no Hotel Sheraton, em São Paulo. Contou com a presença do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e outras autoridades na sua abertura. O objetivo do congresso foi definir políticas públicas de cuidados a pacientes com Acidente Vascular Cerebral (AVC), incluindo prevenção de novos casos, atendimentos na fase aguda, terapias de reperfusão (desobstrução da artéria cujo fechamento provocou o AVC) e reabilitação pós-AVC. Este evento premiou como ‘Melhor Trabalho Apresentado’, dentre todos os selecionados, um estudo realizado no Hospital ‘Carlos Fernando Malzoni’.
Liderado pelo médico neurologista César Minelli, este estudo contou com a parceria de uma equipe do Hospital das Clínicas (HC-USP-RP), mostrando a incidência de Ataque Isquêmico Transitório – quadro neurológico com os mesmos sintomas do AVC, porém com duração menor que 24 horas – em cinco anos, sendo acompanhada a evolução dos pacientes durante um ano. “Esta premiação muito nos orgulha, pois mostra a qualidade dos dados obtidos no hospital de Matão, reconhecida pela colaboração com pesquisadores de Ribeirão Preto”, frisa César. Somente duas cidades no Brasil têm estes dados disponíveis: Joinville (SC) e Matão.
“Devido aos estudos sobre AVC que realizamos há vários anos no Hospital de Matão, também foi estabelecido uma parceria com o HC-USP-RP, denominada ‘Sistema Join’, em que todos os pacientes que chegam com AVC no nosso hospital têm seus casos discutidos com a equipe de Ribeirão Preto para saber quais as melhores decisões a serem tomadas, de acordo com cada caso. Estas discussões acontecem em tempo real, on-line, sendo que os neurologistas do HC têm acesso aos exames de tomografia logo que o paciente é admitido em nosso Pronto Socorro”, comenta César.
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